sexta-feira, 24 de julho de 2015

0724 C MIGUEL ÂNGELO: pintor, escultor, foi o arquiteto da Igreja de S. Pedro em Roma

24 DE JULHO. Miguel Ângelo: pintor fez poesia em alto grau, como um Dante da arte

MIGUEL ÂNGELO
Michel-Ange, Michelangelo; Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni
(nasceu em 1475, em Florença, Itália; morreu em 1564, em Roma)

ESCULTOR E PINTOR ITALIANO A MAIOR INFLUÊNCIA NA ARTE DA EUROPA OCIDENTAL

ESTÉTICA
as artes da linguagem, da afeição e da expressão
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da inteligência e da atividade
A segunda semana tem Rafael como chefe, mostrado no domingo último dia da semana. Consta da relação os grandes representantes da evolução social da arte da forma, que são os pintores, os escultores, os arquitetos. Foram escolhidos os representantes principais da arte das diferentes nações, escolas e técnicas diversas. Não é uma classificação pela ordem crescente de mérito. Reúne os nomes representativos e de escolas artísticas opostas.
A segunda semana tem Rafael como chefe, mostrado no domingo último dia da semana. Consta da relação os grandes representantes da evolução social da arte da forma, que são os pintores, os escultores, os arquitetos. Foram escolhidos os representantes principais da arte das diferentes nações, escolas e técnicas diversas. Não é uma classificação pela ordem crescente de mérito. Reúne os nomes representativos e de escolas artísticas opostas.
Ver em 0716 C    O QUADRO DO MÊS DANTE, A EPOPÉIA MODERNA, com os grandes tipos humanos do mês.

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

FELIZ
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Miguel Ângelo (1475-1564) filho de Ludovic Buonarrotti Simoni, de honrada família de Florença, nasceu perto de Arezzo em 6 de março de 1475.
Aos 13 anos foi aprender com o pintor D. Ghirlandajo, com quem mostrou um gênio precoce para a escultura e obras de sua autoria executadas ainda em sua adolescência estão preservadas. Aos 14 anos, ele chamou a atenção de Laurent o Magnífico e foi admitido para estudar na academia de arte antiga que Laurent havia fundado no palácio Médicis.
Miguel Ângelo na academia desenvolveu sua criatividade como escultor e ali, quando ainda tinha 16 anos, foi que seu rival Torregiano, atacando-o com uma marreta, quebrou o seu nariz e o desfigurou para o resto da vida. Durante esse período, ele estudou anatomia com paixão e praticou a escultura.
Entre 1504 e 1506, ocorreu a grande disputa com Leonardo da Vinci para realizar os desenhos para a Câmara do Conselho de Florença. Em 1506 Miguel Ângelo, pela primeira vez, ganhou a reputação de grande pintor.
Em 1506, com a idade de 31 anos, foi convidado a ir a Roma pelo papa Júlio II para fazer seu grande mausoléu. Miguel Ângelo passou grande parte de sua vida nessa obra imensa, de que o único resultado foi a estátua de Moisés e de algumas estátuas inacabadas. Em 1508, o papa encomendou a decoração do afresco da capela Sixtina. Esse trabalho gigantesco, totalmente feito pelo mestre no espaço de 4 ou 5 anos é, sem dúvida, o mais prodigioso produto da arte depois da Idade Média. Impenetrável, terrível, profunda, essa vasta criação de um gênio possante, foi, por muitos séculos e continua a ser admirada por todos, apesar dos limites impostos ao artista e por sua aparência vigorosa. Esses afrescos são mais a obra de um escultor do que de um pintor, já que não são simplesmente pinturas, mas são poemas dignos de Dante.
Depois da morte do papa Júlio II em 1513, o artista voltou a fazer escultura. Em 1524, com 49 anos, começou a sublime capela de Médicis em Florença, que, com suas 6 colossais estátuas, foi inteiramente feita por Miguel Ângelo. Essas são a maiores obras da escultura.
Ele foi colocado, em 1527, como engenheiro na defesa da República contra os Médicis. Em 1534 foi chamado para completar os afrescos da capela Sixtina, quando fez o Julgamento Final. Essa obra enorme é mais um prodígio de um desenhista consumado, do que uma simples pintura, ao mesmo tempo em que ela contém várias das concepções, das mais originais, do possante mestre. Elas foram expostas em 1541 e são, com os afrescos da capela Paulina, as últimas pinturas que o artista realizou.
Em 1547 o artista foi chamado para ser o arquiteto da igreja de S. Pedro em Roma e continuou até sua morte a trabalhar nessa construção. A cúpula do templo foi inteiramente feita por ele.
Miguel Ângelo morreu em Roma em 1564, com 89 anos de idade. Foi enterrado com grande pompa na igreja de Santa Croce em Florença. Ele foi o maior gênio da arte, sendo tanto um escultor e arquiteto quanto um pintor. Como personalidade, foi fiel, inflexível, independente, frugal, elevado, generoso, puro e sincero. Como poeta, ele foi dos mais eminentes, seus Sonetos o colocando entre os melhores poetas líricos do seu tempo. Nenhum outro pintor colocou a poesia em sua arte em tão alto grau. Essa a razão de ser chamado com justiça de “O Dante da arte”.
Em elevação de caráter, em sublimidade de imaginação e em seus extraordinários resultados, Miguel Ângelo deve ser colocado entre os maiores filhos da Humanidade, entre os maiores colaboradores da maravilhosa evolução da sociedade humana desde a mais selvagem animalidade até nossos dias, através dos milênios.


AMANHÃ: Entre as maiores personalidades artísticas da Alemanha: o pintor Holbein.




