sexta-feira, 7 de agosto de 2015

0808C Mme de LAFAYETTE o romance moderno com análise psicológica profunda

08 DE AGOSTO. Madame de La Fayette: ação dos problemas íntimos pessoais na política

MADAME DE LA FAYETTE
Marie Magdelaine Pioche de la Vergne, Condessa de La Fayette
(nasceu em 1634, morreu em 1693)

PRIMEIRA ROMANCISTA DO REALISMO PSICOLÓGICO NA REVOLUÇÃO MENTAL MODERNA

GRANDE POETA FLORENTINO FUNDADOR DA RENASCENÇA CLÁSSICA NA ITÁLIA

ESTÉTICA
as artes da linguagem, da afeição e da expressão
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da inteligência e da atividade

Nesta quarta semana a poesia dos sentimentos domina a semana. Aqui estão os líricos, os místicos, panteístas, os poetas da mente humana em todas as suas manifestações e suas emoções, desde Tomás de Kempis e Bunyan até Byron e Shelley.
Ver em 0716 1 C   O QUADRO DO MÊS DANTE, A EPOPÉIA MODERNA, com os grandes tipos humanos do mês.

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Madame de La Fayette (1634-1693) nasceu em Paris em 1634. Seu nome de família era Marie Magdelaine Pioche de la Vergne.
Destacava-se por sua beleza e sua graça bem como pela forma atraente de suas maneiras e a delicadeza de seu espírito. Logo ela se tornou uma das mais brilhantes damas entre as brilhantes damas da sociedade que se reuniam no palácio de Rambouillet.
Ela casou-se em 1655 com o conde de La Fayette, que faleceu pouco depois. Ela cercou-se de boas amizades e se dedicou à literatura. Escreveu várias obras, entre elas a mais importante sendo A PRINCESA DE CLEVES, publicada anonimamente em 1678. Madame de La Fayette morreu em 1693.
A PRINCESA DE CLEVES forma um só volume de pequeno formato. Algumas personagens são históricas. A cena se passa na corte do rei Henrique II. Madame de La Fayette é a própria heroína e seu marido é o príncipe de Cleves. O trágico dilema da heroína, a bela e vivaz Madame de Cleves, uma mulher a quem seu enamorado marido oferece a felicidade. Mas a heroína é compelida a rejeitar a felicidade ao seu alcance. O seu amor pelo Duque de Nemours se torna uma paixão mais forte do que qualquer seu desejo de ter a felicidade.
O romance, escrito há mais de trezentos anos, transporta o leitor para a corte do rei de França nos anos 1600, no século 17. Nessa época, o amor está sempre ligado à política e a política ligada ao amor. Ninguém poderia ficar distraído e parado, porque cada um calculava como avançar, como elogiar, como servir ou como agredir. Tristeza e preguiça eram impossíveis. Todos estavam empenhados na intriga ou na busca do prazer.
A narrativa mostra uma notavelmente bela e jovem mulher, educada em recato e colocada na corte do rei na idade de casar. Casada como o príncipe de Cleves, é muito feliz. O marido é poderoso, amoroso homem apaixonado por ela e desejoso de que ela lhe correspondesse o seu amor.
No entanto, a Madame de Cleves fica apaixonada pelo Duque de Nemours, um homem nascido com todas as qualidades para a vida na corte e para conseguir todo o sucesso.
Tudo é descrito ao pormenor, cartas perdidas, mensagens sussurradas, auto censura enquanto a Madame de Cleves procura vencer a forte tentação e tenta manter-se uma dama virtuosa.
A obsessão dessas personalidades parece exagerada, mas a autora coloca a narrativa dentro de um amplo contexto histórico, que mostra a extraordinária influência desses problemas íntimos pessoais sobre a política de governo do reino. O livro dá uma visão em pormenor da vida pessoal do rei Henrique XIII, de Mary Stuart, da rainha Elizabeth e de outras figuras. O que é feito pela autora ao mostrar a Madame de Cleves e ao leitor a moralidade e o manejo político de seu tempo e de sua classe.
O enredo de A PRINCESA DE CLEVES parece ser um romance da desilusão com o amor. Mas é essencialmente um estudo de realismo psicológico das personalidades envolvidas, realizado com firmeza e habilidade.
O romance é a primeira novela francesa e já tem o caráter moderno e bem francês por fazer uma análise psicológica profunda. Ele mantém a pureza da linguagem e mostra uma simplicidade clássica na construção da narrativa.
Ali se vê o primeiro ensaio do romance moderno onde tudo poderia ser verdade, sendo finamente estudado na própria natureza do drama. A obra mostra claramente um contraste com as antigas narrativas de aventura e de romances da Idade Média.
Pertence a Madame de La Fayette, então, o mérito de haver criado uma nova arte, um campo da cultura em que as mulheres continuaram a ser excelentes. A PRINCESA DE CLEVES é, hoje, considerada como um marco na história da literatura de autoria feminina.
È necessário notar que A PRINCESA DE CLEVES é notável pela elevação do sentimento e a delicadeza das observações, ao mesmo tempo em que se destaca pela graça e pela pureza da linguagem.
A obra é recomendada até hoje, para leitura, na qualidade de primeiro romance francês com o estudo do caráter psicológico dos personagens.

