quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

0225 VIRGÍLIO

0225 VIRGÍLIO

VIRGÍLIO
Virgil, Vergil, Publius Vergilius Maro em latim
(nasceu no ano 70 antes de nossa era, em Andes, Mântua, Itália; morreu no ano 19, antes de nossa era,
em Brundisium, hoje Brindisi, Itália)
POETA ROMANO AUTOR DA ENEIDA MAIS CÉLEBRE POEMA DA LITERATURA

Redução do poder político total da religião
ao derrotar as forças da Teocracia oriental.
Na Grécia a arte coordenou a política militar num período histórico crítico. Nessa época foi eliminado pela primeira vez no mundo o total poder político e mental da casta hereditária e secreta dos sacerdotes das teocracias. Para sempre.
Foi politeísmo militar contra politeísmo sacerdotal.
A arte gera emoções, cria visões de progresso, visões do futuro.
A arte tem, desse modo, certo poder de antever o progresso, de criar novos ideais. É um poder profético natural, criado por humanos. Mas não é a profecia sobrenatural mágica, dos antigos.
Na quarta semana do mês de Homero estão os poetas de Roma, tanto os épicos como os líricos. Ela compreende um período de seis séculos e meio pelo menos, mas como a visão profética de uma era de paz que inspira os poemas de Virgílio, sua influência continuando através da idade média até que seria formulada de novo por Dante.
A semana termina no domingo tendo como chefe Virgílio. Ver o Quadro 0129 do Mês de Homero postado neste blog em janeiro.


VIRGÍLIO, o maior poeta latino nasceu em Andes, próximo a Mântua, na Itália, durante o governo do primeiro consulado de Pompeu e Crassus, no ano 70 antes da nossa era. Seu pai, um rico fazendeiro, lhe deu a melhor educação da época.
Com saúde delicada e de temperamento nervoso, o jovem recuou diante das lutas nas guerras e nos tribunais e se dedicou desde sua juventude a uma vida retirada e de meditação, sonhando em fazer um grande poema sobre os primeiros tempos da história romana, ocupando os intervalos com poemas menores sobre a vida no campo.
Virgílio viveu pouco tempo em Roma e se retirou para Nápoles, numa casa de campo onde passou o resto de sua vida. O imperador Augusto foi seu protetor e amigo. Durante uma viagem na Grécia, com o imperador, ele teve uma febre e morreu no mar, no ano 19, perto de Brindes, não tendo ainda 51 anos completos. Ele foi enterrado em Pausilipe, perto de Nápoles. Um mausoléu foi erguido em sua honra, tendo sido um lugar de peregrinação e de respeito.
Nenhuma vida inteira foi consagrada mais completamente à elaboração de um grande projeto. Nenhuma outra vida apresentou uma concentração ininterrupta de esforços na direção de um objetivo poético, a não a vida de Virgílio. Ele era alto, moreno e com um jeito rústico, modesto, tímido mesmo, de gosto solitário e um pouco arrogante. Era quase sempre doente e fraco e nunca se casou.
Sua vida e sua obra foram puras e delicadas, cheias de uma melancolia profundamente religiosa. Viveu longe de todos os conflitos, de todas as distrações, tanto públicas como particulares. Um amigo íntimo descreveu o poeta com as palavras: inocência, fé, piedade, o que quer dizer simplicidade, honra, consciência.
Virgílio tinha 22 anos quando Júlio César ganhou o lugar de imperador e tinha 39 anos quando Augusto, seu amigo, foi feito imperador de Roma, não hereditário. O poeta, simpático às novas esperanças de uma era de paz e de ordem, viu no governo unitário do Império uma época de prosperidade e de estabilidade. A sua carreira de poeta foi inspirada pela missão de idealizar esse futuro de desenvolvimento pacífico, tendo Roma como mestra e diretriz do mundo. Suas poesias Bucólicas e suas Geórgicas são os poemas da paz e da indústria rural. Virgílio concentrou sua vida na produção da Eneida.
Com inspiração na Ilíada de Homero, ele exaltou no poema as origens e o espírito do povo romano, numa das maiores obras da literatura mundial. Escrita em latim, a Eneida conta a lenda do herói Enéias, sobrevivente da destruição de Tróia e primeiro ancestral do povo romano nos 12 cantos ou livros de que se compõe. Os antigos romanos acreditavam ser descendentes dos troianos. Enéias é rei e também guerreiro valente, mas prudente e sábio.
A idéia central do poema de Virgílio é a reconciliação. O objetivo do herói é estabelecimento de um novo império universal, os homens e os deuses criando uma idéia de paz, o que faz da Eneida uma obra de valor permanente. O Império Romano é ali idealizado como a extensão do saber, da cultura e dos costumes do povo romano. O ideal da expansão da cultura européia de Roma e do cristianismo foi a razão que levou Dante Alighieri a escolher Virgílio como seu guia no poema da Divina Comédia. A Eneida inspirou Dante e também Luís de Camões em Os Lusíadas.
Virgílio se mostrou um mestre consumado da língua latina, na sua habilidade poética majestosa nos versos, no sistema e na perfeição de sua forma. Demonstra sua imensa erudição e seu espírito filosófico, com seus apelos profundamente sensatos e morais ao dever e ao heroísmo, com sua maneira de representar a vida e a morte.
Nota-se o refinamento da descrição do chefe magnânimo, da ternura e da paixão intensas de suas heroínas e de seu estilo, que faz dele o mais conhecido e apreciado poeta dos antigos em razão da forma escultural que deu a suas nobres concepções. Em virtude de sua situação histórica completamente única, tornou-se um dos maiores poetas do mundo.