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quarta-feira, 22 de julho de 2015

0723 C LEONARDO DA VINCI: incessante e genial busca pela perfeição total das artes

23 DE JULHO:   Da Vinci: experimentação na sublimidade da arte da perfeita beleza

LEONARDO DA VINCI
(nasceu em 1452, em Vinci, Florença, Itália; morreu em 1519, em Cloux, França)

CÉLEBRE PINTOR, ESCULTOR, ENGENHEIRO, GRANDE GÊNIO DO IDEAL HUMANISTA

ESTÉTICA
as artes da linguagem, da afeição e da expressão
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da inteligência e da atividade
A civilização moderna, após o fim da Idade Média, com a queda do papado e do Feudalismo nos anos 1300, criou uma grande variedade na atividade humana, pelo fim da servidão da gleba, com a total liberdade do povo trabalhador, com a indústria e o comércio, com a sistematização do sistema capitalista de liberdade civil. Criou também a saída das artes de dentro das igrejas e dos conventos para os espaços laicos. As artes se libertaram do controle dos teólogos e de seus sacerdotes, como ocorreu com a Filosofia. Em ambos os casos sem luta, gradualmente, sem conflito.
Na modernidade nos encontramos em fase de transição, em tempos de revolução. É a passagem de uma civilização medieval da guerra de defesa para uma civilização pacífica científica e industrial.
Triunfos esplendidos foram conseguidos pelo gênio artístico aos poucos se afastando da religião, apesar do clima de revolta. É o sinal da potente capacidade da natureza humana de produzir, mesmo em situação de desvantagem, um conjunto glorioso de criações artísticas.
A segunda semana tem Rafael como chefe, mostrado no domingo último dia da semana. Consta da relação os grandes representantes da evolução social da arte da forma, que são os pintores, os escultores, os arquitetos. Foram escolhidos os representantes principais da arte das diferentes nações, escolas e técnicas diversas. Não é uma classificação pela ordem crescente de mérito. Reúne os nomes representativos e de escolas artísticas opostas.
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NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

FELIZ
QUEM HONRA SEUS ANTEPASSADOS


Leonardo da Vinci (1462-1519) era filho natural de Pierre da Vinci, advogado em Florença. Ele nasceu no Castelo de Vinci, perto de Florença, em 1452. Ele foi legitimado e educado ao mesmo tempo em que os filhos legítimos que seu pai teve em seguida. Ele mostrou, desde sua infância, um talento precoce para a música, para a matemática, mecânica e para a arte em todas as suas formas.
Ele foi colocado no atelier d’Andrea Verrochio, que era escultor, gravador e pintor. Na sua juventude, ele se dedicou a um largo campo de estudo e sua capacidade parecia um extraordinário milagre. A uma grande beleza e a uma grande força, ele reuniu todos os conhecimentos que se podia adquirir em seu tempo. Ele tornou-se, ao mesmo tempo, um matemático, engenheiro, arquiteto, músico, poeta, escultor, pintor, anatomista, botânico e físico.
Na idade de vinte e cinco anos, Leonardo, já dono de um grande renome, recebeu encomendas do governo e de Laurent o Magnífico. Todo o campo da natureza em suas mais fantásticas e as mais obscuras formas tornaram-se estudo desse criador universal. Sabemos agora que, quando tinha cerca de trinta anos, ele visitou o Oriente, Constantinopla e a Ásia Menor. Tornou-se até engenheiro do Sultão do Cairo.
Como engenheiro, arquiteto, matemático, escultor, artista e diretor geral dos trabalhos artísticos, científicos e mecânicos, Leonardo foi convidado por Ludovico Sforza em 1484 para ir para Milão. Ele se dedicou a uma quantidade grande de serviços durante 15 anos. Suas maiores obras artísticas em Milão foram a estátua de bronze do príncipe, que ele nunca terminou e o afresco da Última Ceia.
Quando da ocupação de Milão pelos franceses em 1500, Leonardo retornou para Florença onde começou sua rivalidade com Miguel Ângelo. Depois de 12 anos passados em Florença e em seus arredores, ele foi em 1514 a Roma, onde Rafael estava em seu apogeu de glória. Desprezado pelo papa, então Leão X e posto em segundo plano pela grande reputação de seu jovem rival, Leonardo acompanhou o rei Francisco I em seu retorno para a França em 1516 e ali se fixou até sua morte. Morreu perto de Amboise sur la Loire, em 1519, com a idade de 67 anos.
Leonardo, além de ter sido um dos maiores pintores, foi um dos primeiros, dos mais surpreendentes e dos mais universais de todos os grandes homens do século 16. Ele consagrou uma grande parte de sua vida às ciências aplicadas e a invenções de todo gênero.
Ele, de fato, foi o primeiro nome de seu século e antecipou em muito as descobertas da ciência moderna. Leonardo chegou à convicção de que a força e o movimento é que produziriam as formas da natureza orgânica e inorgânica, funcionando de acordo com leis bem ordenadas e harmoniosas.
Ele deixou textos de matemática, de engenharia, hidráulica, anatomia, botânica, além de uma imensa coleção de esboços, de estudos, de figuras grotescas e de caricaturas.
O seu Tratado da Pintura foi traduzido em todas as línguas da Europa e serviu de base a tudo o que já se escreveu a respeito de arte. Essa obra continua tendo sua leitura recomendada até hoje.
Como pessoa humana, Leonardo foi profundamente ambicioso, vaidoso, rebelde, sonhador e inquieto. Com planos gigantescos, seu ideal de perfeição era inaccessível, mas tinha uma fome insaciável de produzir.
Leonardo esteve sem cessar ocupado em corrigir, a refinar, abandonando as antigas obras inacabadas para começar novas obras. Ele fez poucos trabalhos completos e sua vida foi um longo catálogo de empreendimentos abortados, em comparação a três ou quatro obras de uma beleza e de uma perfeição suprema. O grande gênio sem limites de Leonardo teria a marca do inatingível e sua vida seria, talvez, uma grandiosa sinfonia inacabada de beleza.
É provável que, das pinturas de cavalete atribuídas a Leonardo poucas sejam, na verdade, de sua mão. Desse pequeno número é o retrato da Mona Lisa, que se acha no museu do Louvre e pelo menos os rostos e a composição, senão a totalidade da Madona que está na Galeria Nacional de Londres sejam de Leonardo. Sua grande obra, a Última Ceia, um mural no refeitório do mosteiro de Santa Maria delle Grazie em Milão,foi muito danificada. Em 1977 começou sua restauração com novas técnicas, com algum sucesso, permitindo ver a majestade de sua composição e a caracterização de suas figuras.
Leonardo foi, incontestavelmente, o fundador do método italiano da pintura a óleo e seus trabalhos infinitos e suas experiências constantes aumentaram consideravelmente os recursos técnicos da arte. Ele é, também, o primeiro que uniu a sublimidade das concepções à perfeita beleza.


