domingo, 20 de outubro de 2013

1021 C BACON a observação experimental na sociologia e na psicologia

21 DE OUTUBRO. Bacon: pesquisa científica também na sociedade e nos costumes

FRANCIS BACON
Sir Francis Bacon, Visconde de Saint Alban, Lord Chanceler da Inglaterra
(nasceu em 1561, em Londres; morreu em 1626, em Londres)

FILÓSOFO INGLÊS NOBRE FUNDADOR DA FILOSOFIA MODERNA

O RACIOCÍNIO CIENTÍFICO NA FILOSOFIA MODERNA
A grande revolução do pensamento humano ocorreu com o fim da Idade Média, com a queda do papado, da unanimidade católica e do feudalismo.
O movimento intelectual na Europa do ocidente nos anos 1300, século XIV até os anos 1700, século XVIII, passou a ter duas correntes. Um movimento foi de decomposição e destruição da filosofia monoteísta antiga e o outro movimento foi de composição e preparação da nova filosofia positiva, clara e distinta.
Descartes mostrou que o método de pensar moderno baseia-se numa evidencia verificável, na observação, na experiência. Explicou que não são evidencias aceitáveis a autoridade de líderes e profetas, nem escritos novos ou antigos, por mais veneráveis e respeitáveis que sejam.
Homens como Kepler e Galileu, Descartes e Francis Bacon ao mesmo tempo em que construindo a nova filosofia perturbaram o antigo modo de pensar. A revolta começada por Descartes conduziu finalmente a assaltos ainda mais poderosos , contra as crenças recebidas do que a ação de alterações religiosas feitas pelos reformadores protestantes.
Descartes é o representante mais completo do movimento duplo de composição e decomposição. Começou a grande revolução matemática que permitiu a Newton interpretar o sistema solar. Abriu-se o caminho para a operação destrutiva do século XVIII que afinal levou à Revolução Francesa contra a política antiga de privilégios. Hobbes e Espinosa continuaram o movimento de demolição. A teodicéia de Leibnitz era ainda mais perigosa. Locke renunciou francamente ao conhecimento do absoluto divino. Hume e Diderot demonstraram sua impossibilidade. Kant completou a operação. Eles foram todos tanto construtores como destruidores.
O mês de Descartes da Filosofia Moderna descreve essa importante revolução intelectual, a maior em toda a história da sociedade humana ao estender a razão experimental a todo conhecimento.
A segunda semana representa o desenvolvimento da pesquisa científica dos séculos XVII e XVIII dirigida à natureza individual do homem físico e moral, em grande parte de maneira preparatória e indutiva da Psicologia científica abstrata. Hobbes, Locke, Vauvenargues, Diderot e Cabanis aqui são comemorados. Bacon é o chefe de semana ao colocar a filosofia ao serviço do homem.
Ver em 1008 C  em 08 de outubro o QUADRO DO MÊS DE DESCARTES A FILOSOFIA MODERNA, com os grandes nomes representativos da evolução social do mês

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

FRANCIS BACON (1561-1626) nasceu em Londres, filho de Sir Nicolas Bacon, Lord Guarda do Grande Sinete durante 20 anos no governo da rainha Elisabeth da Inglaterra.
Desde cedo mostrou um espírito vivo e aos 13 anos foi estudar no Colégio Trinity em Cambridge. Mesmo antes de seus 16 anos, já estava profundamente convencido da inutilidade da filosofia aristotélica escolástica então ensinada nas universidades.
Deixando Cambridge, ele estudou jurisprudência e depois viajou pela França, onde fez observações minuciosas da política. Ele relatou suas conclusões na sua obra sobre o Estado da Europa, escrito quando tinha 20 anos de idade.
Em seu retorno para Londres, ele tornou-se advogado em 1582, ganhou grande prática forense e foi nomeado em 1589 conselheiro extraordinário da rainha da Inglaterra. Em 1591 foi eleito membro do Parlamento. Em 1607 foi feito Promotor-Geral, em 1613 Procurador-Geral e em 1617 Lord Guarda do Grande Sinete e no ano seguinte Lord Chanceler.
Durante todo esse tempo, ele continuou o seu grande projeto de juventude: a renovação da filosofia, a ser fundada sobre a ciência moderna. Sua famosa obra-prima, o Novum organum, só seria publicada em 1620. Esse texto tem sua leitura recomendada até hoje.
Na última parte de sua vida, Francis Bacon foi acusado de procedimentos ilegais, perdeu seus títulos, foi condenado a uma grande multa, banido da corte real e até esteve preso na Torre de Londres. Mas ele continuou suas pesquisas científicas pelo resto de sua vida. Por conseqüência de uma explosão acidental em seu laboratório, ele morreu em 1626, em Londres.
Francis Bacon forma com Descartes e com Galileu o grupo de pensadores que fundou a nova filosofia moderna positiva, o sistema de conhecimentos que substituiu a filosofia antiga, elaborada desde a remota antiguidade até a Idade Média.
O início da filosofia moderna foi marcado pelas descobertas astronômicas dos anos 1500, século 16. O momento seguinte foi usado para mostrar que as observações científicas da natureza conduziam a uma regra que permitia a construção de uma nova forma de vida, de progresso, de riqueza. Ao passo que as teorias sobrenaturais eram improdutivas.
O Novum organum começa eliminando quatro fontes de erro que Bacon chama de os Ídolos.
1. OS ÍDOLOS DA RAÇA. São os erros devidos à fraqueza natural da inteligência humana, pelos enganos dos sentidos ou da paixão; a simplificação, a impaciência e a pressa.
2. OS ÍDOLOS DA CAVERNA. São os erros do temperamento particular de cada pessoa, de suas ambições e vaidade.
3. OS ÍDOLOS DA PRAÇA. Os erros do uso da palavra na linguagem.
4. OS ÍDOLOS DO TEATRO. Os erros por preconceitos enganosos.
Descartes aplicou o método científico positivo às ciências naturais, físicas e mesmo à biologia, mas não o aplicou à vida social e moral. Ao contrário, Bacon englobou em seu programa de pesquisa também o estudo da sociedade e dos costumes.
A contribuição de Francis Bacon teve importante repercussão sobre a longa série de pensadores desde Thomas Hobbes até David Hume, pesquisadores que aplicaram o método indutivo da observação experimental ao estudo da sociedade e do comportamento individual.