AMANHÃ: Trabalhou como homem e padre em favor do trabalhador pobre: Fenelon.




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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

0807C TOMÁS DE KEMPIS: estilo simples mostra o bem e a felicidade fora do egoísmo

07 DE AGOSTO: T. Kempis: a sabedoria na busca da perfeição na moralidade humana

TOMÁS DE KEMPIS
Thomas À Kempis, Thomas Hemerken
(nasceu em 1380, em Kempen, perto de Düsseldorf, Alemanha; morreu em 1471, em Agnietenberg, Utrecht, Holanda)

MONGE AUTOR DA IMITAÇÃO DE CRISTO O MAIS IMPORTANTE DEVOCIONÁRIO DO CATOLICISMO

ESTÉTICA
as artes da linguagem, da afeição e da expressão
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da inteligência e da atividade

Nesta quarta semana a poesia dos sentimentos domina a semana. Aqui estão os líricos, os místicos, panteístas, os poetas da mente humana em todas as suas manifestações e suas emoções, desde Tomás de Kempis e Bunyan até Byron Shelley.
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TOMÁS DE KEMPIS (1380-1471) nasceu de uma família humilde em Kempen, perto de Dusseldorf, em 1380. O nome original era Thomas Hemerken ou Haemmerlein, pequeno martelo.
Aos 12 anos ele entrou como estudante na casa dos “Irmãos da Vida Comum” em Deventer. Em 1406 tornou-se cônego regular da ordem de Santo Agostinho no monastério dos Irmãos de S.Agnes perto de Zwoll, junto ao monte de S.Agnes, na Holanda, onde foi ordenado padre e onde passou o resto de sua longa existência.
Suas principais ocupações consistiam na cópia de livros, o ensino para os noviços, a prédica. Ele fez também as biografias dos primeiros padres e irmãos da “Irmandade da Vida Comum” e compôs livros de devoção. Tomás morreu na idade avançada de 91 anos, em 1471.
O livro famoso de Tomás de Kempis tem na frente de seu primeiro capítulo o título de
   “A Imitação de Jesus-Cristo”. Uma cópia escrita à mão, sem qualquer dúvida pelo próprio Tomás, tem a data de 1441. Está na biblioteca real de Bruxelas e é considerado hoje como o texto original da IMITAÇÃO.
Até nossos dias, a leitura da IMITAÇÃO é recomendada, tanto no texto em latim como na tradução em verso feita por Pierre Corneille. No ponto de vista histórico, ela deve ser considerada como um resumo final da sabedoria moral do catolicismo, surgido naturalmente da classe dos monges, que escapou, mais do que todas, das tendências do humanismo clássico que imperava nos anos 1400, no século 15, da admiração pela cultura da Grécia e da Roma antiga.
Escrito por um monge, o livro estava destinado originalmente para a disciplina diária e edificação do autor e dos outros monges. Mas a simplicidade de seu objetivo, sua serena e profunda sinceridade e sua beleza de sentimento, tem servido aos mesmos fins a todos os católicos, e, em geral, a todos os cristãos e é útil a todas as pessoas. Pode-se considerar a IMITAÇÃO uma obra artística, estética, uma fiel pintura da natureza moral do homem.
Nenhum outro livro encontrou uma acolhida tão extensa e tão diversificada como a IMITAÇÃO. Ele foi adotado tanto por protestantes como pelos católicos, é lido por agnósticos e pelos livre-pensadores. Foi traduzido para todas as línguas civilizadas e continua sendo o mais belo dos livros de devoção que nós possuímos.
A IMITAÇÃO conta num estilo simples e pitoresco as provações de uma alma devota, os longos esforços, o desejo ardente de perfeição, a consolação da vida fora do amor a si mesmo, fora do egoísmo.
Conhecendo e apreciando essa bela herança da religiosidade de nossos avós, devemos sentir como faz bem essa grande lição de altruísmo, na pureza e na ternura.


AMANHÃ: A criadora de uma nova literatura de autoria feminina: Madame de La Fayette.