AMANHÃ: Sublimidade de imaginação e extraordinários resultados: Miguel Ângelo.


SERVOS DA GLEBA
A servidão é o status legal e econômico dos camponeses ("servos"), especialmente no âmbito do sistema econômico da "senhoria" (direitos feudais sobre a terra). Os servos são trabalhadores rurais que estão vinculados à terra, formando a classe social mais baixa da sociedade feudal. À diferença dos escravos, os servos não eram propriedade de ninguém e não podiam ser vendidos, pois não eram como escravos vencidos de guerra, que eram propriedade dos donos. A servidão implica o trabalho forçado dos servos nos campos dos senhores de terras, em troca de proteção e do direito de arrendar terras para subsistência. Ademais do trabalho na terra, os servos executavam diversos trabalhos relacionados com agricultura, como silvicultura, transporte (por terra e por rio), artesanato e mesmo manufatura. Na Idade Média também não havia a noção de emprego. A relação trabalhista da época era a relação senhor-servo.
Um servo podia sair das terras do senhor de terras e ir para onde quisesse, desde que não tivesse dívidas a pagar para o senhor de terras.
Na servidão, o servo não trabalha para receber uma remuneração, mas para ter o direito de morar e cultivar nas terras do seu senhor. Parte da colheita era do senhor.


HUMANISMO
Humanismo é a forma de pensar que coloca os objetivos humanos como a mais importante referencia. É uma perspectiva comum a uma grande variedade de posturas éticas que atribuem a maior importância à elevação, dignidade, liberdade, aspirações e capacidades da sociedade humana, da humanidade.
A palavra pode ter diversos sentidos, o significado filosófico essencial destaca-se por contraposição ao apelo a uma entidade sobrenatural ou a uma autoridade superior. Desde os anos 1500, século XVI, o humanismo tem sido resultado da queda do papado, do fim do feudalismo e da secularização. Foi a base da doutrina dos filósofos Iluministas do século XVIII. O termo abrange as novas filosofias organizadas, construtivas como o Humanismo Secular, Ethical e outros com uma nova visão e nova postura de vida.


terça-feira, 21 de julho de 2015

0722C ARIOSTO: poeta entre os maiores com belo estilo que flui como improvisado

22 DE JULHO.   ARIOSTO: a moral feudal, cavalheiresca e humana, leal e generosa

ARIOSTO
Ludovico Ariosto
(nasceu em 1474, em Modena, Itália; morreu em 1533, em Ferrara, Itália)

POETA ITALIANO MELHOR CANTOR DA IDADE MÉDIA CAVALHEIRESCA

ESTÉTICA
as artes da linguagem, da afeição e da expressão
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da inteligência e da atividade

A primeira semana tem Ariosto como chefe, mostrado no domingo último dia da semana. Ali estão autores que criaram pinturas ideais da natureza humana sob todas as suas formas, com a poesia de costumes, mostrada nas suas manifestações da história da sociedade moderna.
Ver em 0716 C   O QUADRO DO MÊS DANTE, A EPOPÉIA MODERNA, com todos os grandes tipos humanos do mês.

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

LUDOVICO ARIOSTO (1474-1533) LUDOVICO ARIOSTO nasceu em 8 de setembro de 1474 em Reggio Emilia, na Lombardia, Itália, na fortaleza do ducado de Ferrara da família d’Este. Seu pai, Niccolo, era o governador do forte e tinha outras importantes funções. Sua mãe Daria Malaguzzi era de família nobre. Ele recebeu uma educação geral, das leis e de guerreiro medieval.
Com a morte de seu pai, ele se tornou o filho mais velho de dez irmãos menores, a quem devia sustentar. É o que explica sua dependência à ajuda de uma proteção do indigno cardeal Hippolyte d’Este, irmão do duque de Ferrara, de 1503 a 1517. Mais tarde, ficou a serviço do próprio duque Alfonso I, em Reggio Emilia, na Lombardia, Itália, na fortaleza do ducado de Ferrara da família d’Este. Seu pai, Niccolo, era o governador do forte e tinha outras importantes funções. Sua mãe Daria Malaguzzi era de família nobre. Ele recebeu uma educação geral, das leis e de guerreiro medieval.
Com a morte de seu pai, ele se tornou o filho mais velho de dez irmãos menores, a quem devia sustentar. É o que explica sua dependência à ajuda de uma proteção do indigno cardeal Hippolyte d’Este, irmão do duque de Ferrara, de 1503 a 1517. Mais tarde, ficou a serviço do próprio duque Alfonso I.
A obra de Ariosto é o primeiro exemplo de poesia histórica. Mostra a vida na Idade Média com seu caráter de elegante cavalheirismo. Sua obra-prima, Orlando Furioso, é recomendada como arte das mais perfeitas, uma leitura de valor até nos nossos dias.
A obra prima de Ariosto, o poema Orlando Furioso, é a mais importante obra épica, devido a seu estilo vigoroso e exaltado. Ariosto também escreveu comédias, odes, sátiras e sonetos. A terceira edição de Orlando Furioso foi publicada em 1532, completada com 46 Cantos.
Ariosto morreu no ano seguinte, em 1533, aos 59 anos de idade.
A época histórica da Idade Média é um longo período de guerra defensiva para a manutenção do grande império romano, transformado em pequenos feudos com seus barões e seus castelos. Ariosto foi o poeta desses tempos, mostrando com arte todas as virtudes cavalheirescas e de lealdade então desenvolvidas. O que há de mais notável é o ideal moral do seu poema.
A condenação dos parasitas na sociedade, aqueles que tudo recebem da família e da coletividade e nada produzem, foram colocados por Dante no Inferno, canto terceiro:
     “Viverão sem infâmia nem louvor... O céu os expulsou para não ser menos belo e nem o profundo inferno os recebe, porque os condenados tirarão deles alguma glória... Não falemos mais deles, olha e passa”.
Numa das suas Sátiras, Ariosto diz dos parasitas, que eles:
     “Venuto al mondo sol per far letame”. Ou seja,. “Vieram ao mundo só para produzir esterco”.
Mas a religião e as crenças do cristianismo são, no poema, raramente mencionadas, sempre com um respeito frio e distante. A moral que se mostra no poema é feudal, cavalheiresca e humana, com um caráter laico, sem clara feição religiosa. O mouro muçulmano é um inimigo, mas um inimigo generoso e tão merecedor de lealdade e de cortesia quanto merece o cristão.
A amizade entre mouros e cristãos é considerada como uma virtude, como se lê no Canto I, estrofe 22. E, embora o herói muçulmano se converta e seja finalmente batizado, o amor de Bradamente, sua amada, por ele, não sofre influência da diferença de crenças.
Ariosto fala, no Canto XXI, estrofe 1, da Fé Santa, vestida com um véu de brancura imaculada. É grande a nossa surpresa quando descobrimos que essa fé nada tem em comum com os dogmas religiosos do cristianismo. É a fé que une os nobres espíritos numa confiança mútua. É a fé humana, terrena. É a firmeza que a palavra, quando ela é dada, não será violada, seja ou não fortificada por um juramento secreto ou público. A sociologia moderna mostra a mentira e a traição como diretamente incompatíveis com toda cooperação humana, confirmando a importância nobre e fundamental da fé na sociedade.
O estilo de Ariosto é de grande beleza, fluindo como se fosse improvisado, mas com um efeito sonoro maravilhoso. O poeta é colocado pela posteridade entre os 13 maiores poetas de todos os tempos.
Com uma gratificante leitura, ele é colocado, por sua obra, em todos os tempos, entre os três poetas mais importantes: Homero, Dante e Ariosto.