AMANHÃ: O estabelecimento de normas jurídicas na perda de poder da religião: Hugo Grotius.


1020 C CABANIS as funções psicológicas do ser vivo se fazem por órgãos materiais

20 DE OUTUBRO. Pierre Cabanis: o primeiro na pesquisa das relações físico-morais

CABANIS
Pierre-Jean-Georges Cabanis
(nasceu em 1757, em Cosnac, Brives, França; morreu em 1808 em Meudon, França)

FILÓSOFO E MÉDICO DA DEPENDÊNCIA DA PSICOLOGIA À VIDA ANIMAL

O RACIOCÍNIO CIENTÍFICO NA FILOSOFIA MODERNA
A grande revolução do pensamento humano ocorreu com o fim da Idade Média, com a queda do papado, da unanimidade católica e do feudalismo.
O movimento intelectual na Europa do ocidente nos anos 1300, século XIV até os anos 1700, século XVIII, passou a ter duas correntes. Um movimento foi de decomposição e destruição da filosofia monoteísta antiga e o outro movimento foi de composição e preparação da nova filosofia positiva, clara e distinta.
Descartes mostrou que o método de pensar moderno baseia-se numa evidencia verificável, na observação, na experiência. Explicou que não são evidencias aceitáveis a autoridade de líderes e profetas, nem escritos novos ou antigos, por mais veneráveis e respeitáveis que sejam.
Homens como Kepler e Galileu, Descartes e Francis Bacon ao mesmo tempo em que construindo a nova filosofia perturbaram o antigo modo de pensar. A revolta começada por Descartes conduziu finalmente a assaltos ainda mais poderosos , contra as crenças recebidas do que a ação de alterações religiosas feitas pelos reformadores protestantes.
Descartes é o representante mais completo do movimento duplo de composição e decomposição. Começou a grande revolução matemática que permitiu a Newton interpretar o sistema solar. Abriu-se o caminho para a operação destrutiva do século XVIII que afinal levou à Revolução Francesa contra a política antiga de privilégios. Hobbes e Espinosa continuaram o movimento de demolição. A teodicéia de Leibnitz era ainda mais perigosa. Locke renunciou francamente ao conhecimento do absoluto divino. Hume e Diderot demonstraram sua impossibilidade. Kant completou a operação. Eles foram todos tanto construtores como destruidores.
O mês de Descartes da Filosofia Moderna descreve essa importante revolução intelectual, a maior em toda a história da sociedade humana ao estender a razão experimental a todo conhecimento.
A segunda semana representa o desenvolvimento da pesquisa científica dos séculos XVII e XVIII dirigida à natureza individual do homem físico e moral, em grande parte de maneira preparatória e indutiva da Psicologia científica abstrata. Hobbes, Locke, Vauvenargues, Diderot e Cabanis aqui são comemorados. Bacon é o chefe de semana ao colocar a filosofia ao serviço do homem.
Ver em 1008 C  em 08 de outubro o QUADRO DO MÊS DE DESCARTES A FILOSOFIA MODERNA, com os grandes nomes representativos da evolução social do mês

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

CABANIS (1757-1808) era filho de um grande agricultor de Cosnac, perto de Brives, muito estimado por Turgot. O jovem, que o ensino na sua província não podia satisfazer, foi para Paris aos 14 anos e aos 16 anos já era secretário particular de um nobre polonês.
Cabanis estudou medicina com Dubreuil durante seis anos. Nessa época conheceu a viúva de Claude Helvetius (1715-1771), que ele considerava como sua segunda mãe. Por intermédio dela, teve contato com os grandes pioneiros da Revolução Francesa: Diderot, d’Holbach, d’Alembert, Franklin, Jefferson, Condorcet.
Cabanis fez amizade com Condorcet e mais tarde casou-se com a irmã de sua esposa. Ele foi o médico de Mirabeau e manteve importantes funções políticas durante a Convenção.
Ele morreu em 1808 em Meudon, onde passou a morar no ano anterior. Seus últimos anos foram de atos de bondade para os que precisavam de sua ajuda ou dos seus conhecimentos como um competente médico.
A grande obra de Cabanis, Rapports du physique et du moral de l’homme, foi publicada em 1802. Essa obra-prima tem sua leitura recomendada até nossos dias. Consiste numa série de memórias sobre a correlação entre o moral e o físico do homem. Ele tem o grande mérito de ter, pela primeira vez, abordado o problema da Biologia superior, no estudo das funções psicológicas do ser vivo. O que foi considerado, então, como um materialismo revolucionário.
Cabanis afirma que ensinamentos de valor foram feitos por Hipócrates e Aristóteles e mais tarde por pensadores ingleses desde Bacon até Locke sobre a dependência de nossas idéias em relação aos sentidos. Esses estudiosos, se não eram todos médicos, tinham um conhecimento prático de medicina. Mas Condillac e outros, não tendo esse saber, exageraram as opiniões de Locke e explicaram a ação completa mental e moral do homem apenas pela ação dos sentidos.
Mas essa noção do homem representado como uma estátua dotada somente de sensação, para Cabanis, não estava correta. Uma impressão feita sobre um órgão dos sentidos afeta todo o organismo ou parte considerável dele e a reação que dai resulta é diferente em cada caso.
Cabanis discordou dos preconceitos idealistas da antiguidade. Ele mostrou o engano da tentativa de pesquisar as funções da inteligência e das emoções como se fossem diferentes das operações da vida animal. A sua obra prima fez com que as explicações fantasiosas perdessem prestígio no meio acadêmico.
Ele comprovou que as operações mentais se produziam por meio dos órgãos da vida do corpo humano. O método usado foi mostrar a relação inversa, ao provar que as operações mais simples dependiam das condições mais elevadas.
Cabanis mostrou que as relações na sociedade, por meio das emoções e da mente, podiam ser tratadas como uma simples conseqüência da vida, dos fenômenos da Biologia. Essa era uma afirmação original, que provocou o estudo dos fenômenos mentais e morais, os mais complexos do organismo do homem. O que se deu logo depois, pelos pensadores que se seguiram, como Franz Gall (1758-1828), na pesquisa do funcionamento do cérebro.
Na verdade, a Sociologia, como o estudo do desenvolvimento coletivo da raça humana, é um ramo de prolongamento da Biologia dos humanos, da sua evolução biológica. É o estudo do homem em sua inteira extensão, atingindo a vida da cultura em sua continuada e extraordinária evolução.
O conhecimento proposto foi, mais tarde, completado com base na observação científica, pela pesquisa em abstrato. Diga-se, como condição importante, pela pesquisa em abstrato dos fenômenos de agrupamento social na Sociologia abstrata e do comportamento individual na Psicologia positiva abstrata moderna. Não na Psicologia Antiga do estudo da alma divina, por meio do método medieval da introspecção. A pesquisa abstrata dos fenômenos é mais complexa do que a descrição dos seres na aplicação prática procurando soluções pelo método do erro e acerto.
Em outras palavras, a História da Civilização nada é que o resultado indispensável e o complemento da História Natural do homem, de sua evolução do animal selvagem ao homem civilizado das cidades.