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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

0806C PETRARCA o soneto moderno em novo formato com clássicos gregos e romanos

06 DE AGOSTO: PETRARCA na modernização da poesia e na influência feminina na arte

COMEÇA A
QUARTA SEMANA DO 8º MÊS  EPOPÉIA MODERNA
COM
PETRARCA
Francesco di Parenzo Petrarca, Petrarch
(nasceu em 1304 em Arezzo, Toscana, Itália: morreu em 1374, em Arquà, perto de Pádua, Carrara, Itália)

GRANDE POETA FLORENTINO FUNDADOR DA RENASCENÇA CLÁSSICA NA ITÁLIA

ESTÉTICA
as artes da linguagem, da afeição e da expressão
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da inteligência e da atividade

A Idade Média promoveu a liberdade do povo trabalhador, com a indústria e o comércio livre, com a sistematização do sistema capitalista de liberdade civil. A civilização moderna, após o fim da civilização medieval, com a queda do papado e do Feudalismo nos anos 1300, criou uma grande variedade na atividade humana. A secularização fez a saída do ensino e das artes de dentro das igrejas e dos conventos para os espaços laicos. As artes se libertaram do controle dos teólogos e de seus sacerdotes, como ocorreu com a Filosofia. Em ambos os casos sem luta, gradualmente, sem conflito.
Na modernidade nos encontramos em fase de transição, em tempos de revolução sem a unanimidade cristã da Idade Média. É a passagem de uma civilização medieval da guerra de defesa para uma civilização pacífica científica e industrial.
Triunfos esplendidos foram conseguidos pelo gênio artístico aos poucos se afastando da religião, apesar do clima de revolta. É o sinal da potente capacidade da natureza humana de produzir, mesmo em situação de desvantagem, um conjunto glorioso de criações artísticas.
Nesta quarta semana a poesia dos sentimentos domina a semana. Aqui estão os líricos, os místicos, panteístas, os poetas da mente humana em todas as suas manifestações e suas emoções, desde Tomás de Kempis e Bunyan até Byron e Shelley. O chefe de semana é Milton.
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FRANCESCO PETRARCA (1304-1374) nasceu em Arezzo na Toscana. Seu pai foi Pietro de Parenzo, chamado de Petrarco, que era tabelião no tribunal de Florença. O pai foi banido de sua cidade por fazer parte do partido Branco, pelo mesmo decreto de 1302 que exilou Dante. Francesco nasceu em Arezzo durante o exílio de seu pai. Ele estudou em Florença e em Pisa, indo depois para Avignon, que estava então governada pelo rei de Nápoles e era a sede do papa, então expulso de Roma.
Desde sua infância, Petrarca se dedicou com paixão ao estudo literário. Estudou em Montpelier e em Bolonha e mudou seu nome para Petrarca. Quando seu pai morreu, ele retornou a Avignon e entrou para a igreja tomando as ordens menores de religioso e tornou-se um protegido do influente cardeal Giovanni Colonna. Ficou logo conhecido por seu grande saber e pela elegância de sua cultura.
Durante 14 anos, o brilhante estudante se absorveu pelas letras latinas e pela poesia lírica, vivendo em Avignon ou se retirando para perto de Vaucluse e fazendo viagens a Paris, Flandres, ao Reno e a Roma.
Petrarca tinha 23 anos quando se encontrou pela primeira vez com Laura, a misteriosa inspiradora de toda sua vida, a quem ele endereçou seus SONETOS. Não se conhece quem era a dama desconhecida que foi o alvo de seu amor. Sabe-se que ela era casada, de boa reputação. O poeta não parou de ter por ela uma ardente paixão durante 20 anos, até que ela morreu em 1348.
Com a idade de 35 anos,
“NEL MEZZO DEL CAMMIN DI SUA VITA” (no meio do caminho de sua vida), Petrarca foi coroado como poeta laureado em Roma, no Capitólio.
Depois dessa época o poeta passou sua vida nas cortes, em embaixadas, nas sociedades cultas da Itália, em correspondência contínua com os sábios de todos os países ou em seu retiro campestre de Vaucluse e de Arquà, perto de Pádua.
Petrarca tinha um grupo de amigos literários e de protetores entre os nobres e reis. Colecionava manuscritos antigos, clássicos, moedas, livros e produziu uma série extraordinária de cartas, epopéias, tratados, ensaios, discursos e meditações filosóficas.
Ele foi encontrado morto no meio de seus livros, em julho de 1374, aos 70 anos de idade. Seus restos repousam num sarcófago de mármore vermelho que se pode ver, bem como sua casa, na vila de Arquà que domina a planície arborizada entorno de Pádua.
Petrarca foi, a todos os respeitos, o primeiro e o melhor dos humanistas, o verdadeiro inspirador da renascença clássica, o fundador da literatura realmente moderna.
Muito apreciado é o verso de seus “SONETOS” em que Petrarca exalta a influência feminina sobre seu admirador: ...aquela dama que
         “OGNI BASSO PENSIER DAL COR M’AVULSE”,
ou seja, aquela dama “que me tira do coração todo baixo pensamento”.
Petrarca com justiça considerado o primeiro poeta moderno, aperfeiçoou o formato do soneto e influenciou profundamente a arte poética. Foi também um dos primeiros humanistas a fazer justiça à cultura dos gregos e dos romanos antigos, trazendo para a modernidade muitos dos autores clássicos esquecidos.
Ele é o membro da nova classe de formadores de opinião surgida após a Idade Média, ao fazer a direção da produção e divulgação do conhecimento antes realizada pelos sacerdotes cristãos, os respeitáveis promotores da cultura medieval. Notando-se que os próprios padres promoveram a necessária mudança.