AMANHÃ: Aristóteles, a Filosofia Antiga. Anaximandro.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

0224 LUCANO

24 DE FEVEREIRO. Lucano: A imaginação e a paixão na poesia sem os deuses.

LUCANO
Lucan, Marcus Annaeus Lucanus em latim
(nasceu no ano 39 da nossa era, em Córdoba, Espanha; morreu no ano 65, em Roma)
POETA ROMANO AUTOR DO ÉPICO A FARSÁLIA, UMA GUERRA SEM A INTERVENÇÃO DOS DEUSES

Redução do poder político total da religião
ao derrotar as forças da Teocracia oriental.
Na Grécia a arte coordenou a política militar num período histórico crítico. Nessa época foi eliminado pela primeira vez no mundo o total poder político e mental da casta hereditária e secreta dos sacerdotes das teocracias. Para sempre.
Foi politeísmo militar contra politeísmo sacerdotal.
A arte gera emoções, cria visões de progresso, visões do futuro.
A arte tem, desse modo, certo poder de antever o progresso, de criar novos ideais. É um poder profético natural, criado por humanos. Mas não é a profecia sobrenatural mágica, dos antigos.
Na quarta semana do mês de Homero estão os poetas de Roma, tanto os épicos como os líricos. Ela compreende um período de seis séculos e meio pelo menos, mas como a visão profética de uma era de paz que inspira os poemas de Virgílio, sua influência continuando através da idade média até que seria formulada de novo por Dante.
A semana termina no domingo tendo como chefe Virgílio. Ver o Quadro 0129 do Mês de Homero postado em janeiro.