AMANHÃ: A pesquisa científica feita também na sociedade e nos costumes: Francis Bacon.


1019 C DIDEROT a Enciclopédia no registro do conhecimento científico e técnico

19 DE OUTUBRO. Denis Diderot: tenacidade criando a Enciclopédia do iluminismo

DIDEROT
Denis Diderot
(nasceu em 1713, em Langres, Champagne, França; morreu em 1784, em Paris)

GENIAL FILÓSOFO FRANCÊS CRIADOR DA ENCICLOPÉDIA NO ILUMINISMO


O RACIOCÍNIO CIENTÍFICO NA FILOSOFIA MODERNA
A grande revolução do pensamento humano ocorreu com o fim da Idade Média, com a queda do papado, da unanimidade católica e do feudalismo.
O movimento intelectual na Europa do ocidente nos anos 1300, século XIV até os anos 1700, século XVIII, passou a ter duas correntes. Um movimento foi de decomposição e destruição da filosofia monoteísta antiga e o outro movimento foi de composição e preparação da nova filosofia positiva, clara e distinta.
Descartes mostrou que o método de pensar moderno baseia-se numa evidencia verificável, na observação, na experiência. Explicou que não são evidencias aceitáveis a autoridade de líderes e profetas, nem escritos novos ou antigos, por mais veneráveis e respeitáveis que sejam.
Homens como Kepler e Galileu, Descartes e Francis Bacon ao mesmo tempo em que construindo a nova filosofia perturbaram o antigo modo de pensar. A revolta começada por Descartes conduziu finalmente a assaltos ainda mais poderosos , contra as crenças recebidas do que a ação de alterações religiosas feitas pelos reformadores protestantes.
Descartes é o representante mais completo do movimento duplo de composição e decomposição. Começou a grande revolução matemática que permitiu a Newton interpretar o sistema solar. Abriu-se o caminho para a operação destrutiva do século XVIII que afinal levou à Revolução Francesa contra a política antiga de privilégios. Hobbes e Espinosa continuaram o movimento de demolição. A teodicéia de Leibnitz era ainda mais perigosa. Locke renunciou francamente ao conhecimento do absoluto divino. Hume e Diderot demonstraram sua impossibilidade. Kant completou a operação. Eles foram todos tanto construtores como destruidores.
O mês de Descartes da Filosofia Moderna descreve essa importante revolução intelectual, a maior em toda a história da sociedade humana ao estender a razão experimental a todo conhecimento.
A segunda semana representa o desenvolvimento da pesquisa científica dos séculos XVII e XVIII dirigida à natureza individual do homem físico e moral, em grande parte de maneira preparatória e indutiva da Psicologia científica abstrata. Hobbes, Locke, Vauvenargues, Diderot e Cabanis aqui são comemorados. Bacon é o chefe de semana ao colocar a filosofia ao serviço do homem.
Ver em 1008 C  em 08 de outubro o QUADRO DO MÊS DE DESCARTES A FILOSOFIA MODERNA, com os grandes nomes representativos da evolução social do mês

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

DIDEROT (1713-1784) nasceu na Champagne, França, onde seu pai e seus ancestrais estiveram estabelecidos como fabricantes de cutelaria por duzentos anos.
Estudou nas escolas dos jesuítas e depois foi para Paris, onde sua vocação filosófica logo se manifestou. No meio de um mundo letrado e vivendo como podia da literatura, tornou-se o chefe de um grupo de pensadores e de escritores.
Esse grupo, depois chamado de Enciclopedistas, dedicou-se à obra de destruição e de renovação do pensamento com uma tenacidade que não tem igual na história do mundo. Voltaire foi o chefe reconhecido do exército de críticos e de demolidores.
Mas o gênio de Diderot era essencialmente pela construção, pela organização, embora o tempo da elaboração de um sistema doutrinário durável não fosse ainda possível. Com um feliz instinto, ele imaginou o expediente de elaborar uma Enciclopédia, para registro de todo o saber conhecido na época, tanto teórico como prático. Nela os homens de diferentes especialidades e de diversos temperamentos pudessem participar.
A Enciclopédia se destinava a divulgar o conhecimento científico e técnico positivo de todo tipo e assim procurava contornar habilmente a proibição da censura religiosa ainda existente.
Nos primeiros anos, ele teve como associado d’Alembert, que escreveu a Introdução da obra. No grupo de colaboradores estiveram nomes importantes como Montesquieu, Voltaire, Rousseau, Marmontel, Quesnay, d’Holbach, des Brosses, Haller, Turgot e Condorcet.
O primeiro volume foi publicado em 1751. A obra foi proibida por algum tempo depois do segundo volume. A publicação foi continuada em meio da forte condenação dos padres católicos até que em 1759, depois do artigo sobre Genebra de d’Alembert houve uma segunda proibição da impressão da obra. Então d’Alembert abandonou a Enciclopédia, que Diderot dirigiu até sua completa publicação.
Diderot é considerado como o pensador com o saber mais enciclopédico que a filosofia já teve depois do grande Aristóteles. Nesses filósofos todos os departamentos do conhecimento foram estudados. A filosofia para eles era definida como a representação do mundo e do homem, em todos os aspectos.
Recomenda-se até hoje a leitura de quatro das numerosas obras de Diderot: a Carta sobre os cegos, a Carta sobre os surdos-mudos, os Pensamentos sobre a interpretação da natureza e a Teoria do Belo.
O estudo das deficiências dos sentidos foi uma análise brilhante sobre a organização do físico do homem. Na interpretação da natureza ele mostra claramente que o progresso da ciência exigiria a pesquisa direta dos fenômenos do mundo e da vida humana, além da pura dedução de dados algébricos. De fato, sua previsão, dentro de cem anos se confirmou, com a formação da química com Lavoisier, da biologia com Bichat e com a sociologia com Augusto Comte após apenas duas gerações.
A grande escola dos Enciclopedistas reuniu os melhores pensadores, todos livres das crenças sobrenaturais e afastados das ambições políticas, ao mesmo tempo em que respeitavam o poder sem se tornarem servis ao governo. Esse grupo de elite dos anos 1700, século 18, se ligava ao século anterior com Fontenelle e chegava até o século 19 com o grande Condorcet.
Diderot conseguiu, com sua sabedoria e energia, fazer da elaboração da Enciclopédia uma forma de oficina filosófica e política para o progresso do conhecimento comprovado, positivo. Com grande habilidade, conseguiu reunir revolucionários na tarefa de construção de um sistema de conhecimento mais seguro e verificável. Dessa forma, fez com que destruidores progressistas contribuíssem para a construção da nova civilização industrial, científica e pacífica. Muitos dos destruidores se tornaram parte da ação orgânica construtiva, a reorganização intelectual, emocional e política da sociedade.