AMANHÃ: Autor religioso católico adotado por protestantes, agnósticos e até por livre-pensadores:Tomás de Kempis.




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terça-feira, 4 de agosto de 2015

0805C TASSO: o poema épico da conquista do sepulcro de Cristo em Jerusalém

05 DE AGOSTO. TASSO: a criação lírica e feliz no poema da tomada de Jerusalem

TASSO
Torquato Tasso
(nasceu em 1544, em Sorriento, Nápoles; morreu em 1595 em Roma)
GRANDE POETA DA RENASCENÇA NA ITÁLIA, AUTOR DE GERUSALEMME LIBERATA

ESTÉTICA
as artes da linguagem, da afeição e da expressão
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da inteligência e da atividade
Nesta terceira semana o tipo destacado como chefe de semana é Tasso. Ele tem seu dia no domingo, último dia da semana. Aqui é relembrada a criação da poesia do espírito cavalheiresco medieval, à idealização das virtudes da cavalaria e aos romances de aventura.
Ver em 0716 01 C   O QUADRO DO MÊS DANTE, A EPOPÉIA MODERNA, com grandes tipos humanos do mês.


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TASSO (1544-1595) nasceu de família nobre, desde os anos 1200 fixada em Bérgamo. Ele descendia em linha direta do chefe do ramo mais antigo. Seu pai era Bernardo Tasso, um poeta destacado, soldado, nobre e diplomata, tendo sido secretário do príncipe de Salerno, servindo em várias embaixadas e em diferentes cortes reais. Sua mãe era Porzia de Rossi, de família nobre de Pistoia. O poeta nasceu no ano de 1544, em Sorriento, num palácio situado junto ao golfo de Nápoles.
Tasso foi um infante de precocidade extraordinária, uma juventude de viagens e uma educação variada como estudante de direito em Pádua e em Bolonha. Tornou-se um nobre e um poeta da corte, como era usual na época, para os jovens bem nascidos e de boa cultura.
Tasso tinha só 18 anos quando foi publicado RINALDO, que provocou logo a admiração geral por suas qualidades de poeta. Com a idade de 21 anos o jovem gênio foi recebido pela corte de Ferrara, onde o duque Alphonse e suas duas irmãs Lucrécia e Leonor d’Este acolheram com bondade o belo, gracioso e cavalheiresco jovem. Durante vários anos ele viveu na intimidade das duas belas princesas. Publicou aos 29 anos a poesia lírica e terna de AMINTE. A seguir terminou sua grande obra-prima, o poema JERUSALÉM LIBERTADA, aos 31 anos, em 1575. Embora completada, Jerusalém só foi publicada seis anos mais tarde.
No épico poema, Tasso faz a narrativa da ação do exército cristão conduzido por Godofredo de Bouillon, durante os últimos meses da Primeira Cruzada, que culminou com a conquista de Jerusalém e com a batalha de Ascalon. Ao principal tema histórico Tasso somou um número de episódios imaginários em que sua criação lírica e prazerosa teve livre expressão.
O mais destacado desses episódios é a história do herói italiano Rinaldo, incluindo sua rebelião, seu amor pela jovem sarracena Armida e seu arrependimento, com a participação na batalha final da Cruzada.
Tasso também incluiu a história do herói italiano Tancredo e o seu amor pela bela sarracena Clorinda, a quem Tancredo, sem saber, mata em inocência durante a batalha. Conta também a paixão secreta de Ermínia, princesa de Antióquia por Tancredo e a intervenção das forças sobrenaturais em favor de Aladino, o rei de Jerusalém.
Na composição de sua obra-prima, Tasso tentou estabelecer um equilíbrio entre as aspirações morais de seu tempo e sua própria inspiração sensual. Também tentou equilibrar as normas formais estabelecidas para a poesia épica pela tradição da Renascença e o impulso de sua própria fantasia.
O êxito de Tasso se deve ao reconciliar a sua invenção com a verdade histórica pela colocação dos casos românticos e idílicos no fundo firme da principal ação histórica. Os episódios colocados no poema é que produzem o encanto que a obra possui.
Tasso ficou preocupado com a liberdade poética que tomou no poema, em razão da violenta censura da contra-reforma. Achou por bem procurar em Roma a leitura da obra por um grupo de críticos. Ele voltou para Ferrara para revisar sua obra. Mas acabou vítima da preocupação em escolher entre aceitar a crítica que havia recebido e a rebeldia que sentia contra a autoridade dos críticos. Tornou-se acometido de certa insanidade mental, que o deixava triste, sensível e receoso. Tornou-se moroso, irritável, sofrendo de alucinações. Passou a levantar conflitos literários e pessoais que o tornaram intolerável mesmo para seus melhores amigos. Uma crise mais violenta obrigou ao duque de Ferrara, seu protetor, a colocá-lo num hospital de alienados de Santa Anna, onde ficou por sete anos, de 1579 a 1586.
Em julho de 1586, foi dispensado do hospital, graças à intervenção do príncipe de Mantua. Depois Tasso compôs uma tragédia poética, Torrismondo, em 1586. Em 1593 foi publicada a revisão de sua Jerusalém, obedecendo ao julgamento de seus críticos. O resultado não foi bem aceito pelo público.
Em 1594 foram feitos planos para fazer a coroação de Tasso em Roma, pelo papa, como poeta laureado. Mas Tasso morreu em 1595, antes que fosse realizada sua coroação.
Tasso sofreu com a repressão feita pela Igreja Católica no movimento da contra-reforma. Os anos que se seguiram a 1550 viram uma onda de religiosidade obrigatória e de submissão à autoridade que suprimiu a franca alegria e exploração da vida dos humanistas e seus sucessores.
Apesar do clima de opressão violenta, Torquato Tasso conseguiu produzir sua notável obra-prima, GERUSALEMME LIBERATA, um belo tratamento da Primeira Cruzada.
Tasso é, para sempre, o grande e genial poeta da renascença na Itália.

AMANHÃ: O primeiro poeta moderno com novo soneto: PETRARCA.




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0804C MANZONI romance de um simpático quadro de noivos proibidos de casar

04 DE AGOSTO. Manzoni: a religião como conforto e inspiração de elevada moral

MANZONI
Manzoni, Alessandro Francesco Tommaso Antonio
(nasceu em 1785, em Milão, morreu em 1873, em Milão)