AMANHÃ: A sublimidade das concepções unidas à perfeita beleza: Leonardo da Vinci.


SERVOS DA GLEBA
A servidão é o status legal e econômico dos camponeses ("servos"), especialmente no âmbito do sistema econômico da "senhoria" (direitos feudais sobre a terra). Os servos são trabalhadores rurais que estão vinculados à terra, formando a classe social mais baixa da sociedade feudal. Em grande diferença em relação aos escravos, os servos não eram propriedade de ninguém e não podiam ser vendidos, pois não eram como escravos vencidos de guerra, que eram propriedade dos donos. A servidão implica o trabalho forçado dos servos nos campos dos senhores de terras, em troca de proteção e do direito de arrendar terras para subsistência. Parte da colheita é do senhor.
Ademais do trabalho na terra, os servos executavam diversos trabalhos relacionados com agricultura, como silvicultura, transporte (por terra e por rio), artesanato e mesmo manufatura. Na Idade Média também não havia a noção de emprego. A relação trabalhista da época era a relação senhor-servo.
Um servo podia sair das áreas do seu senhor de terras e ir para onde quisesse, desde que não tivesse dívidas a pagar para o senhor de terras.

Notar que
você não será maior
do que sua visão da vida
O que é o mesmo que é sua filosofia.
FILOSOFIA!


segunda-feira, 20 de julho de 2015

0721C DEFOE prova que a pessoa humana tudo deve à sociedade, a vida e o saber

21 DE JULHO.   Robinson Crusoe: náufrago, só, educado, já com técnica da sociedade

DANIEL DEFOE
(nasceu no ano 1660 da nossa era, em Londres; morreu em 1731 em Londres, Inglaterra)

FECUNDO ESCRITOR E JORNALISTA INGLÊS TREZE VEZES POBRE E TREZE VEZES RICO

ESTÉTICA
as artes da linguagem, da afeição e da expressão
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da inteligência e da atividade

A civilização moderna, após o fim da Idade Média, com a queda do papado e do Feudalismo nos anos 1300, criou uma grande variedade na atividade humana, pela liberdade do povo trabalhador, com a indústria e o comércio, com a sistematização do sistema capitalista de liberdade civil. Criou também a saída das artes de dentro das igrejas e dos conventos para os espaços laicos. As artes se libertaram do controle dos teólogos e de seus sacerdotes, como ocorreu com a Filosofia. Em ambos os casos sem luta, gradualmente, sem conflito.
Na modernidade nos encontramos em fase de transição, em tempos de revolução. É a passagem de uma civilização medieval da guerra de defesa para uma civilização pacífica científica e industrial.
Triunfos esplendidos foram conseguidos pelo gênio artístico independente da religião apesar do clima de revolta. É o sinal da potente capacidade da natureza humana de produzir, mesmo em situação de desvantagem, um conjunto glorioso de criações artísticas.
A primeira semana tem Ariosto como chefe, mostrado no domingo último dia da semana. Ali estão autores que criaram pinturas ideais da natureza humana sob todas as suas formas, com a poesia de costumes, mostrada nas suas manifestações da história da sociedade moderna.
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Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