LUCANO era neto de Sêneca, tendo nascido em Córdoba, na Espanha. Ele foi apresentado ao Imperador Nero que já havia ouvido falar dele como um jovem declamador famoso.
A vida de Lucano foi moldada por duas forças, o luxo da corte imperial e a sinceridade estóica de própria formação. A desilusão chegou quando Nero retirou sua amizade e proteção por estar com ciúmes de seu prestígio como orador.
Foi então que Lucano escreveu o poema Bellum Civile conhecido como Farsália, em dez livros. É uma poesia épica da guerra civil entre os generais romanos Caio Júlio César e Pompeu o Grande. No poema ele combinou ataques violentos contra Nero e contra o Império Romano com os elogios aos combatentes, usuais nessa época.
Lucano participou em seguida na conspiração de Pison (Gaius Calpurnius), para assassinar Nero. Quando a conspiração foi descoberta, ele foi obrigado a se suicidar abrindo suas próprias veias. O seu grande poema é uma epopéia histórica em hexâmetros que descrevem o fim do regime da república romana. Hexâmetros são versos com seis pés. Cada palavra de uma sílaba tônica combinada com uma sílaba átona se chama de em versificação.
Na poesia de Lucano as condições exteriores parecem apagadas pelas circunstâncias pessoais. No entanto, a reação de seu pensamento sobre o meio exterior não podia destruir os efeitos profundos da unidade do poder do Imperador e de uma corte imperial mergulhada no luxo e no orgulho nacional.
O seu modelo foi Virgílio quanto à forma do verso, mas a poesia de Lucano está enriquecida pelo estudo do tema e ainda mais pela prosa que vem da arte oratória.
A epopéia de um herói vencido como Pompeu e de uma causa perdida é um corretivo salutar ao orgulho e à ingratidão de uma época de poder político absoluto, unitário. Mas quando Lucano rememora a glória de Pompeu e da República aristocrática de Roma, sua apreciação perde o seu valor porque não existe aí a percepção do progresso da sociedade representado pelo regime imperial.
Para Lucano o Império era uma deformação da história e o futuro, com suas promessas de uma vida nova entrevista por Virgílio um século antes, só oferecia um futuro tenebroso e sem esperança. Seu pessimismo social tinha como ponto de apoio a lógica do ceticismo corrente que ele pregava com uma veemência que não se vê na poesia de Lucrécio e nem em todos os outros poetas da antiguidade.
No entanto, sua imaginação estava tão viva e tão penetrante que ela dá o sentimento da realidade. Durante o tempo em que sua vida se esvaía no sangue de suas veias abertas, ele declamava aos amigos que o rodeavam, a passagem de seu poema descrevendo a morte de um soldado ferido. Ele escreveu sua poesia com o mesmo pensamento, tomando como tema um grande caráter e um evento explosivo, encontrando os efeitos sofridos num quadro corajoso e colorido.
A influência de Lucano sobre a produção literária posterior consiste principalmente na sua brilhante frase e no seu notável estilo. A produção poética de Lucano influenciou fortemente a Pierre Corneille e a outros escritores dos anos 1600 em diante na Europa.
O seu poema Farsália tem sua leitura recomendada até os nossos dias.
A necessidade da proteção dos pobres e dos fracos pelos poderosos na política moderna fica em comparação com o pensamento político da antiguidade, que Lucano denuncia na Farsália no livro 5, verso 343:
   Humanum paucis vivit genus     
   “O gênero humano vive para um pequeno número de homens”.
O desafio de evitar a miséria e a doença dos mais fracos é obrigatório no programa da política científica moderna na nova civilização industrial e pacífica preparada pela Idade Média. A civilização industrial só pode existir com a paz e com a liberdade
LUCANO colocou na voz de Júlio César o lema que tem imenso valor tanto para o trabalho teórico como para o trabalho prático, no seu poema Farsália, livro 2, verso 658:
   Nil actum reputans si quid superesset agendum
   Reputar que nada foi feito se algo resta a fazer.     


AMANHÃ: Virgílio o maior poeta latino.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

0223 OVÍDIO

23 DE FEVEREIRO: Ovídio poeta romano fecundo e sutil.

OVÍDIO
Ovid, Publius Ovidius Naso
(nasceu no ano 43 antes da nossa era, em Sulmona, Itália; morreu no ano 17 da nossa era em Constanta, Romênia)
POETA ROMANO DE SUPREMA EXECUÇÃO NA ARTE POÉTICA DO VERSO E DA RIMA

Redução do poder político total da religião
ao derrotar as forças da Teocracia oriental.
Na Grécia a arte coordenou a política militar num período histórico crítico. Nessa época foi eliminado pela primeira vez no mundo o total poder político e mental da casta hereditária e secreta dos sacerdotes das teocracias. Para sempre.
Foi politeísmo militar contra politeísmo sacerdotal.
A arte gera emoções, cria visões de progresso, visões do futuro.
A arte tem, desse modo, certo poder de antever o progresso, de criar novos ideais. É um poder profético natural, criado por humanos. Mas não é a profecia sobrenatural mágica, dos antigos.
Na quarta semana do mês de Homero estão os poetas de Roma, tanto os épicos como os líricos. Ela compreende um período de seis séculos e meio pelo menos, mas como a visão profética de uma era de paz que inspira os poemas de Virgílio, sua influência continuando através da idade média até que seria formulada de novo por Dante.
A semana termina no domingo tendo como chefe Virgílio. Ver o Quadro 0129 do Mês de Homero postado em janeiro.