AMANHÃ: A carne pensa? A demonstração de que o tecido cerebral pensa e onde se dão as emoções: Pierre Cabanis.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

1018 C VAUVENARGUES a inteligência e o sentimento em indispensável colaboração

18 DE OUTUBRO. Vauvenargues: Os grandes pensamentos vêm do coração

VAUVENARGUES
Luc de Clapiers, Marquês de Vauvenargues
(nasceu em 1715, em Aix-en-Provence, França; morreu em 1747, em Paris)

FILÓSOFO MORALISTA FRANCÊS DA CULTURA DAS AFEIÇÕES

O RACIOCÍNIO CIENTÍFICO NA FILOSOFIA MODERNA
A grande revolução do pensamento humano ocorreu com o fim da Idade Média, com a queda do papado, da unanimidade católica e do feudalismo.
O movimento intelectual na Europa do ocidente nos anos 1300, século XIV até os anos 1700, século XVIII, passou a ter duas correntes. Um movimento foi de decomposição e destruição da filosofia monoteísta antiga e o outro movimento foi de composição e preparação da nova filosofia positiva, clara e distinta.
Descartes mostrou que o método de pensar moderno baseia-se numa evidencia verificável, na observação, na experiência. Explicou que não são evidencias aceitáveis a autoridade de líderes e profetas, nem escritos novos ou antigos, por mais veneráveis e respeitáveis que sejam.
Homens como Kepler e Galileu, Descartes e Francis Bacon ao mesmo tempo em que construindo a nova filosofia perturbaram o antigo modo de pensar. A revolta começada por Descartes conduziu finalmente a assaltos ainda mais poderosos , contra as crenças recebidas do que a ação de alterações religiosas feitas pelos reformadores protestantes.
Descartes é o representante mais completo do movimento duplo de composição e decomposição. Começou a grande revolução matemática que permitiu a Newton interpretar o sistema solar. Abriu-se o caminho para a operação destrutiva do século XVIII que afinal levou à Revolução Francesa contra a política antiga de privilégios. Hobbes e Espinosa continuaram o movimento de demolição. A teodicéia de Leibnitz era ainda mais perigosa. Locke renunciou francamente ao conhecimento do absoluto divino. Hume e Diderot demonstraram sua impossibilidade. Kant completou a operação. Eles foram todos tanto construtores como destruidores.
O mês de Descartes da Filosofia Moderna descreve essa importante revolução intelectual, a maior em toda a história da sociedade humana ao estender a razão experimental a todo conhecimento.
A segunda semana representa o desenvolvimento da pesquisa científica dos séculos XVII e XVIII dirigida à natureza individual do homem físico e moral, em grande parte de maneira preparatória e indutiva da Psicologia científica abstrata. Hobbes, Locke, Vauvenargues, Diderot e Cabanis aqui são comemorados. Bacon é o chefe de semana ao colocar a filosofia ao serviço do homem.
Ver em 1008 C  em 08 de outubro o QUADRO DO MÊS DE DESCARTES A FILOSOFIA MODERNA, com os grandes nomes representativos da evolução social do mês

