quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

0224 LUCANO

24 DE FEVEREIRO. Lucano: A imaginação e a paixão na poesia sem os deuses.

LUCANO
Lucan, Marcus Annaeus Lucanus em latim
(nasceu no ano 39 da nossa era, em Córdoba, Espanha; morreu no ano 65, em Roma)
POETA ROMANO AUTOR DO ÉPICO A FARSÁLIA, UMA GUERRA SEM A INTERVENÇÃO DOS DEUSES

Redução do poder político total da religião
ao derrotar as forças da Teocracia oriental.
Na Grécia a arte coordenou a política militar num período histórico crítico. Nessa época foi eliminado pela primeira vez no mundo o total poder político e mental da casta hereditária e secreta dos sacerdotes das teocracias. Para sempre.
Foi politeísmo militar contra politeísmo sacerdotal.
A arte gera emoções, cria visões de progresso, visões do futuro.
A arte tem, desse modo, certo poder de antever o progresso, de criar novos ideais. É um poder profético natural, criado por humanos. Mas não é a profecia sobrenatural mágica, dos antigos.
Na quarta semana do mês de Homero estão os poetas de Roma, tanto os épicos como os líricos. Ela compreende um período de seis séculos e meio pelo menos, mas como a visão profética de uma era de paz que inspira os poemas de Virgílio, sua influência continuando através da idade média até que seria formulada de novo por Dante.
A semana termina no domingo tendo como chefe Virgílio. Ver o Quadro 0129 do Mês de Homero postado em janeiro.


LUCANO era neto de Sêneca, tendo nascido em Córdoba, na Espanha. Ele foi apresentado ao Imperador Nero que já havia ouvido falar dele como um jovem declamador famoso.
A vida de Lucano foi moldada por duas forças, o luxo da corte imperial e a sinceridade estóica de própria formação. A desilusão chegou quando Nero retirou sua amizade e proteção por estar com ciúmes de seu prestígio como orador.
Foi então que Lucano escreveu o poema Bellum Civile conhecido como Farsália, em dez livros. É uma poesia épica da guerra civil entre os generais romanos Caio Júlio César e Pompeu o Grande. No poema ele combinou ataques violentos contra Nero e contra o Império Romano com os elogios aos combatentes, usuais nessa época.
Lucano participou em seguida na conspiração de Pison (Gaius Calpurnius), para assassinar Nero. Quando a conspiração foi descoberta, ele foi obrigado a se suicidar abrindo suas próprias veias. O seu grande poema é uma epopéia histórica em hexâmetros que descrevem o fim do regime da república romana. Hexâmetros são versos com seis pés. Cada palavra de uma sílaba tônica combinada com uma sílaba átona se chama de em versificação.
Na poesia de Lucano as condições exteriores parecem apagadas pelas circunstâncias pessoais. No entanto, a reação de seu pensamento sobre o meio exterior não podia destruir os efeitos profundos da unidade do poder do Imperador e de uma corte imperial mergulhada no luxo e no orgulho nacional.
O seu modelo foi Virgílio quanto à forma do verso, mas a poesia de Lucano está enriquecida pelo estudo do tema e ainda mais pela prosa que vem da arte oratória.
A epopéia de um herói vencido como Pompeu e de uma causa perdida é um corretivo salutar ao orgulho e à ingratidão de uma época de poder político absoluto, unitário. Mas quando Lucano rememora a glória de Pompeu e da República aristocrática de Roma, sua apreciação perde o seu valor porque não existe aí a percepção do progresso da sociedade representado pelo regime imperial.
Para Lucano o Império era uma deformação da história e o futuro, com suas promessas de uma vida nova entrevista por Virgílio um século antes, só oferecia um futuro tenebroso e sem esperança. Seu pessimismo social tinha como ponto de apoio a lógica do ceticismo corrente que ele pregava com uma veemência que não se vê na poesia de Lucrécio e nem em todos os outros poetas da antiguidade.
No entanto, sua imaginação estava tão viva e tão penetrante que ela dá o sentimento da realidade. Durante o tempo em que sua vida se esvaía no sangue de suas veias abertas, ele declamava aos amigos que o rodeavam, a passagem de seu poema descrevendo a morte de um soldado ferido. Ele escreveu sua poesia com o mesmo pensamento, tomando como tema um grande caráter e um evento explosivo, encontrando os efeitos sofridos num quadro corajoso e colorido.
A influência de Lucano sobre a produção literária posterior consiste principalmente na sua brilhante frase e no seu notável estilo. A produção poética de Lucano influenciou fortemente a Pierre Corneille e a outros escritores dos anos 1600 em diante na Europa.
O seu poema Farsália tem sua leitura recomendada até os nossos dias.
A necessidade da proteção dos pobres e dos fracos pelos poderosos na política moderna fica em comparação com o pensamento político da antiguidade, que Lucano denuncia na Farsália no livro 5, verso 343:
   Humanum paucis vivit genus     
   “O gênero humano vive para um pequeno número de homens”.
O desafio de evitar a miséria e a doença dos mais fracos é obrigatório no programa da política científica moderna na nova civilização industrial e pacífica preparada pela Idade Média. A civilização industrial só pode existir com a paz e com a liberdade
LUCANO colocou na voz de Júlio César o lema que tem imenso valor tanto para o trabalho teórico como para o trabalho prático, no seu poema Farsália, livro 2, verso 658:
   Nil actum reputans si quid superesset agendum
   Reputar que nada foi feito se algo resta a fazer.     


AMANHÃ: Virgílio o maior poeta latino.


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