DEFOE [pronúncia Di-fô’ oxítona] era filho de Jacques Foe, um esforçado e próspero fabricante de velas e açougueiro, descendente de belgas. Daniel, mais tarde, adotou o sobrenome de Defoe. Seus pais eram não-conformistas, divergentes da igreja anglicana, e por isso Daniel não pode estudar nas universidades inglesas, todas oficiais. Ele estudou em excelente academia, onde aprendeu várias línguas e onde formou seu estilo literário, claro, simples e fácil na arte de escrever.
Daniel foi destinado a ser um pastor presbiteriano, mas desistiu, e, em 1683 começou a vida de comerciante. Ele chamava o comércio o seu ”amado tema” e foi um dos seus permanentes interesses na vida. Ele trabalhou com vários artigos, para isso viajando no país e no estrangeiro, e tornou-se um versado e agudo conhecedor da economia. A muitos respeitos estava à frente do seu tempo.
Mas os desacertos, os obstáculos, de uma forma ou outra, prejudicavam seus negócios, apesar de seus esforços e de sua inteligência. Ele escreveu sobre sua sorte:
     “nenhum homem tentou tantos negócios diferentes,
      e treze vezes eu fui ora rico, ora pobre.”
De fato, essa foi a dura verdade. Ele enriquecia por um tempo, e logo vinham os prejuízos. Ele tinha a coragem para negócios de risco, mas de muito lucro, e de muita perda. Num dos casos ele bancou o seguro de navios durante a guerra com a França. Ele foi um dos 19 seguradores que se arruinaram pesadamente em 1692. Quando ele tinha uma lucrativa cerâmica de tijolos e telhas perto de Tilbury, a falência veio durante o tempo em que ele ficou preso por questões políticas.
Em 1684 ele casou-se com Mary Tuffley, filha de um rico comerciante não-conformista, que não aceitava a religião anglicana. Esse casamento durou 47 anos e deu-lhe oito filhos, dos quais seis chegaram à maturidade.
Daniel logo se interessou pela política. Quando Guilherme de Orange conquistou a Inglaterra, ele deu as boas vindas a seu exército com um panfleto-“Gulherme, o Glorioso, Grande e Bom”. Durante o seu governo, Daniel tornou-se seu leal adepto, escrevendo como seu principal panfletista. Em 1701, em resposta aos ataques ao rei por ser estrangeiro, Defoe publicou seu forte e inteligente poema “O Verdadeiro Inglês de Nascimento”, um trabalho de grande popularidade ainda atual e relevante ao expor a falsidade do preconceito racial.
O mais famoso e hábil panfleto de Defoe foi o irônico “O Mais Fácil Meio para Acabar com os Não-Conformistas” de 1702. Foi a descrição anônima do melhor método para que os altos dignitários da Igreja Anglicana acabassem com aqueles que dela divergissem. Mas era uma paródia, que, no fim do texto, mostrava que a justificação e a maneira de fazer eram absurdas. Mas os bispos tomaram a sério o panfleto. E ficaram furiosos quando a pilhéria foi exposta. Defoe foi perseguido e preso em 1703.
A produção de Defoe, como autor de novelas, de revistas, como panfletário e jornalista, é enorme, com mais de 500 livros, panfletos e tratados. Sua obra mais conhecida é o Robinson Crusoe, escrita entre 1729 e 1722. Sua leitura, até hoje é altamente recomendável. O aspecto característico de seus textos é a precisa e minuciosa observação da vida, que faz o leitor perceber que resultam de fatos reais.
O náufrago que parece a todos “fora, isolado da sociedade”, no entanto, na verdade, “recebeu tudo da sociedade”. Ele, de fato, tudo aprendeu com a humanidade: seu raciocínio, suas esperanças e seus cuidados, sua habilidade industriosa, os instrumentos com que trabalha. Robinson Crusoe é a prova mais perfeita da impossibilidade de separar o indivíduo como um ser independente da humanidade, do agrupamento humano que lhe deu a vida, lhe deu o sustento, lhe deu a educação. E é, assim, que se percebe que a pessoa humana tudo deve à sociedade. O indivíduo sozinho é uma figura de ficção, é uma abstração, não existe de fato.
E a prova contundente mostrada por Daniel Defoe tem muito mais força porque não é mostrada por um filósofo a defender uma tese teórica, mas é mostrada por um artista, que busca apenas reproduzir a tragédia de um náufrago.
Daniel Defoe se mostra, portanto, depois da Idade Média, como um dos novos formadores de opinião laicos, não religiosos, pode ser respeitado e lembrado para sempre.

AMANHÃ: Primeiro exemplo de poesia histórica com o cavalheirismo elegante da Idade Média: ARIOSTO.




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domingo, 19 de julho de 2015

0720C LA FONTAINE: descrente sem maldade, consciente da fragilidade humana.

20 DE JULHO. La Fontaine: eloqüente, usa a seguir estilo duramente simples, chocante

LA FONTAINE
Jean de La Fontaine
(nasceu no ano 1621 da nossa era, no Château-Thierry, França; morreu em 1695, em Paris)

AUTOR DA GRANDE OBRA PRIMA AS FÁBULAS DA VAIDADE HUMANA

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que prepararam a civilização do futuro.

JEAN DE LA FONTAINE (1621-1695) nasceu em Château-Thierry, na Champagne, onde seu pai era encarregado do Serviço de Águas-e-Florestas. Ele foi educado no Colégio de Reims. Até aos 22 anos foi um jovem normal, quando, então, ficou tão vivamente impressionado pelas poesias de Malherbe, que começou a fazer versos. Seu pai o encorajou nessa arte. Ele sucede a seu pai no cargo, como era costume na época. Ele se casou, mas o casamento não combinava com seu caráter e assim foi por toda a vida. La Fontaine parece ter se libertado das obrigações práticas, tanto na vida particular como na vida pública. Só se relacionava com aqueles que reconheciam o valor de sua criatividade particular. Fora disso, não se importava por ser visto como muito gordo e pouco apropriado à vida em sociedade.
Felizmente ele recebeu o apoio material de que ele tinha necessidade do pequeno número de pessoas que compreenderam seu valor. Entre os primeiros que o apreciaram, deve-se colocar a duquesa de Bouillon e em especial Fouquet, o ambicioso superintendente de finanças cuja carreira terminou de maneira desastrosa. Depois do exílio de Fouquet, La Fontaine viveu por 20 anos na casa de Madame de la Sablière onde ele teve todo o lazer que desejava.
Em 1684, com a morte de Colbert, ele foi eleito para a cadeira dele na Academia Francesa de Letras. Com a morte de Mme. de la Sablière, La Fontaine, que nunca tinha feito qualquer esforço sobre si mesmo para ganhar a vida, passou um momento de necessidades até que o Senhor d’Hervart lhe ofereceu um abrigo, em 1693.
La Fontaine morreu em Paris, em 13 de abril de 1695.
O lugar de La Fontaine na história da poesia está assegurado. Ele possuía ao mais alto grau a arte de fazer uma narrativa comum, familiar, com muita graça e simplicidade. Os seus Contos, imitados de Boccácio e de outros novelistas da última parte da Idade Média, mostram a licenciosidade dos textos originais e não são recomendáveis para todo tipo de leitor.
Sua Fábulas são as mesmas de Fedro e de Esopo, mas contadas, agora, com uma formosura deliciosa que só pode ser encontrada em La Fontaine, que tornou as narrativas imortais. Nas fábulas posteriores, ele fez a sátira aos nobres da corte real, dos burocratas, da igreja, dos novos ricos, ou seja, satiriza toda a representação humana.
La Fontaine era um cético descrente, mas sem maldade, consciente da fragilidade humana e de sua ambição. Os seus temas satíricos permitiam uma distensão da linguagem poética. Ele podia, assim, ser eloqüente ao debochar da eloqüência, ou, em contraste, usar a seguir um estilo duramente simples. Essa variação de tonalidade e de estilo pode ser vista em seus textos.
La Fontaine influenciou muitos escritores mais modernos. Seu estilo é vivo e a narração é feita com arte, mostrando a filosofia de vida do autor. Seus contos e novelas vêm de fontes como o Decameron de Baccácio e o Heptameron de Margaret de Navarra. Mas a sua narrativa é muito diferente, apresentando rara inteligência e vivacidade. Ele escreveu também outros trabalhos, com poemas, libretos para ópera, peças teatrais e contos em verso e prosa do Os amores de Cupido e Psiquê.
A linguagem de La Fontaine é de uma pureza preciosa, sem ter o classicismo exageradamente ornado de seu tempo. La Fontaine inventou um estilo particular que ficou famoso para sempre.