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

VAUVENARGUES (1715-1747) nasceu em Aix em Provence. Ele entrou para o exército aos 18 anos e serviu na Itália e na Alemanha por nove anos. Mas sua saúde enfraquecida obrigou o seu afastamento da vida militar. Ele dedicou, então, os poucos anos que restavam de vida ao estudo e à meditação.
Voltaire, que o conheceu nessa época, falou de seu caráter e de seu talento com a mais viva admiração. Vauvenargues morreu em 1747, aos 32 anos de idade.
A curta carreira filosófica de Vauvenargues foi consagrada ao estudo da natureza moral do homem e seus resultados estão contidos numa série de pensamentos isolados que deveriam servir de base de uma obra sistemática que ele jamais completou.
O caráter distintivo dos pensamentos de Vauvenargues está na importância superior que ele atribui à emoção na formação do caráter e na elaboração do pensamento.
Antes dele, o grande pensador Fontenelle (Bernard le Bovier de Fontenelle, 1657-1757) indicou que era possível prever o progresso do pensamento ao longo do tempo. David Hume (1711-1776) estendeu a noção de progresso também ao movimento da sociedade, começando a refutar a Teoria do Egoísmo, que justificava o progresso pela maldade ou pela luta egoísta entre os homens.
Esse movimento da cultura na Europa formou a harmonia do pensar filosófico com a sensação popular da importância dos sentimentos altruístas, do sentimento de humanidade, de boa-vontade, como capacidade natural dos humanos.
Foi esse movimento filosófico que forneceu o apoio ao esforço direto do admirável pensador Vauvenargues para estabelecer o valor da cultura dos sentimentos. O valor das afeições, até então, era pouco apreciado e desconhecido. Assim, o conhecimento da psicologia humana teve noção da importância dos sentimentos na vida humana.
A superioridade dos sentimentos sobre a inteligência, ou a subordinação da mente ao coração é claramente indicada nos pensamentos de Vauvenargues. A primazia da emoção é reconhecida em nossos dias pela moderna psicologia.
Uma idéia mais precisa de suas brilhantes criações pode ser feita com algumas citações:
“O espírito é o olho da alma, não a sua força. A força repousa no coração, isto é, nas paixões. A mais esclarecida razão não produz nem ação nem vontade. Uma boa visão fornece o poder de andar? Não faltarão os pés e a vontade para fazê-los agir?”
“A razão e o sentimento se aconselham e se ajudam mutuamente. Quem quer que consulte um e rejeite o outro se privará da metade dos meios de que ele dispõe para se realizar. Os melhores traços de nossa inteligência vêm de nossas paixões.”
“Se os homens não tiverem amor pela glória, não terão bastante espírito ou bastante virtude para merecer a vitória. As paixões do homem lhe ensinam a pensar.”
Devemos nos habituar, é a idéia de Vauvenargues, a uma mistura do bem e do mal na natureza e estar satisfeitos se cada pessoa puder, por uma sábia direção, ser colocado ao bem social. Se os homens, por falta da liberdade, fossem sempre impedidos de errar, eles correriam o risco de ficarem na condição de escravos, o que é o pior dos castigos. Grandes abusos fazem parte da ordem humana e não podem ser inteiramente extirpados.
“Nós não temos direito algum de reduzir à miséria aqueles que não podem se elevar à virtude. Nós não poderemos ser justos se antes nós não formos humanos.”
A leitura de LES PENSÉES, Os pensamentos, de Vauvenargues, é recomendada até nossos dias. Uma de suas máximas mais citadas diz que:
“OS GRANDES PENSAMENTOS VÊM DO CORAÇÃO”.

AMANHÃ: Fez a Enciclopédia, habilmente reunindo sábios nessa oficina filosófica: Denis Diderot


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

1017 C JOHN LOCKE primeiro se experimenta depois se generaliza pela indução

17 DE OUTUBRO. John Locke: tornou a ciência confiável, útil, global pelo empirismo

LOCKE
John Locke
(nasceu em 1632, em Somersetshire, Inglaterra; morreu em 1704 em Essex, Inglaterra)

FILÓSOFO INGLÊS DO ILUMINISMO FUNDADOR DO EMPIRISMO

O RACIOCÍNIO CIENTÍFICO NA FILOSOFIA MODERNA
A grande revolução do pensamento humano ocorreu com o fim da Idade Média, com a queda do papado, da unanimidade católica e do feudalismo.
O movimento intelectual na Europa do ocidente nos anos 1300, século XIV até os anos 1700, século XVIII, passou a ter duas correntes. Um movimento foi de decomposição e destruição da filosofia monoteísta antiga e o outro movimento foi de composição e preparação da nova filosofia positiva, clara e distinta.
Descartes mostrou que o método de pensar moderno baseia-se numa evidencia verificável, na observação, na experiência. Explicou que não são evidencias aceitáveis a autoridade de líderes e profetas, nem escritos novos ou antigos, por mais veneráveis e respeitáveis que sejam.
Homens como Kepler e Galileu, Descartes e Francis Bacon ao mesmo tempo em que construindo a nova filosofia perturbaram o antigo modo de pensar. A revolta começada por Descartes conduziu finalmente a assaltos ainda mais poderosos , contra as crenças recebidas do que a ação de alterações religiosas feitas pelos reformadores protestantes.
Descartes é o representante mais completo do movimento duplo de composição e decomposição. Começou a grande revolução matemática que permitiu a Newton interpretar o sistema solar. Abriu-se o caminho para a operação destrutiva do século XVIII que afinal levou à Revolução Francesa contra a política antiga de privilégios. Hobbes e Espinosa continuaram o movimento de demolição. A teodicéia de Leibnitz era ainda mais perigosa. Locke renunciou francamente ao conhecimento do absoluto divino. Hume e Diderot demonstraram sua impossibilidade. Kant completou a operação. Eles foram todos tanto construtores como destruidores.
O mês de Descartes da Filosofia Moderna descreve essa importante revolução intelectual, a maior em toda a história da sociedade humana ao estender a razão experimental a todo conhecimento.
A segunda semana representa o desenvolvimento da pesquisa científica dos séculos XVII e XVIII dirigida à natureza individual do homem físico e moral, em grande parte de maneira preparatória e indutiva da Psicologia científica abstrata. Hobbes, Locke, Vauvenargues, Diderot e Cabanis aqui são comemorados. Bacon é o chefe de semana ao colocar a filosofia ao serviço do homem.
Ver em 1008 C  em 08 de outubro o QUADRO DO MÊS DE DESCARTES A FILOSOFIA MODERNA, com os grandes nomes representativos da evolução social do mês