OVÍDIO nasceu em Sulmona na Itália central. Ele levou em Roma uma vida de intensa produção literária até que perto de ter seus 52 anos uma ordem do Imperador Augusto o exilou para Tomi, em Constanta, na Romênia, no Mar Negro, onde morreu depois de oito anos de tristeza solitária.
A imoralidade de muitos de seus escritos e a suspeita de uma intriga envolvendo o adultério da jovem Júlia, a neta do Imperador, teriam sido a causa de seu exílio. O Imperador fez da punição dada a Ovídio um exemplo público de que Augusto exercia o controle da moralidade em Roma. A jovem Júlia também foi exilada.
Ovídio, o mais fecundo dos poetas latinos nos deixou três longas séries de poemas de amor, um poema sobre As Razões e As Estações das cerimônias romanas, duas séries de lamentações a respeito de seu exílio, sob a forma de elegias e um romance poético em hexâmetros mais longo do que qualquer de seus poemas.
O pequeno número de anos que separam Ovídio de Tíbulo marca um progresso evidente nas condições políticas e sociais do Império Romano. O regime estava então firmemente estabelecido: não se ouvia nenhum murmúrio, nenhuma reclamação. A poesia de Ovídio é um reflexo dessa tranqüilidade social.
Dedicado ao gênero da elegia, foi necessário que fizesse certo sacrifício do tema em favor da forma da poesia; mas elevando a forma dos versos à mais alta perfeição de que ela era suscetível, Ovídio se mostrou incontestavelmente um dos mais habilidosos mestres da linguagem que até hoje o mundo já conheceu.
Ele empregou a mesma capacidade no desenvolvimento de suas idéias. Sua poesia, a não ser quando aborrecido, nunca saiu de um impulso; é um produto preciso, correto, que saia de seu pensamento. Nenhum grande interesse público ou particular influenciou suas afeições nem seu talento ou reduziu seu entusiasmo sempre muito pessoal, sem ser, no entanto, desprovido de generosidade.
Algumas de suas obras são de amor verdadeiro. Outras são imorais devido a sua destinação satírica e estão quase esquecidas. O aspecto particular de seu pensamento encontrou uma aplicação na reconstituição dos detalhes das coisas antigas em Os Fastos, As Datas.  Um uso mais completo e mais elevado dos fatos antigos estão em As Metamorfoses. É nesse livro de Ovídio e no livro de Luciano que foi preparada a Novela moderna de que nós desconhecemos, talvez, o seu valor.
As freqüentes citações que foram feitas de sua obra em combinação com a graça contagiante de seus versos asseguraram a Ovídio na Idade Média e na modernidade um círculo de leitores e de admiradores mais amplo do que a outro qualquer poeta da antiguidade.


AMANHÃ: A imaginação e a paixão de Lucano na poesia sem deuses.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

0222 TÍBULO

22 DE FEVEREIRO. Tíbulo: A poesia romântica no declínio da religião dos deuses de Roma.

TÍBULO
Tibullus  Albius Tibullus
(nasceu no ano 54 antes da nossa era; morreu no ano 18 antes da nossa era)
FAMOSO E ORIGINAL POETA LATINO DE BELAS E ORIGINAIS ELEGIAS ROMÂNTICAS

Redução do poder político total da religião
ao derrotar as forças da Teocracia oriental.
Na Grécia a arte coordenou a política militar num período histórico crítico. Nessa época foi eliminado pela primeira vez no mundo o total poder político e mental da casta hereditária e secreta dos sacerdotes das teocracias. Para sempre.
Foi politeísmo militar contra politeísmo sacerdotal.
A arte gera emoções, cria visões de progresso, visões do futuro.
A arte tem, desse modo, certo poder de antever o progresso, de criar novos ideais. É um poder profético natural, criado por humanos. Mas não é a profecia sobrenatural mágica, dos antigos.
Na quarta semana do mês de Homero estão os poetas de Roma, tanto os épicos como os líricos. Ela compreende um período de seis séculos e meio pelo menos, mas como a visão profética de uma era de paz que inspira os poemas de Virgílio, sua influência continuando através da idade média até que seria formulada de novo por Dante.
A semana termina no domingo tendo como chefe Virgílio. Ver o Quadro 0129 do Mês de Homero postado em janeiro.