AMANHÃ: Robinson Crusoe - é impossível viver o indivíduo sem a sociedade: Daniel Defoe.




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 0720C   LA FONTAINE: descrente sem maldade, consciente da fragilidade humana.

20 DE JULHO. La Fontaine: eloqüente, usa a seguir estilo duramente simples, chocante

LA FONTAINE
Jean de La Fontaine
(nasceu no ano 1621 da nossa era, no Château-Thierry, França; morreu em 1695, em Paris)

AUTOR DA GRANDE OBRA PRIMA AS FÁBULAS DA VAIDADE HUMANA

ESTÉTICA
as artes da linguagem, da afeição e da expressão
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da inteligência e da atividade

Ver em 0716 01 C   O QUADRO DO MÊS DANTE, A EPOPÉIA MODERNA, com todos os grandes tipos humanos do mês.

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

JEAN DE LA FONTAINE (1621-1695) nasceu em Château-Thierry, na Champagne, onde seu pai era encarregado do Serviço de Águas-e-Florestas. Ele foi educado no Colégio de Reims. Até aos 22 anos foi um jovem normal, quando, então, ficou tão vivamente impressionado pelas poesias de Malherbe, que começou a fazer versos. Seu pai o encorajou nessa arte. Ele sucede a seu pai no cargo, como era costume na época. Ele se casou, mas o casamento não combinava com seu caráter e assim foi por toda a vida. La Fontaine parece ter se libertado das obrigações práticas, tanto na vida particular como na vida pública. Só se relacionava com aqueles que reconheciam o valor de sua criatividade particular. Fora disso, não se importava por ser visto como muito gordo e pouco apropriado à vida em sociedade.
Felizmente ele recebeu o apoio material de que ele tinha necessidade do pequeno número de pessoas que compreenderam seu valor. Entre os primeiros que o apreciaram, deve-se colocar a duquesa de Bouillon e em especial Fouquet, o ambicioso superintendente de finanças cuja carreira terminou de maneira desastrosa. Depois do exílio de Fouquet, La Fontaine viveu por 20 anos na casa de Madame de la Sablière onde ele teve todo o lazer que desejava.
Em 1684, com a morte de Colbert, ele foi eleito para a cadeira dele na Academia Francesa de Letras. Com a morte de Mme. de la Sablière, La Fontaine, que nunca tinha feito qualquer esforço sobre si mesmo para ganhar a vida, passou um momento de necessidades até que o Senhor d’Hervart lhe ofereceu um abrigo, em 1693.
La Fontaine morreu em Paris, em 13 de abril de 1695.
O lugar de La Fontaine na história da poesia está assegurado. Ele possuía ao mais alto grau a arte de fazer uma narrativa comum, familiar, com muita graça e simplicidade. Os seus Contos, imitados de Boccácio e de outros novelistas da última parte da Idade Média, mostram a licenciosidade dos textos originais e não são recomendáveis para todo tipo de leitor.
Sua Fábulas são as mesmas de Fedro e de Esopo, mas contadas, agora, com uma formosura deliciosa que só pode ser encontrada em La Fontaine, que tornou as narrativas imortais. Nas fábulas posteriores, ele fez a sátira aos nobres da corte real, dos burocratas, da igreja, dos novos ricos, ou seja, satiriza toda a representação humana.
La Fontaine era um cético descrente, mas sem maldade, consciente da fragilidade humana e de sua ambição. Os seus temas satíricos permitiam uma distensão da linguagem poética. Ele podia, assim, ser eloqüente ao debochar da eloqüência, ou, em contraste, usar a seguir um estilo duramente simples. Essa variação de tonalidade e de estilo pode ser vista em seus textos.
La Fontaine influenciou muitos escritores mais modernos. Seu estilo é vivo e a narração é feita com arte, mostrando a filosofia de vida do autor. Seus contos e novelas vêm de fontes como o Decameron de Baccácio e o Heptameron de Margaret de Navarra. Mas a sua narrativa é muito diferente, apresentando rara inteligência e vivacidade. Ele escreveu também outros trabalhos, com poemas, libretos para ópera, peças teatrais e contos em verso e prosa do Os amores de Cupido e Psiquê.
A linguagem de La Fontaine é de uma pureza preciosa, sem ter o classicismo exageradamente ornado de seu tempo. La Fontaine inventou um estilo particular que ficou famoso para sempre.