FUNDADOR DO ROMANCE DA CAVALARIA MEDIEVAL NA ITÁLIA MODERNA

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MANZONI (1785-1873) nasceu em família nobre de Lecco, junto ao lago de Côme, na Itália. Sua mãe era filha do marquês de Beccaria, importante jurista italiano.
Alexandre Manzoni nasceu em Milão, em 1785. Com a idade de 20 anos foi a Paris e foi admitido ao grupo de ideólogos revolucionários da corrente de Voltaire. Depois de um casamento feliz e dos conselhos de seus amigos foi convencido a se consagrar à defesa do catolicismo. Nessa época escreveu os HINOS, suas TRAGÉDIAS e seus ENSAIOS.
Mas o grande interesse da vida de Manzoni se concentrou na sua obra-prima OS NOIVOS, publicados depois de um longo exame e uma revisão prolongada de 1825 até 1827. É um romance histórico em que a cena é colocada no país natal do poeta, nas vizinhanças de Côme e de Milão, durante a dominação espanhola, cerca do ano 1630. Era o período da revolução de Milão, da GUERRA DOS TRINTA ANOS e da peste.
I PROMESSI SPOSI, publicado em três volumes, conta o simpático quadro da luta de dois camponeses enamorados cujo desejo de se casarem é proibido por um violento tirano do lugar, aliado à covardia do padre da paróquia. Um frade corajoso assume a causa dos noivos e ajuda o casal, depois de muitas aventuras, chegarem à segurança e ao casamento. Manzoni deixa transparecer uma tolerância resignada para com os males da vida. Sua concepção de religião como o melhor conforto e inspiração para a humanidade dá à novela a sua elevação moral. Um agradável encaminhamento de humor contribui muito para que o livro agrade o leitor.
OS NOIVOS foi uma obra aclamada na Itália e na Europa e permaneceu, mesmo depois, sem rival como um romance em prosa da Itália moderna. Walter Scott, com seu generoso entusiasmo, declarou que a obra é a mais bela que já foi escrita.
A vida doméstica de Manzoni foi feliz, sem problemas, mas continuamente ameaçada por perdas, já que ele viu morrer suas duas esposas e sete dos seus nove filhos. Ele morreu em 1873, com a idade de 88 anos.
A obra-prima de Manzoni mostra grandes qualidades, muito apreciadas. Contém uma paciente elaboração do tema, o contraste pleno da arte da luz e da sombra, a delicadeza bem feita na apresentação dos personagens e a preciosa beleza da linguagem são mais de um poema do que de uma novela. É assim que OS NOIVOS desenvolvem uma bela complicação dramática e demonstra ter sido elaborado com um longo, trabalhoso cuidado sem igual.
Manzoni procurou mostrar menos os fatos históricos, menos a rapidez dos acontecimentos sucessivos, menos o elemento heróico, épico, e muito mais o elemento dramático. O que se sente são as nuances, as suaves mudanças das personalidades, escolhidas com delicadeza.
Ele mostra com viva simpatia os deveres espirituais da influência moral do padre católico na sua relação com os homens e com as mulheres da classe trabalhadora, do povo. Manzoni não tem igual na expressão do sentimento pessoal íntimo, revestido de uma forma idealizada, bela.
Manzoni apresenta o tipo de arte dos tempos modernos, a era que se segue após a Idade Média. Ele mostra a ligação histórica da vida particular com a vida pública. E ele faz a representação da civilização católica com a mais atraente forma. É assim que OS NOIVOS é um verdadeiro ornamento da arte poética.
Na obra de Pierre Corneille vemos uma série de dramas descrevendo a história de Roma. Manzoni e Walter Scott fizeram, também, a descrição idealizada da civilização da Idade Média. E deve-se notar que os novos formadores de opinião já não são membros do corpo sacerdotal da cristandade, mas são escritores laicos.
Estamos rememorando, dessa forma, a evolução gradual da sociedade humana ao sair da forma civilisatória medieval, do feudalismo e da sua religião para entrar numa longa fase de mudança revolucionária. A população se acha, agora, sob a orientação laica, irreligiosa, de novos conselheiros, de novos formadores de opinião, de outros nomes, de novos mestres.
É assim que podemos entender em que ponto estamos da longa evolução da sociedade. E podemos saber de onde estamos vindo e para onde estamos caminhando.

AMANHÃ: O grande e genial poeta da Renascença na Itália: TASSO




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domingo, 2 de agosto de 2015

0803C WALTER SCOTT: o romance histórico na idealização de uma época distante

03 DE AGOSTO.   Walter Scott: riqueza da imaginação revela a nobre ação cavalheiresca

WALTER SCOTT
Sir Walter Scott, 1º Baronete, Scott, Sir Walter, 1st Baronet
(nasceu em 1771, em Edimburgo; morreu em 1832, em Abbotsford, Escócia)