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

JOHN LOCKE (1632-1704) foi um pensador que teve muitos leitores, foi e ainda é muito famoso. Nasceu em Somersetshire, na Inglaterra. Seu pai serviu no exército do Parlamento.
Estudou em Westminster e depois foi para Oxford, onde estudou medicina e se destacou junto ao grande médico Sydenham. Foi com o diagnóstico inteligente que fez da doença de que sofria o Lord Shaftesbury que Locke ganhou a amizade do nobre.
Com uma saúde delicada e ainda por suas opiniões liberais serem opostas às do governo, obrigou-se a sair da Inglaterra até depois da revolução de 1688, chamada de A GLORIOSA por não ter derramado sangue e sido bem sucedida.
Locke morou no sul da França e depois na Holanda, trabalhando por vários anos em seu Ensaio sobre o entendimento humano, publicado em 1690. Ao voltar para a Inglaterra, iniciou uma grande amizade com Isaac Newton, mantendo com ele uma longa correspondência. Alem dessa grande obra, ele escreveu o Ensaio sobre a tolerância, escrito na Holanda, seu tratado sobre o Governo e outro sobre a Educação.
O Ensaio dobre o entendimento humano se compõe de 4 livros. O primeiro é uma refutação da teoria de que as idéias são inatas no espírito. O segundo livro contêm sua análise e classificação das idéias. Todas as idéias são tomadas da experiência. Umas são obtidas pelos sentidos, outras são da reflexão do espírito sobre suas operações.
O terceiro livro trata da linguagem e contem certas refutações da doutrina metafísica das essências, ele mostrando que as essências são simples abstrações artificiais feitas pelo homem.
O quarto livro trata do conhecimento e da demonstração. O que mais chama a atenção é o desprezo que o autor mostra em relação ao silogismo escolástico. Esse procedimento não é, diz ele, o modo empregado por aqueles que fazem um uso judicioso de sua própria razão.
Explicado a uma mulher camponesa que o vento é aquele de Sudoeste e que o tempo é de chuva, ela compreenderá facilmente que não é seguro para ela sair sem agasalho após ter uma forte febre na gripe. Ela percebe claramente a relação provável de tudo aquilo, do vento de Sudoeste e as nuvens, a chuva, o frio, a recaída na febre e na gripe com o perigo de morrer. Mas não entrará na confusão desses tropeços artificiais e embaraçantes dos vários silogismos que atrapalham o espírito. Ela poderá passar de uma idéia a outra mais depressa e mais claramente sem os silogismos.
O emprego direto da observação da realidade é o característico de destaque no método da filosofia de Locke. É o emprego da experiência, do empirismo na pesquisa científica e filosófica.
A evolução científica, partindo das ciências mais simples, exigiu novos métodos de pesquisa. Na matemática, as observações, ou seja, a INDUÇÃO é muito simples. Dois mais dois são quatro, a experiência é feita com os dedos.
Nas doutrinas antigas, a imaginação que deduzia as verdades divinas era, de fato, a conclusão do que era lido nos livros antigos, era uma DEDUÇÃO pura, uma hermenêutica, um estudo nada científico, sem base na observação do mundo real.
O progresso científico, especialmente alcançando a astronomia, a física, a química e depois a biologia, exigiu uma aprendizagem para que o emprego da indução e da dedução fosse bem regulado. A questão foi resolvida no método moderno subordinando a dedução à indução. Ou seja, primeiro se experimenta, se observa, isto é, se faz a indução, para depois generalizar pela dedução.
Essa foi a importante participação inicial de Locke na demorada evolução da teoria da ciência positiva, da epistemologia moderna. Um progresso que nos fornece hoje um saber confiável, positivo, útil, reproduzível, globalizado, capaz de realizar as mais importantes previsões, dentro da aproximação desejada. E que são a base da moderna indústria, da política e da educação. Com que nos permite melhorar muito a saúde humana, regular a prática política planejada e aperfeiçoar o comportamento humano.

AMANHÃ: Os grandes pensamentos vêm do coração: Vauvenargues.


terça-feira, 15 de outubro de 2013

1016 C PASCAL filósofo da continuidade da vida humana nas gerações sucessivas 1016 C PASCAL filósofo da continuidade da vida humana nas gerações sucessivas

16 DE OUTUBRO. Pascal: a evolução social é exclusividade da espécie humana

PASCAL
Blaise Pascal
(nasceu em 1623, em Clermont-Ferrand, França; morreu em 1662, em Paris, França)

FAMOSO MATEMÁTICO FÍSICO E FILÓSOFO MORALISTA FRANCÊS

O RACIOCÍNIO CIENTÍFICO NA FILOSOFIA MODERNA
A grande revolução do pensamento humano ocorreu com o fim da Idade Média, com a queda do papado, da unanimidade católica e do feudalismo.
O movimento intelectual na Europa do ocidente nos anos 1300, século XIV até os anos 1700, século XVIII, passou a ter duas correntes. Um movimento foi de decomposição e destruição da filosofia monoteísta antiga e o outro movimento foi de composição e preparação da nova filosofia positiva, clara e distinta.
Descartes mostrou que o método de pensar moderno baseia-se numa evidencia verificável, na observação, na experiência. Explicou que não são evidencias aceitáveis a autoridade de líderes e profetas, nem escritos novos ou antigos, por mais veneráveis e respeitáveis que sejam.
Homens como Kepler e Galileu, Descartes e Francis Bacon ao mesmo tempo em que construindo a nova filosofia perturbaram o antigo modo de pensar. A revolta começada por Descartes conduziu finalmente a assaltos ainda mais poderosos , contra as crenças recebidas do que a ação de alterações religiosas feitas pelos reformadores protestantes.
Descartes é o representante mais completo do movimento duplo de composição e decomposição. Começou a grande revolução matemática que permitiu a Newton interpretar o sistema solar. Abriu-se o caminho para a operação destrutiva do século XVIII que afinal levou à Revolução Francesa contra a política antiga de privilégios. Hobbes e Espinosa continuaram o movimento de demolição. A teodicéia de Leibnitz era ainda mais perigosa. Locke renunciou francamente ao conhecimento do absoluto divino. Hume e Diderot demonstraram sua impossibilidade. Kant completou a operação. Eles foram todos tanto construtores como destruidores.
O mês de Descartes da Filosofia Moderna descreve essa importante revolução intelectual, a maior em toda a história da sociedade humana ao estender a razão experimental a todo conhecimento.
A segunda semana representa o desenvolvimento da pesquisa científica dos séculos XVII e XVIII dirigida à natureza individual do homem físico e moral, em grande parte de maneira preparatória e indutiva da Psicologia científica abstrata. Hobbes, Locke, Vauvenargues, Diderot e Cabanis aqui são comemorados. Bacon é o chefe de semana ao colocar a filosofia ao serviço do homem.
Ver em 1008 C  em 08 de outubro o QUADRO DO MÊS DE DESCARTES A FILOSOFIA MODERNA, com os grandes nomes representativos da evolução social do mês