AMANHÃ: Robinson Crusoe - é impossível viver o indivíduo sem a sociedade: Daniel Defoe.




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sexta-feira, 17 de julho de 2015

0719C CERVANTES em o D. Quixote identifica duas psicoses: a loucura e a idiotia

19 DE JULHO. Cervantes: estilo eloqüente e sábio para o povo nos problemas reais


CERVANTES
Miguel de Cervantes Saavedra
(nasceu no ano 1547, em Alcalá de Henares, Espanha; morreu em 1616, em Madrid)

LOUCURA DE DON QUIXOTE E IDIOTIA DE SANCHO PANÇA ANTECIPAM A PSICOLOGIA MODERNA


ESTÉTICA
as artes da linguagem, da afeição e da expressão
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da inteligência e da atividade

A primeira semana tem Ariosto como chefe, mostrado no domingo último dia da semana. Ali estão autores que criaram pinturas ideais da natureza humana sob todas as suas formas, com a poesia de costumes, mostrada nas suas manifestações da história da sociedade moderna.

Ver em 0716 01 C   O QUADRO DO MÊS DANTE, A EPOPÉIA MODERNA, com todos os grandes tipos humanos do mês.

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.


         CERVANTES nasceu em 9 de outubro de 1547 em Alcalá de Henares, perto de Madrid, Espanha, numa antiga família de Castela. Estudou dois anos na
universidade de Salamanca e depois em Madrid.
         Na grande batalha de Lepanto em 1571, Cervantes se destacou e foi gravemente ferido. Quando em viagem, ele foi aprisionado pelos mouros, em 1576. Ficou três anos cativo e escravizado na Algéria, até que foi libertado com pagamento de resgate. Casou-se em 1581, dedicando-se à literatura em Valadolid e em Madrid.
Inicialmente fez ensaios na redação de dramas. Continuou produzindo numerosas obras menores. Cervantes começou a primeira parte do Dom Quixote e a publicou em 1605, conquistando grande popularidade. Em 1615 ele publicou a segunda parte da obra. Cervantes morreu em 1616, no mesmo ano da morte de Shakespeare.
A grande obra de Cervantes, oferecendo grande prazer à leitura, é cheia de sabedoria. Um escritor é grande de fato, quando, dentro de seu gênero, mostra um saber de valor para que o público possa resolver os difíceis problemas da vida e da natureza humana. A história de Dom Quixote fornece a explicação para as duas formas de doença mental dentro dessa obra-prima da literatura universal. O autor mostra de um lado a agitação da loucura do cavaleiro e de outro lado a imobilidade da idiotice de seu escudeiro. Um tem suas imagens interiores mais fortes do que as da realidade. Sancho Pança, ao contrário, não elabora em cima das imagens que observa na vida real.
Para Dom Quixote há um excesso na ação da imaginação em relação às informações recebidas pelos sentidos, no estado de loucura. Para Sancho, ao contrário, as imagens do exterior, recebidas pelos sentidos, se impõem, impedindo o exercício da imaginação, levando ao estado de idiotia. A saúde mental é obtida quando as imagens exteriores são mais nítidas do que a imagens interiores, memorizadas pela mente. E, com a saúde mental, as imagens interiores não são totalmente anuladas pela observação exterior, sendo menos nítidas e menos fortes.
Na loucura a imaginação vence a observação. A imaginação registra e usa, a seu modo, as imagens que são vistas, as sonoras que são ouvidas e outras, todas internas ao cérebro. A pessoa então confunde o que percebe com aquilo que imagina. O imaginário é tomado como sendo a realidade. Aquilo que Dom Quixote pensa, ele toma como real. Ele está diante de um grande moinho de vento, com suas enormes pás, mas o que Quixote vê é o gigante que faz na imaginação, e que deve ser vencido.
No caso de Sancho Pança, o outro modo acontece. O que ele vê, o que sente, as imagens que percebe, se sobrepõe a todo o pensamento. A imaginação não usa as imagens recebidas do mundo real. Não há processamento das percepções. Há uma paralisia no pensamento. Nesse caso, a imaginação, a criação de novas idéias não se faz. A pessoa não reage às situações, ou reage muito lentamente.
É notável como a arte de Cervantes se antecipa ao conhecimento das funções do cérebro, na moderna psicologia. A produção literária de Cervantes é riquíssima, relacionada em longa relação de obras. Inclui prosa, com pastorais, novelas e o Don Quixote, além de drama, com tragédias e comédias, sendo numerosas as obras em poesia. A fama de Cervantes é universal, aparecendo continuamente hoje, no teatro, em filmes, na ópera, no balet e até em espetáculos cômicos. Cervantes é tido como o autor da primeira grande novela da literatura mundial, e ainda como o fundador da literatura de língua espanhola.
Cervantes mostrou em sua obra grande simpatia em relação ao papel social da mulher, e numerosos papeis femininos como Marcela e Dorotea no Don Quixote e Isabela Castrucho em Persiles y Sigismunda expressam de fato a defesa da posição da mulher na sociedade.
Mas, para sempre, Cervantes será considerado o maior dos grandes autores espanhóis, com sua obra-prima Don Quixote. Em razão de seu estilo eloqüente e notável visão, Cervantes recebeu um aplauso universal comparável ao que foi dado a grandes nomes como Homero, como Dante Alighieri ou como William Shakespeare.

AMANHÃ: Um cético descrente sem maldade, consciente da fragilidade humana: La Fontaine.




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0718C RABELAIS: padre humanist, anti-religioso, no elogio das luzes da educação

18 DE JULHO:   RABELAIS fazia rir dos sofismas, do obscurantismo hermético religioso

RABELAIS
François Rabelais, Alcofribas Nasier em pseudônimo
(nasceu no ano 1494 da nossa era, em Poitou, França; morreu em 1553, em Paris)

PADRE E MÉDICO PIONEIRO DO HUMANISMO ANTI-RELIGIOSO NA EDUCAÇÃO E NA CIÊNCIA

Estética, as artes da linguagem, da afeição e da expressão.
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da atividade e da inteligência.