MAIOR GÊNIO POÉTICO DE SEU SÉCULO UM DOS MAIORES ESCRITORES DO MUNDO

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WALTER SCOTT (1771-1832)- é o restaurador do romance histórico da cavalaria na Europa moderna, colocado dentro dos doze maiores poetas do mundo depois de Homero. Ele nasceu dentro de um grande grupo familiar, de um clã de guerreiros das fronteiras da Escócia. Os chefes desse clã fundaram várias das casas da nobreza do país.
Walter era o nono filho de um procurador de justiça de Edimburgo, tendo nascido em agosto de 1771. Na juventude ele já estava imbuído da poesia, das baladas, romances e das tradições dos leais guerreiros seus ancestrais. Formou-se em direito aos 21 anos, tendo estudado com a mesma assiduidade que ele colocava em tudo que fazia. Recebeu de início pequenas funções legais e, depois, passou a ser o escrivão das sessões, um trabalho que ele realizou com zelo e habilidade durante 25 anos.
Scott começou sua vida artística com apreciados poemas, como CANTOS DE ESCÓCIA, de 1802; a BALADA DO ÚLTIMO MENESTREL, de 1805; MARMION, de 1808 e A DAMA DO LAGO de 1810 que lhe deram uma notável reputação.
Mas só com a idade de 43 anos, em 1814, é que o grande escritor revelou seu verdadeiro gênio de romancista. WAVERLEY tinha sido começado nove anos antes, mas só foi publicado no anonimato em 1814.
Depois de 1814 até 1831, com o CASTELO PERIGOSO, Scott continuou a escrever sem interrupção. Ele produziu a magnífica série de seus romances históricos, em número de mais de 30, romances que constituem sua verdadeira glória de poeta moderno.
O artista, então, faz parte do corpo dos novos formadores de opinião seculares, não religiosos, atuando fora das igrejas, gerando novas idéias, novo ensino, apesar da oposição dos sacerdotes do cristianismo da Idade Média. Assim, melhor se percebe a evolução secular havida no fim do feudalismo.
Além dos romances históricos, Scott compôs, ao mesmo tempo, poemas, dramas, biografias, ensaios, edições críticas e outras obras literárias sob todas as formas.
Animado pelos altos lucros obtidos por sua produção fecunda e inebriado pela popularidade inesperada de seus romances, Scott teve a ambição de fundar uma grande família e de criar um baronato. Ele comprou grandes propriedades em 1812 e construiu uma espécie de solar antigo com um grande parque.
Scott se tornou sócio de seus editores e impressores e fez grande número de especulações financeiras arriscadas. Ele recebeu o título de baronete do rei George IV, e passou a viver como um grande e rico senhor. Mas a ruína, a humilhação, a bancarrota e a doença se sucederam rapidamente. O poeta lutou heroicamente durante seis anos para fazer face aos prejuízos. Ele morreu com 61 anos de idade em 1832.
A forma de exposição de Scott é muitas vezes suave, simples, mas em certos momentos é complexa, volumosa. Ele não se mostra como um historiador com muitos documentos, nem um conhecedor de antiguidades. Mas a sua grande glória está na riqueza da imaginação, na chama histórica que esclarece, um após o outro, oito séculos dos tempos passados, com um instinto infalível que, em tudo que é essencial, revela o espírito cavalheiresco, mesmo em situações de extrema calamidade.