TÍBULO nasceu de uma família da classe dos cavalarianos. Ele, ao contrário de Horácio, foi sempre fiel ao gosto da vida nos campos e das lendas rurais. Tíbulo encontrou seu protetor em Marcus Valerius Messalla, um homem do governo, soldado e literato que ele acompanhou em algumas de suas expedições militares. Tornou-se um notável membro do grupo literário formado por Messalla.
Mas Tíbulo passou a maior parte de sua vida num retiro agradável e refinado. Quatro livros de Elegias e outros poemas são tidos como originais, mas só são autênticos os dois primeiros livros.
Sua vida, que abraça o mesmo período que a vida de Horácio, passou-se nas mesmas condições políticas e sociais. Mas, por seu nascimento, ele não teve o enérgico estimulante que o levasse a escrever. Seu caráter o levou, aliás, a um gênero de poesia bem diferente, a elegia.
A elegia é a composição poética que descreve a melancolia, a tristeza, o luto. Na poesia clássica a elegia é composta em grupos de duas linhas, a primeira sendo um hexâmetro (com seis pés) e a segunda linha um pentâmetro (com cinco pés). O pé na versificação é a constituição de suas sílabas, tendo uma tônica ligada a uma átona.
Em relação à forma de sua poesia, Tíbulo é o mais original dos poetas romanos dedicados à elegia. Properce, Catulo e em geral todos os outros autores de elegias imitavam ou traduziam Callimaque, Philetas e os outros poetas gregos de Alexandria. Tíbulo usou sua métrica poética nas fontes do grego antigo e o tornou romano. Seus versos não têm energia em exagero, mostrando uma doçura infinita, que lhe é própria. Ovídio não chega até a perfeição se não seguir os traços de Tíbulo, mesmo que em suas Elegias a forma poética de Ovídio se coloque acima de todas as outras. Essa é uma maneira adequada para exprimir com graça os pensamentos substanciais nessa língua latina em seu modo tão claro e tão cuidadosamente ponderado.
Tíbulo foi o único poeta de seu tempo que se manteve afastado do governo do Império Romano, mas isso foi mais por apatia do que por convicção. Sua posição, junto com seu talento, lhe deu bastante independência para considerar com uma calma melancólica, a passagem da liberdade da república de Roma para a unidade do regime do Império Romano.
A poesia de Tíbulo não cantou o Império Romano, mas cantou seus amores, os seus lares e seu protetor Marcus Messala. Ao contrário do que fez Horácio, Tíbulo canta sua amada Delie como uma Delie viva; mas diferente também de seus co-irmãos de elegias, ele a serviu com um orgulho inquieto permanente e não como os outros, que tinham uma dedicação apaixonada, mas efêmera.
A sua devoção rural se combinou com seu amor da natureza. Ele não mais tinha alguma crença. Ele não explorou os detalhes da mitologia da religião para valorizar suas composições com a erudição, como faziam os poetas de Alexandria e seus imitadores. As superstições de Tíbulo eram uma parte da própria natureza que ele associava com o mesmo sentimento de ternura e de arte. Ele morreu ainda jovem, aos 36 anos de idade. Mereceu a homenagem fúnebre de Ovídio em Amores, III, 9.
Com essa posição, ele fortificou a tendência da literatura da época com uma guinada no modo de pensar, fazendo admitir o declínio da religião do politeísmo ao submetê-la a um tratamento poético. Ele honrava seu protetor Messala com uma estima mais real do que tiveram Mecenas e os últimos protetores da cultura. Mas ele foi sobretudo um amante da poesia. Em resumo, pode-se dizer que ele foi o poeta da cultura e do lazer.
Além de sua alta posição na história da poesia elegíaca latina, ele foi particularmente apreciado pela literatura posterior por causa do fim prematuro de sua vida e de seu original talento. Ele é celebrado numa das mais suaves elegias de Ovídio.


AMANHÃ: Ovídio fecundo e sutil poeta romano.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

0221 HORÁCIO

21 DE FEVEREIRO. Horácio: A excelência da lírica e da sátira.

HORÁCIO
Horace
Quintus Horatius Flaccus
(nasceu no ano 65 antes da nossa era, em Venúsia, Itália; morreu no ano 8 antes da nossa era, em Roma)
POETA LÍRICO E SATÍRICO NA LITERATURA DA ERA DE OURO DE ROMA

Redução do poder político total da religião
ao derrotar as forças da Teocracia oriental.
Na Grécia a arte coordenou a política militar num período histórico crítico. Nessa época foi eliminado pela primeira vez no mundo o total poder político e mental da casta hereditária e secreta dos sacerdotes das teocracias. Para sempre.
Foi politeísmo militar contra politeísmo sacerdotal.
A arte gera emoções, cria visões de progresso, visões do futuro.
A arte tem, desse modo, certo poder de antever o progresso, de criar novos ideais. É um poder profético natural, criado por humanos. Mas não é a profecia sobrenatural mágica, dos antigos.
Na quarta semana do mês de Homero estão os poetas de Roma, tanto os épicos como os líricos. Ela compreende um período de seis séculos e meio pelo menos, mas como a visão profética de uma era de paz que inspira os poemas de Virgílio, sua influência continuando através da idade média até que seria formulada de novo por Dante.
A semana termina no domingo tendo como chefe Virgílio. Ver o Quadro 0129 do Mês de Homero postado em janeiro.