A civilização moderna, após o fim da Idade Média, com a queda do papado e do Feudalismo nos anos 1300, criou uma grande variedade na atividade humana, pela liberdade do povo trabalhador, com a indústria e o comércio, com a sistematização do sistema capitalista de liberdade civil. Criou também a saída das artes de dentro das igrejas e dos conventos para os espaços laicos. As artes se libertaram do controle dos teólogos e de seus sacerdotes, como ocorreu com a Filosofia. Em ambos os casos sem luta, gradualmente, sem conflito.
Na modernidade nos encontramos em fase de transição, em tempos de revolução. É a passagem de uma civilização medieval da guerra de defesa para uma civilização pacífica científica e industrial.
Triunfos esplendidos foram conseguidos pelo gênio artístico independente da religião apesar do clima de revolta. É o sinal da potente capacidade da natureza humana de produzir, mesmo em situação de desvantagem, um conjunto glorioso de criações artísticas.
A primeira semana tem Ariosto como chefe, mostrado no domingo último dia da semana. Ali estão autores que criaram pinturas ideais da natureza humana sob todas as suas formas, com a poesia de costumes, mostrada nas suas manifestações da história da sociedade moderna.

Ver em 0716 01 C   O QUADRO DO MÊS DANTE, A EPOPÉIA MODERNA, com todos os grandes tipos humanos do mês.

NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

RABELAIS (1494-1553). Padre e escritor, Rabelais foi um ilustre pensador, consagrado por sua obra-prima Gargântua e Pantagruel. Ele foi dos primeiros a difundir os novos ideais do humanismo anti-religioso, fazendo o elogio da educação, e recomendando que se beba da “sagrada garrafa” do saber e das luzes.
RABELAIS nasceu em Chinon, Touraine, França, cerca de 1490. Seu pai era um rico dono de hospedaria que o colocou num convento de frades beneditinos para estudar. Mais tarde, ele foi para um monastério franciscano de Fontenay-le-Comte, onde foi ordenado como padre em 1511.
Seus estudos brilhantes, especialmente na língua grega, junto com seu espírito de deboche, fizeram o ciúme e a ira dos frades, que o condenaram à prisão perpétua. Ele foi libertado pela intervenção enérgica do Tenente-general do distrito, ele obtendo do papa Clemente VII em 1524 a permissão de entrar numa abadia de beneditinos, onde não se demorou muito.
Mas a perseguição se tornou cada vez mais ameaçadora e ele deixou o lugar e foi, em 1530, para Montpelier, então uma das primeiras escolas de medicina da Europa. Ele tomou parte nas lições públicas sobre medicina, em especial sobre os autores da Grécia e recebeu o grau de bacharel apenas um mês depois de sua matrícula.
Em seguida, foi para Lion, onde se encarregou de editar e de publicar diferentes obras, particularmente as de Hipócrates e de Galeno, mantendo uma ativa correspondência com os sábios da época. Foi em Lion que ele pensou em escrever sua obra famosa, o Pantagruel. Continuando essa idéia de ridicularizar as histórias inúteis dos romances de cavalaria, idéia que Cervantes depois desenvolveu. Ele se serviu da caricatura para satirizar as loucuras, o pedantismo e a falsa religiosidade de seu tempo. Rabelais usou os novos conhecimentos científicos que iluminavam a Europa para fazer essa caricatura. E ele foi um dos primeiros a sentir e a divulgar o novo espírito das luzes do saber.
A audácia dos ataques contra o papado levaria Rabelais a ser queimado vivo na fogueira se não fosse a intervenção do rei Francisco I e de outros amigos influentes. Um grande número de altos sacerdotes franceses foi a favor do espírito da reforma protestante. Mas Rabelais logo percebeu claramente que a nova reconstrução protestante de Calvino ameaçava instalar outra tirania espiritual religiosa tão dura quanto a tirania antiga e ainda menos social do que a antiga. Ele, atacando as duas ao mesmo tempo, não deixava margem a nenhuma onde se abrigar.
Rabelais publicou sua obra aos poucos, com longos intervalos. A segunda publicação ocorreu em 1533, com o início do Pantagruel. A primeira parte saiu no ano seguinte. O terceiro livro só foi publicado em 1546 e o quarto somente cinco anos mais tarde. O quinto livro só saiu após a sua morte.
Seus textos mostram um uso abundante do idioma francês da renascença, com um notável resultado, no burlesco e na sátira. Com o pseudônimo de Alcofribas Nasier ele publicou “As horríveis e espantosas façanhas e proezas do muito renomado Pantagruel, rei dos Dipsodes” em 1534. Nada com essa apreciada qualidade foi feito antes, em francês, nesse gênero. No estilo do falso herói, do romance da cavalaria, ele fazia rir de todo tipo de sofisma, de obscurantismo religioso, de hermetismo e secretismo, além de rir do escolasticismo da Sorbonne.
Para evitar as perseguições que se preparavam contra ele, Rabelais se refugiou em Roma, onde seu amigo o cardeal Du Bellay estava com poder. O cardeal conseguiu do papa Paulo III o perdão das penas canônicas que cometeu ao violar os seus votos de monge.
Voltando a Montpelier, ele recebeu o título de médico, com que ele pode clinicar em várias partes da França. Rabelais passou os seus últimos anos de vida como pároco de Meudon, perto de Paris, sempre muito festejado pelos grandes sábios de seu tempo.
Ele morreu em Paris em 1553, conservando até sua última hora o mesmo espírito crítico. Pela tradição, quando recebeu o sacramento da extrema-unção, ele teria dito: “Minhas botas estão prontas para a grande viagem”. E juntou: “Eu vou procurar o grande Pode Ser”.
Rabelais mostra claramente como o catolicismo, com a formação de seu cuidadoso sistema de ensino construiu o fundamento do espírito das luzes no saber da modernidade, sendo seus próprios sacerdotes os primeiros pesquisadores da ciência. Apesar disso, em parte, certos teólogos cristãos tentaram impedir o progresso científico, ao ver na ciência a grande adversária da doutrina teológica.


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