segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

0222 TÍBULO

22 DE FEVEREIRO. Tíbulo: A poesia romântica no declínio da religião dos deuses de Roma.

TÍBULO
Tibullus  Albius Tibullus
(nasceu no ano 54 antes da nossa era; morreu no ano 18 antes da nossa era)
FAMOSO E ORIGINAL POETA LATINO DE BELAS E ORIGINAIS ELEGIAS ROMÂNTICAS

Redução do poder político total da religião
ao derrotar as forças da Teocracia oriental.
Na Grécia a arte coordenou a política militar num período histórico crítico. Nessa época foi eliminado pela primeira vez no mundo o total poder político e mental da casta hereditária e secreta dos sacerdotes das teocracias. Para sempre.
Foi politeísmo militar contra politeísmo sacerdotal.
A arte gera emoções, cria visões de progresso, visões do futuro.
A arte tem, desse modo, certo poder de antever o progresso, de criar novos ideais. É um poder profético natural, criado por humanos. Mas não é a profecia sobrenatural mágica, dos antigos.
Na quarta semana do mês de Homero estão os poetas de Roma, tanto os épicos como os líricos. Ela compreende um período de seis séculos e meio pelo menos, mas como a visão profética de uma era de paz que inspira os poemas de Virgílio, sua influência continuando através da idade média até que seria formulada de novo por Dante.
A semana termina no domingo tendo como chefe Virgílio. Ver o Quadro 0129 do Mês de Homero postado em janeiro.


TÍBULO nasceu de uma família da classe dos cavalarianos. Ele, ao contrário de Horácio, foi sempre fiel ao gosto da vida nos campos e das lendas rurais. Tíbulo encontrou seu protetor em Marcus Valerius Messalla, um homem do governo, soldado e literato que ele acompanhou em algumas de suas expedições militares. Tornou-se um notável membro do grupo literário formado por Messalla.
Mas Tíbulo passou a maior parte de sua vida num retiro agradável e refinado. Quatro livros de Elegias e outros poemas são tidos como originais, mas só são autênticos os dois primeiros livros.
Sua vida, que abraça o mesmo período que a vida de Horácio, passou-se nas mesmas condições políticas e sociais. Mas, por seu nascimento, ele não teve o enérgico estimulante que o levasse a escrever. Seu caráter o levou, aliás, a um gênero de poesia bem diferente, a elegia.
A elegia é a composição poética que descreve a melancolia, a tristeza, o luto. Na poesia clássica a elegia é composta em grupos de duas linhas, a primeira sendo um hexâmetro (com seis pés) e a segunda linha um pentâmetro (com cinco pés). O pé na versificação é a constituição de suas sílabas, tendo uma tônica ligada a uma átona.
Em relação à forma de sua poesia, Tíbulo é o mais original dos poetas romanos dedicados à elegia. Properce, Catulo e em geral todos os outros autores de elegias imitavam ou traduziam Callimaque, Philetas e os outros poetas gregos de Alexandria. Tíbulo usou sua métrica poética nas fontes do grego antigo e o tornou romano. Seus versos não têm energia em exagero, mostrando uma doçura infinita, que lhe é própria. Ovídio não chega até a perfeição se não seguir os traços de Tíbulo, mesmo que em suas Elegias a forma poética de Ovídio se coloque acima de todas as outras. Essa é uma maneira adequada para exprimir com graça os pensamentos substanciais nessa língua latina em seu modo tão claro e tão cuidadosamente ponderado.
Tíbulo foi o único poeta de seu tempo que se manteve afastado do governo do Império Romano, mas isso foi mais por apatia do que por convicção. Sua posição, junto com seu talento, lhe deu bastante independência para considerar com uma calma melancólica, a passagem da liberdade da república de Roma para a unidade do regime do Império Romano.
A poesia de Tíbulo não cantou o Império Romano, mas cantou seus amores, os seus lares e seu protetor Marcus Messala. Ao contrário do que fez Horácio, Tíbulo canta sua amada Delie como uma Delie viva; mas diferente também de seus co-irmãos de elegias, ele a serviu com um orgulho inquieto permanente e não como os outros, que tinham uma dedicação apaixonada, mas efêmera.
A sua devoção rural se combinou com seu amor da natureza. Ele não mais tinha alguma crença. Ele não explorou os detalhes da mitologia da religião para valorizar suas composições com a erudição, como faziam os poetas de Alexandria e seus imitadores. As superstições de Tíbulo eram uma parte da própria natureza que ele associava com o mesmo sentimento de ternura e de arte. Ele morreu ainda jovem, aos 36 anos de idade. Mereceu a homenagem fúnebre de Ovídio em Amores, III, 9.
Com essa posição, ele fortificou a tendência da literatura da época com uma guinada no modo de pensar, fazendo admitir o declínio da religião do politeísmo ao submetê-la a um tratamento poético. Ele honrava seu protetor Messala com uma estima mais real do que tiveram Mecenas e os últimos protetores da cultura. Mas ele foi sobretudo um amante da poesia. Em resumo, pode-se dizer que ele foi o poeta da cultura e do lazer.
Além de sua alta posição na história da poesia elegíaca latina, ele foi particularmente apreciado pela literatura posterior por causa do fim prematuro de sua vida e de seu original talento. Ele é celebrado numa das mais suaves elegias de Ovídio.


AMANHÃ: Ovídio fecundo e sutil poeta romano.


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