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

BLAISE PASCAL (1623-1662), nascido em Clermont em 1623, era filho de Etienne Pascal, presidente do Tribunal em Auvergne, um homem de grande cultura, matemático. Ele teve grande cuidado na educação de seu filho, que desde cedo mostrou grande tendência científica.
A família foi morar em Paris, onde Pascal encontrou-se com o grande matemático Roberval (1602-1675) e com outros pensadores importantes. Aos 16 anos Pascal escreveu um tratado sobre as Seções Cônicas que chamou a atenção de Descartes. Aos dezoito anos, em 1641, ele inventou uma máquina de calcular, fazendo mais de 50 modelos até que ela ficasse pronta. O seu objetivo era ajudar o pai nos cálculos necessários ao seu trabalho, então no governo da Normandia.
Nos cinco anos seguintes ele se dedicou com energia à pesquisa científica. Em 1647, com 24 anos, publicou um resumo de suas experiências com o vácuo. A exposição completa de suas pesquisas só foi publicada após sua morte.
Em 1648 promoveu experiências com o barômetro de mercúrio de Torricelli no alto e na base das montanhas e na torre de Saint-Jacques, em Paris. Em 1663 publicou um tratado sobre o equilíbrio dos fluidos relacionado com a pressão hidráulica.
Em 1654, sua saúde, precária desde anos atrás, sofreu mais ainda com um acidente de carruagem. O acidente lhe provocou uma crise moral que o afastou da ciência e da filosofia.
Ele foi levado a ter um retiro religioso, que só foi interrompido por sua polêmica com os jesuítas, com o nome de Lettres Provinciales, Cartas da Província, de 1656 e pelo desafio que lançou aos sábios matemáticos sobre a curva da ciclóide, em 1658.
Pascal havia projetado, anos antes, escrever uma obra filosófica sobre o homem e seu destino. Desse escrito restaram apenas fragmentos isolados, mais tarde publicados com o nome de Pensées, Pensamentos.
Os Pensées são até hoje de leitura recomendada, embora, no conjunto, mostre um misticismo doentio e egoísta. Mas revelam um espírito muito competente, que em condições boas de saúde seria capaz ainda de grandes obras.
Em especial deve-se notar o mais destacado dos Pensamentos escritos por Pascal:
“A série inteira de gerações humanas durante o decorrer dos séculos pode ser considerada como se fosse um só homem que vivesse sempre e aprendesse continuamente”.
Essa afirmação contém a grande mensagem humanista da constante evolução da sociedade dos humanos. Exprime o conhecimento da CONTINUIDADE que ocorre na humanidade, não nos animais e somente com os humanos, em que o saber é transmitido através do tempo, de uma geração a outra. Cada indivíduo, em toda a escala social, coopera, com sua parcela, para o progresso constante da humanidade.
E o reconhecimento desse enorme poder sociológico é de grande importância na modernidade, porque é a referência que governa os humanos. Depois do fim da Idade Média, os princípios das causas primeiras e finais foram de novo estudados. Esses princípios antigos foram alterados: antes eles deveriam ser tirados como verdades divinas e eternas da Metafísica antiga, como ditadas pelos deuses. Essa importante referencia agora é dada pela Sociologia, pela ciência abstrata das leis sociais.O humanismo descobriu uma nova referência: a sociedade humana.
A referência para julgamento, que era feita pela lei de Moisés, do deus único, somente para o bem da nação dos judeus, já tinha sido alterada. A nova lei que prevaleceu na Idade Média, a nova referência foi a lei de Paulo de Tarso, de São Paulo, do deus único para todos os povos, para todas as nações.
Na era moderna, após o fim da Idade Média, a lei, a nova referência, passou a ser a LEI DA HUMANIDADE. Ou seja, só é herói quem defende a sociedade. É bandido, criminoso, aquele que prejudica, que ofende a sociedade humana. É a lei do humanismo laico, secular, não sectário. A lei que explica o real sucesso e a felicidade individual na vida.
Os tribunais, hoje, se regulam pela nova lei do humanismo secular. É o humanismo que regula as decisões dos respeitáveis juizes de nossos dias. É o humanismo que dá prêmio e que dá castigo. Que oferece a coerência da mente e da ação, que oferece a saúde e a felicidade.
Devemos pesquisar a filosofia moderna, secular, humanista. Assim poderemos saber e comprovar como se alterou a nossa cultura na modernidade da sociedade industrial, laica e pacífica em que estamos vivendo.

AMANHÃ: : John Locke tornou o saber científico seguro, infalível, útil, positivo, com o empirismo.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

1015 C HOBBES liberdade de opinião com comando único no governo político

15 DE OUTUBRO. Hobbes: governo político necessário para controlar as divergências.

HOBBES
Thomas Hobbes
(nasceu em 1588, em Wiltshire, Inglaterra; morreu em 1679, em Derbyshire, Inglaterra)

FILÓSOFO INGLÊS GENIAL TEÓRICO DA POLÍTICA SECULAR E DO LIBERALISMO

O RACIOCÍNIO CIENTÍFICO NA FILOSOFIA MODERNA
A grande revolução do pensamento humano ocorreu com o fim da Idade Média, com a queda do papado, da unanimidade católica e do feudalismo.
O movimento intelectual na Europa do ocidente nos anos 1300, século XIV até os anos 1700, século XVIII, passou a ter duas correntes. Um movimento foi de decomposição e destruição da filosofia monoteísta antiga e o outro movimento foi de composição e preparação da nova filosofia positiva, clara e distinta.
Descartes mostrou que o método de pensar moderno baseia-se numa evidencia verificável, na observação, na experiência. Explicou que não são evidencias aceitáveis a autoridade de líderes e profetas, nem escritos novos ou antigos, por mais veneráveis e respeitáveis que sejam.
Homens como Kepler e Galileu, Descartes e Francis Bacon ao mesmo tempo em que construindo a nova filosofia perturbaram o antigo modo de pensar. A revolta começada por Descartes conduziu finalmente a assaltos ainda mais poderosos , contra as crenças recebidas do que a ação de alterações religiosas feitas pelos reformadores protestantes.
Descartes é o representante mais completo do movimento duplo de composição e decomposição. Começou a grande revolução matemática que permitiu a Newton interpretar o sistema solar. Abriu-se o caminho para a operação destrutiva do século XVIII que afinal levou à Revolução Francesa contra a política antiga de privilégios. Hobbes e Espinosa continuaram o movimento de demolição. A teodicéia de Leibnitz era ainda mais perigosa. Locke renunciou francamente ao conhecimento do absoluto divino. Hume e Diderot demonstraram sua impossibilidade. Kant completou a operação. Eles foram todos tanto construtores como destruidores.
O mês de Descartes da Filosofia Moderna descreve essa importante revolução intelectual, a maior em toda a história da sociedade humana ao estender a razão experimental a todo conhecimento.
A segunda semana representa o desenvolvimento da pesquisa científica dos séculos XVII e XVIII dirigida à natureza individual do homem físico e moral, em grande parte de maneira preparatória e indutiva da Psicologia científica abstrata. Hobbes, Locke, Vauvenargues, Diderot e Cabanis aqui são comemorados. Bacon é o chefe de semana ao colocar a filosofia ao serviço do homem.
Ver em 1008 C  em 08 de outubro o QUADRO DO MÊS DE DESCARTES A FILOSOFIA MODERNA, com os grandes nomes representativos da evolução social do mês