HORÁCIO era filho de um simples escravo libertado de Veneza que se tornou um leiloeiro assistente, dono de pequena propriedade. Horácio recebeu a melhor educação da época em Roma e em Atenas. Ele uniu à religiosidade e o gosto de um homem do campo à cultura de um homem da cidade. Do ano 44 até o ano 42 antes de nossa era ele serviu nos últimos tempos da república como tribuno dos soldados nos exércitos de Brutus e de Cássius e depois da derrota deles na batalha de Philippi ele retornou a Roma, onde se dedicou a escrever o gênero poético satírico.
Pouco a pouco, dominado pelos fatos, ele aceitou a formação do Império Romano como uma realidade inevitável. Ele comprou um cargo de secretário do tesouro e obteve boas relações e fama ao escrever suas Sátiras. Depois de algum tempo, ele foi colocado no caminho da fortuna e da celebridade por Virgílio e por Varius que o fizeram entrar na intimidade de Mecenas.
Na tranqüila e confortável casa de campo que Mecenas lhe deu, nas colinas Sabina, próximas a Roma, seu gênio maduro produziu as Odes e as Epístolas. Os temas freqüentes eram o amor, a amizade, a filosofia e a arte poética. Mais tarde ele foi reconhecido e honrado com a amizade do próprio imperador Augusto.
Outras obras suas são Sátiras e Epístolas satíricas em versos hexâmetros e Poesias Líricas seguindo o estilo de vários mestres da poesia grega. Os hexâmetros são versos que têm seis sílabas tônicas, cada acompanhada por uma sílaba átona. Chama-se na métrica poética cada par de sílabas, sendo uma acentuada ou tônica e outra não acentuada ou átona. Portanto, os versos hexâmetros têm seis pés.
As sátiras mostravam a rejeição por Horácio dos conflitos na vida pública, recomendando a sabedoria obtida pela serenidade. Os ataques e zombarias do poeta visavam os abusos em tese, não as pessoas. A forma do texto revela o desgosto pela derrota na batalha de Philippi, com o fim da república romana e o começo do Império. O Império Romano que se mostrou um governo que não teria a sucessão hereditária, todos os imperadores sendo escolhidos e não herdeiros do poder, como numa monarquia.
No gênero lírico, onde a forma é a qualidade principal, Horácio atingiu uma perfeição tal, que, do mesmo modo que no hexâmetro de Virgílio, todo aperfeiçoamento tentado depois só podia ser uma decadência.
As formas da poesia grega, despidas de sua ligeireza e de sua flexibilidade, reaparecem com a dignidade e a sonoridade profunda do latim. A métrica poética na sátira fica subordinada. O hexâmetro de Horácio é grande e rústico: ele sacrifica a dignidade e a fecundidade para ter mais facilidade e vivacidade.
Comparando Ênio e Lucrécio à poesia de Horácio não se pode deixar de notar a ausência do ponto de vista da pátria romana que é preponderante nos outros dois. Ele submeteu sua fé na república romana tomando uma aparência de entusiasmo pelo Império que triunfara. É o que explica a ausência de civismo romano em seus versos, embora tenha feito abrir as portas do Panteon a todos os cultos religiosos e a todas as filosofias do mundo.
Horácio se apoiou na sábia tolerância do ecletismo que era a base do governo nas terras conquistadas pelo Império Romano. Mas essa falta de cor nacional tornou-o um poeta polido, eqüidistante, adequado a todos os tempos. Ele tomou de cada crença os preceitos capazes de dirigir o homem culto, que deveria então assistir e aceitar sem entusiasmo a qualquer tipo de movimento político e social que se produzisse. Esse era um código de egoísmo inofensivo, doce e superficial.
Horácio como poeta lírico teve uma excelência que só ele possuía. Assim ele encontrou um grande número de imitadores. Mais numerosos imitadores modernos do que imitadores romanos.


AMANHÃ: A originalidade das elegias de Tíbulo.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

0220 LUCRÉCIO

20 DE FEVEREIRO. Lucrécio: A poesia filosófica do ateísmo em Roma.

LUCRÉCIO
Lucretius Titus Lucretius Carus
(nasceu no ano 99 antes da nossa era; morreu no ano 55 antes da nossa era)
NOTÁVEL POETA E FILÓSOFO ROMANO DO ATEÍSMO NA “NATUREZA DAS COISAS”

Redução do poder político total da religião
ao derrotar as forças da Teocracia oriental.
Na Grécia a arte coordenou a política militar num período histórico crítico. Nessa época foi eliminado pela primeira vez no mundo o total poder político e mental da casta hereditária e secreta dos sacerdotes das teocracias. Para sempre.
Foi politeísmo militar contra politeísmo sacerdotal.
A arte gera emoções, cria visões de progresso, visões do futuro.
A arte tem, desse modo, certo poder de antever o progresso, de criar novos ideais. É um poder profético natural, criado por humanos. Mas não é a profecia sobrenatural mágica, dos antigos.
Na quarta semana do mês de Homero estão os poetas de Roma, tanto os épicos como os líricos. Ela compreende um período de seis séculos e meio pelo menos, mas como a visão profética de uma era de paz que inspira os poemas de Virgílio, sua influência continuando através da idade média até que seria formulada de novo por Dante.
A semana termina no domingo tendo como chefe Virgílio. Ver o Quadro 0129 do Mês de Homero.