As inesgotáveis histórias heróicas, as epopéias em prosa, reproduzem em cores eternas os melhores tipos humanos dos tempos da cavalaria e os seus últimos ecos refletidos nas montanhas do norte da Inglaterra. Scott realizou essa idéia com uma plenitude sistemática e um entusiasmo apaixonado que nunca mais foi realizado pelos maiores mestres do drama histórico.
A forma e o plano do romance histórico em prosa são, a muitos respeitos, mais próprios para idealizar o complexo espírito de uma época distante no tempo, do que para ressaltar os tipos humanos mostrados. Scott inventou uma nova missão para a arte criadora, com um primor de atração. O desenvolvimento da sociologia usará esse modo de exposição para as mais nobres aplicações.
Por toda sua obra, por sua genialidade, Walter Scott é considerado o maior gênio poético de seu século e um dos maiores poetas da humanidade.


AMANHÃ: A mais atraente representação ideal da civilização católica: Manzoni.




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sábado, 1 de agosto de 2015

0802C CHATEAUBRIAND a superioridade moral do cristianismo e de sua arte

02 DE AGOSTO: Chateaubriand: descreve os heróis da fé na luta contra os vícios

CHATEAUBRIAND
François-Auguste-René de Chateaubriand, Visconde de Chateaubriand
(nasceu em 1768 em Saint-Malo, França, morreu em 1848 em Paris)

MODERNO ESTADISTA E ESCRITOR ROMÂNTICO DA CAVALARIA E DA CULTURA MEDIEVAL

ESTÉTICA
as artes da linguagem, da afeição e da expressão
É parte da Filosofia. A emoção é o motor da inteligência e da atividade
A Idade Média promoveu a liberdade do povo trabalhador, com a indústria e o comércio livre, com a sistematização do sistema capitalista de liberdade civil. A civilização moderna, após o fim da civilização medieval, com a queda do papado e do Feudalismo nos anos 1300, criou uma grande variedade na atividade humana. A secularização fez a saída do ensino e das artes de dentro das igrejas e dos conventos para os espaços laicos. As artes se libertaram do controle dos teólogos e de seus sacerdotes, como ocorreu com a Filosofia. Em ambos os casos sem luta, gradualmente, sem conflito.
Na modernidade nos encontramos em fase de transição, em tempos de revolução sem a unanimidade cristã da Idade Média. É a passagem de uma civilização medieval da guerra de defesa para uma civilização pacífica científica e industrial.
Triunfos esplendidos foram conseguidos pelo gênio artístico aos poucos se afastando da religião, apesar do clima de revolta. É o sinal da potente capacidade da natureza humana de produzir, mesmo em situação de desvantagem, um conjunto glorioso de criações artísticas.
Nesta terceira semana o tipo destacado como chefe de semana é Tasso. Ele tem seu dia no domingo, último dia da semana. Aqui é relembrada a criação da poesia do espírito cavalheiresco medieval, à idealização das virtudes da cavalaria e aos romances de aventura.
Ver em 0716 01 C   O QUADRO DO MÊS DANTE, A EPOPÉIA MODERNA, com grandes tipos humanos do mês.


NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

FELIZ
QUEM HONRA SEUS ANTEPASSADOS

RENÉ DE CHATEAUBRIAND (1768-1848) nasceu de família nobre em Saint-Malo, Bretanha, na França. Depois de uma juventude de sonhos, só com a visão das cenas românticas das praias da Bretanha, ele entrou para o exército. Foi recebido na corte do rei nos últimos dias da monarquia francesa.
Logo testemunhou os primeiros atos da revolução francesa e, desgostoso com o que viu, partiu para a América. Lá ele foi bem recebido pelo presidente George Washington. Procurou conhecer os índios americanos, que mais tarde iria descrever, voltando para a França depois da fuga do rei, indo se juntar aos emigrantes no rio Reno. Ferido, doente e sem dinheiro, passou vários anos de pobreza extrema na Inglaterra. Foi ali que a morte de sua mãe e de sua irmã em 1798 despertou seu remorso em ser racionalista e motivou a sua volta à religião católica tradicional.
Então ele começou a escrever sua obra GENIE DU CHRISTRIANISME, que publicou em 1802 depois de voltar para a França. No ano anterior ele havia publicado ATALA, que já lhe dera alta reputação como escritor.
Chateaubriand estava plenamente convencido, a partir dessa hora, que ele mesmo era uma nova força no mundo. Fez o plano de sua obra OS MÁRTIRES ali colocando os heróis da fé cristã como oponentes aos vícios do politeísmo pagão da antiguidade. Apesar da incoerência do plano e os anacronismos, OS MÁRTIRES tiveram um efeito forte sobre o público, dando uma vida nova à religião cristã, perseguida pela revolução francesa. O livro mostra o lado poético do renascimento católico, para que De Maistre tinha dado a inspiração filosófica. OS MÁRTIRES foram publicados em 1809, quando o poeta voltou de suas viagens à Grécia, à Palestina, Ásia-Menor, África e à Espanha.
Napoleão nomeou Chateaubriand como diplomata e, na restauração da monarquia, o nomeou embaixador em Berlim e em Londres. O caráter difícil do poeta e seu espírito visionário o colocavam constantemente na oposição ao governo. Sua carreira e seus escritos políticos levaram o escritor sempre a cargos de menor valor. Ele passou seus últimos dias de vida em isolamento profundo, morrendo aos 80 anos, em 1848. Ele repousa na sua cidade natal de Saint-Malo, numa tumba romântica, posta sobre os rochedos batidos pelas ondas do oceano.
Chateaubriand ocupa um lugar privilegiado na França, como sendo o primeiro a fazer o reavivamento da paixão pelas tradições cavalheirescas e católicas. Na França ele fez o mesmo que Walter Scott gloriosamente realizou na Inglaterra com seus romances históricos. Ele nos faz recordar com admiração pelos nossos heróicos, pios, religiosos cavalheirescos ancestrais.
A obra O GÊNIO DO CRISTIANISMO foi escrito quando o autor fez a conciliação do seu conflito entre a religião e o racionalismo científico. É uma obra de elogio do catolicismo, com a qual ganhou vantagens com os conservadores realistas e com Napoleão. No entanto tem uma fraqueza teológica e filosófica, em mistura com elogios pouco lógicos. Mas sua afirmação da superioridade moral do cristianismo, com base em seu apelo poético e artístico, tornou-se uma inesgotável fonte para os escritores românticos. Com isso, ele renovou a apreciação e o gosto pela arquitetura gótica das igrejas e da arte sacra em geral.
O pequeno livro O ÚLTIMO DOS ABENCERRAGES, com suas pequenas dimensões, é um belo espécime do verdadeiro romance histórico. O livro OS MÁRTIRES é uma possante pintura do heroísmo religioso. Tanto o ÚLTIMO DOS ABENCERRAGES como OS MÁRTIRES são de leitura poética aconselhada até nossos dias.
Chateaubriand é considerado como o grande poeta do romance de cavalaria da Idade Média. Ele faz parte da elite social que promove a formação da opinião pública na modernidade, no papel que pertencia aos sacerdotes das religiões antigas. Os novos formadores de opinião produzem e alargam a secularização da cultura ocorrida com o fim do feudalismo medieval e da unanimidade européia de sua religião, dando lugar à nova sociedade industrial moderna de nossos dias.

AMANHÃ: O maior gênio poético de seu século: Walter Scott.




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