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

HOBBES (1588-1679) nasceu em Westport, Wiltshire. Seu pai era membro do clero inglês. Ele desde cedo mostra zelo pelo estudo e foi enviado aos 15 anos para estudar em Oxford, onde logo mostrou seu desprezo por tudo que estivesse desprovido de comprovação e de lógica.
Ele contribuiu para os fundamentos da sociologia científica, procurando nos princípios do movimento a explicação da motivação humana e da organização social. Colaborou tanto no movimento de destruição dos preconceitos antigos como na construção de novas doutrinas. É considerado como o fundador do liberalismo das idéias. Por suas pesquisas originais científicas anti-religiosas, sofreu continuadas avaliações enganosas como sendo adepto do totalitarismo. Na verdade, sua proposta é de um governo material central, com unidade de comando, sempre com a completa liberdade de opinião e crítica. Essa regra da COMPLETA LIBERDADE do poder da opinião pública livre em relação ao poder político coercitivo pela força é um IMPORTANTE PRINCÍPIO da Política moderna.
Em 1608 ele viajou com o filho de William Cavendish d’Hardwick e conservou com sua família relações de amizade por toda a vida. Ao retornar, ele teve freqüentes encontros com Francis Bacon.
Em 1629 ele publicou sua tradução do historiador grego Tucídides (471-400 AC), inspirada nos conflitos políticos de seu tempo. Hobbes interpretava o triste destino da antiga Atenas na Grécia como um aviso contra os perigos da democracia mal aplicada pelos demagogos.
Ele esteve na Europa continental em 1629 e uma terceira vez de 1634 a 1637. Nessa ocasião encontrou e discutiu as novas teorias científicas com vários destacados pensadores da época. Esteve com o importante astrônomo e físico italiano Galileu e esteve em relações estreitas com os filósofos franceses René Descartes e Pierre Gassendi. Freqüentou o círculo do padre Mersenne e de outros adeptos de Descartes.
Em 1637 Hobbes voltou para a Inglaterra e publicou seu Pequeno Tratado, com a exposição de sua nova teoria do movimento. Na política ocorria o conflito entre o rei Charles I e o Parlamento inglês. Hobbes tomou a defesa dos poderes do rei, publicando Os Elementos da Lei Natural e Política. Mas com medo de que o Parlamento o prendesse devido a seu livro, em 1640 fugiu para Paris, onde ficou por 11 anos, num exílio por própria vontade.
Em 1642 Hobbes terminou sua teoria do governo político no livro De Cive. Entre os anos de 1646 e 1648 Hobbes se tornou o professor de matemática do Príncipe de Gales, depois rei Charles II, então também exilado em Paris.
O livro mais conhecido de Hobbes é o Leviathan, ou A Matéria, Forma e Poder de uma República Eclesiástica e Civil, de 1651, que contêm uma descrição de sua doutrina de governo. Os seguidores do príncipe inglês não gostaram, interpretando o livro como a justificação do regime republicano e as autoridades francesas viram no livro um ataque ao governo do papa. De novo, com medo de ser preso, Hobbes fugiu para a Inglaterra.
Em 1666 a autorização a Hobbes para impressão foi recusada pelo Parlamento e depois dessa data seus livros foram todos impressos em Amsterdam, na Holanda.
O seu livro Behemoth, uma descrição das guerras civis, só foi publicado após sua morte. Hobbes morreu em Hardwick Hall, Derbyshire, em 1679 e foi enterrado na igreja de Hault-Hucknell.
Hobbes foi o principal pensador original no século 17 da filosofia do saber crítico de destruição , que teria, como em Rousseau e Voltaire, e outros autores de repetição, sem originalidade, no século 18, anos 1700, quando a revolução chegou a ter sua aplicação política. A contribuição de Hobbes foi de grande influência, notadamente sua demonstração de que o governo político se faz com o poder da força coercitiva.
O poder do Estado é necessário para controlar as divergências, regulando a ação dos indivíduos. A máxima famosa de Hobbes, de que o governo é o resultado natural da força, é a base principal de sua Teoria do Poder Político, o principal progresso da teoria política feito desde os gregos. Sua doutrina completa a pouco conhecida lei do filósofo Aristóteles (384-322 AC) de que -
EM TODA SOCIEDADE SE FAZ A DIVISÃO DOS OFÍCIOS E A CONVERGÊNCIA DOS ESFORÇOS.”
O texto está no tratado POLÍTICA de Aristóteles, no livro 4, no capítulo em que é indicado quais elementos são necessários, indispensáveis, para que uma associação baste a si mesma. Em outras palavras, em toda sociedade há especialização na atividade e há um governo para manter a convergência dos trabalhos dos especialistas.
Portanto, não pode haver total igualdade nas profissões e remunerações, que seria o nivelamento por baixo como sonhado por Marx-Engels. Com resultados desastrosos e cruéis em todos os países em que foi aplicado, com extensos genocídios, escravização do trabalhador e empobrecimento das nações.
Hobbes com originalidade, pela primeira vez no estudo do poder, afirmou que o governo material político se apóia na força e não na fraqueza. Mas devendo manter a liberdade de consciência. É o que Hobbes escreveu com todas as letras. Limitando o governo político somente ao controle dos atos, dando completa liberdade ao governo da consciência, da opinião, dos que produzem o ensino, a crítica, a informação.


AMANHÃ: Ter as gerações humanas como se fossem um só homem em evolução permanente: Pascal.