LUCRÉCIO fez surgir um novo mundo intelectual em Roma. Depois da morte de Ênio em 169 antes da nossa era até o nascimento de Lucrécio houve um silêncio na arte poética, nenhum grande nome sendo notado na arte.
Sabe-se por seu poema que Lucrécio foi um verdadeiro amigo de Gaius Memmius, governador da província romana de Bitínia no ano 57. No poema ele diz que viveu em retiro da vida social.
Em torno de Lucrécio se desenrolou uma revolução do saber e da política no ocidente da Europa: a cultura grega teve sua obra intelectual completada e o mundo se preparava para o Império Romano. Os melhores pensadores não estavam mais presos às antigas crenças a não ser pela aparência dos ornamentos literários e artísticos que os enfeitavam. O verdadeiro poder político era a recompensa dos atos de guerra, já que os laços sociais de classe não existiam mais e estava enfraquecido o governo das opiniões pelo Estado, agora confiado a uma literatura indigesta que só tinha o mérito de reconhecer sua própria falta de originalidade.
A única obra de Lucrécio é um poema filosófico longo, em versos hexâmetros, que são versos com seis grupos de sílabas chamados PÉS. A sílaba acentuada ou tônica acompanhada de outra átona ou não acentuada é chamada o “pé” na métrica poética. Pelo desenvolvimento da sua forma, a poesia de Lucrécio fica entre o estilo de Ênio e o de Virgílio.
Ele é conhecido por seu único poema, o longo De rerum natura, Sobre a Natureza das Coisas, feito em seis livros. Essa obra é a explicação da teoria física dos filósofos gregos Demócrito e Epicuro, com sua moral e pensamento doutrinário. Esse poema é a principal fonte do conhecimento que hoje temos do pensamento de Epicuro.
Colocado na relação dos antigos filósofos da Grécia antiga pela apresentação do seu sistema de pensamento, Lucrécio se mostra bem superior pela beleza de suas explicações, o que lhe assegura a fama de poeta pela mesma razão que os vôos líricos de Aristófanes ficaram famosos. No exame da obra devemos distinguir de um lado o filósofo e do outro lado o poeta.
Como filósofo, Lucrécio do mesmo modo que Demócrito e Epicuro, que são a sua fonte, é brilhante, mas prematuro. No desejo de dogmatizar ou doutrinar por meio de dados insuficientes e de acordo com analogias falsas, ele coloca o universo construído ao azar pela mistura de átomos e do vácuo. Ele suprime, como os materialistas modernos, o elemento subjetivo humano sobre o qual a síntese monoteísta ainda não se apoiava. Em moral ele enriqueceu as fórmulas pobres de Epicuro dando-lhes uma espécie do entusiasmo nacional romano de Ênio.
Como poeta, Lucrécio tem menos paixão cívica do que Ênio, mas ele vai mais à frente no estudo da natureza e no estudo do comportamento romano, da energia romana e da lei de Roma. Ele ama a natureza com uma devoção mais sincera do que outro poeta latino, se bem que seja grande a sua confiança nas teorias mecânicas que apresenta.
A filosofia ateísta de Lucrécio não criou uma escola de seguidores, mas tornando muito mais profundo o afastamento do povo para fora das crenças correntes da época, abriu o caminho para a nova religião que viria do monoteísmo cristão de Paulo de Tarso, São Paulo Apóstolo.
Mas em nossos dias é expressiva e crescente a população não religiosa. E continua sendo verdade que cada religião tem no mundo mais adversários do que adeptos.
Lucrécio é um poeta quase homérico pela força e pela vivacidade de sua linguagem. Pelo sentimento de simpatia humana que o leva a procurar a verdade e a atacar a superstição atinge o ponto ideal que deve inspirar o gênio do poeta.


AMANHÃ: A excelência da lírica de Horácio.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

0219 ÊNIO

19 DE FEVEREIRO: Ênio o poeta da potência civilizadora de Roma.

ÊNIO
Quintus Ennius
(nasceu em 239 antes da nossa era, em Rudia, Calábria, sul da Itália; morreu no ano 169)
FAMOSO POETA FUNDADOR DA LITERATURA DE ROMA

Redução do poder político total da religião
ao derrotar as forças da Teocracia oriental.
Na Grécia a arte coordenou a política militar num período histórico crítico. Nessa época foi eliminado pela primeira vez no mundo o total poder político e mental da casta hereditária e secreta dos sacerdotes das teocracias. Para sempre.
Foi politeísmo militar contra politeísmo sacerdotal.
A arte gera emoções, cria visões de progresso, visões do futuro.
A arte tem, desse modo, certo poder de antever o progresso, de criar novos ideais. É um poder profético natural, criado por humanos. Mas não é a profecia sobrenatural mágica, dos antigos.
Na quarta semana do mês de Homero estão os poetas de Roma, tanto os épicos como os líricos. Ela compreende um período de seis séculos e meio pelo menos, mas como a visão profética de uma era de paz que inspira os poemas de Virgílio, sua influência continuando através da idade média até que seria formulada de novo por Dante.
A semana termina no domingo tendo como chefe Virgílio. Ver o Quadro 0129 do Mês de Homero.


ÊNIO é o poeta da origem da poesia de Roma, que foi importada da Grécia. Essa poesia só se desenvolveu em Roma quando, mais tarde, se estabeleceu o Império. Ênio é que trouxe a arte poética dos gregos quando Roma ainda era república.
Ele teve como língua materna o oscan de sua terra natal em Rudia, na Calábria, sul da Itália. Era conhecedor da língua grega, na qual foi educado em Tarento e que ensinou por muito tempo. Foi conhecer o latim da língua falada no exército romano, ao servir na segunda guerra de Roma contra Cartago. Por conhecer os três idiomas, dizia “ter três corações”.
Ênio tornou-se cidadão romano no ano 184 antes da nossa era, o que lhe permitiu fundar a poesia complexa do politeísmo militar e social de Roma, por meio de sua formação cultural em três línguas. Por um feliz acontecimento, ele foi levado para Roma no ano 204 por um grande tipo do nacionalismo aristocrático, Catão o Velho, então um centurião do exército romano no sul da Itália.
Dos versos escritos por Ênio temos hoje apenas 600 versos mutilados dos ANAIS. De sua obra foram conservadas 19 peças de teatro, em todos os gêneros de poesia. As comédias foram feitas a partir de Menandro, as tragédias de acordo com as de Eurípides, sendo que todas tiveram coroamento na velhice do poeta com a epopéia da história de Roma desde os tempos mais recuados até o fim da primeira guerra contra Cartago, da primeira guerra púnica. Sobre essa obra é que seus contemporâneos e a posteridade firmaram sua reputação de grande poeta.
Por desejo de seu protetor Cipião o Africano, seus restos mortais foram depositados no túmulo da família Cipião e seu busto teve lugar ao meio das efígies dessa grande família. As obras poéticas de Ênio estavam ainda inteiras no século terceiro de nossa era.
Ênio viveu na época em que eram colhidos os frutos do desenvolvimento romano e reunidos com o início de uma nova cultura. Ele adotou na versificação o hexâmetro grego como Homero usou e a métrica iâmbica. O hexâmetro é a métrica poética que tem seis pés. Chama-se o grupo formado por uma sílaba acentuada acompanhada de uma sílaba átona. No verso iâmbico a sílaba não acentuada vem antes da sílaba acentuada.
Pela forma de sua poesia e também pelo seu conteúdo, Ênio foi o primeiro a mostrar qual seria o destino da civilização romana: o seu engrandecimento de Roma pelo domínio das tribos da Europa então em permanente guerra, estabelecendo uma paz permanente, universal. O Império Romano criou uma civilização uniforme e de paz na Europa do ocidente. Os povos do Império, depois da importante evolução cultural da Idade Média, formou a mais adiantada civilização do mundo. Que hoje é levada a todos os países pela globalização.
O herói da poesia de Ênio é o povo romano. Os diversos episódios, tanto os relatos da lenda como eventos históricos, são ligados pela mesma visão universal de um grande império e extensa cultura. Da mesma forma como Homero, Ênio viveu num país jovem e forte, mas a diferença é que ele canta em seus versos o futuro de Roma, não o seu passado. Seu entusiasmo pelo futuro se apóia na pesquisa aprofundada das coisas antigas.
A força da poesia de Ênio está na crença do progresso da sociedade romana, recuperando a mente do poeta dos fetiches antigos, dos sonhos de Pitágoras e das antigas crenças da tribo. Pode-se considerá-lo como um verdadeiro precursor do grande Virgílio, sendo Ênio o mais importante dos poetas latinos, de direito chamado o fundador da literatura de Roma.


AMANHÃ: A poesia filosófica de Lucrécio.