domingo, 7 de novembro de 2010

1105 12º MÊS DO CALENDÁRIO HISTÓRICO

MÊS DE FREDERICO II DA PRÚSSIA

Décimo segundo mês do Calendário Histórico.

Quadro com os 28 dias do mês.

Última coluna é a correspondência com o calendário júlio=gregoriano em uso.
Os nomes à esquerda são para o ano comum; à direita, anos bissextos.


Segunda feira=Lunedia;  Terça=Martedia;  Quarta=Mercuridia; Qinta=Jovedia; Sexta=Venerdia
Todos os meses são iguais, de 28 dias e todos começam numa segunda-feira, terminando num domingo..

1105 POLÍTICA MODERNA

05 DE NOVEMBRO.
Mês da Política Moderna.
Neste dia, no calendário humanista secular histórico,
a homenagem é para a PolítIca Moderna, comemorado com o 12º Mês.

Política Moderna

Neste dia, no calendário histórico de Augusto Comte a homenagem é para a Polítca Moderna.
Maiores políticos na modernidade, após o fim da cultura feudal e cristã, ao iniciar uma nova civilização industrial e científica.

O período moderno mostrado no calendário vai do fim da Idade Média nos anos 1200, século 13, até a Revolução Francesa nos anos 1700, século 18. É uma época de profundas e importantes modificações na civilização da Europa do Ocidente, a mais adiantada da sociedade humana, que a globalização hoje vai levando com o progresso e a riqueza a todos os países do planeta.
Nos anos compreendidos nessa fase histórica, teve fim o sistema de governo do feudalismo e da religião medieval. Verificam-se então, na história, dois movimentos, que ocorrem ao mesmo tempo. Um movimento é de destruição, de revolta. O outro movimento procura construir uma nova civilização para substituir tanto o sistema político dos feudos e como o sistema de conhecimento no ensino e na liderança da sociedade por meio da formação da opinião, antes feito pela religião.
O movimento de destruição se dá com a continuação e desenvolvimento dos conflitos que haviam começado durante a Idade Média entre os diversos componentes do sistema católico-feudal. Componentes como o sacerdócio de um lado, o governo político de outro. O poder temporal, político acabou vencendo o poder religioso como já era visível no fim dos anos 1200.
A vitória completa do governo material em todos os países da Europa estava completa no fim dos anos 1300. Os papas foram degradados pela sua remoção feita de Roma para Avignon na França, de 1378 a 1376. E ainda mais enfraquecidos pelo grande cisma de 1378 a 1417. Os papas perderam, então, a notável presidência internacional que possuíam na Europa do Ocidente. Passaram então a administrar as terras dos seus Estados Papais na Itália.
A majestosa unidade da Igreja Católica foi virtualmente rompida pela formação das várias igrejas católicas em cada nação, subordinadas ao governo local. Os padres logo sentiram que a direção religiosa imposta pelo papa de Roma passou a ser feita por uma opressão forte e contínua de seu rei.
A Igreja Católica, dessa forma atingida em sua exemplar organização, não foi mais por muito tempo capaz de enfrentar o ataque dos livres-pensadores. Esse ataque se fez, primeiro, pelo protestantismo.
O protestantismo tornou-se a religião da nação nas populações que não haviam sido incorporadas diretamente pelo antigo império romano, como os ingleses, holandeses, escandinavos e alemães do norte.
O catolicismo continuou oficialmente estabelecido nos outros países, como na Alemanha do sul, Polônia, Hungria e também em toda Europa que fala as línguas latinas. No entanto, mesmo nesses países o espírito negativo destruidor continua a se difundir e a atacar cada uma das instituições e cada doutrina do catolicismo. Os primeiros reformadores pensaram em tomar apoio na Bíblia, mas essa solução é mais insustentável do que as lições dos sábios sacerdotes do catolicismo.
O poder político material, com sua expansão, ficou vitorioso e pela primeira vez, depois da queda do Império Romano, o Estado dominou todas as outras forças. O poder militar que dominava a Idade Média tornou-se uma tropa assalariada pelo governo temporal.
A passagem da civilização militar para a civilização industrial foi feito durante a Idade Média, que transformou os escravos antigos em servos dos barões e fez dos servos da Idade Média os trabalhadores livres da modernidade. Essa foi a maior das revoluções políticas já feita.
O movimento revolucionário de destruição fez a sociedade avançar até a anarquia pura, até chegar à Revolução Francesa de 1789. Após a revolução, o progresso das ciências e da técnica levou os intelectuais a aperfeiçoar os métodos de governo e até a criar as novas ciências sociais.
O governo político passou então a manter a ordem e a liberdade para o pensamento criador desenvolver uma política científica para a ordem, pela paz, e para o progresso, pela liberdade.
Para compreender o problema sociológico e político de nossos dias é obrigatório que o pesquisador conheça bem a história do final da Idade Média e as profundas mudanças que houve na sociedade européia, a mais adiantada civilização do mundo, na época. Fica bem claro que um estudioso que seja religioso, católico ou não, dificilmente poderá entender o problema político da modernidade nem conseguirá descobrir as leis científicas que possam governar o progresso da sociedade, por falta de imparcialidade. Só um pesquisador leigo, secular, poderá fazê-lo.
O mês dedicado à comemoração da política moderna coloca o elevado exemplo do Imperador Frederico II da Prússia como representante esclarecido do governo moderno, com a indispensável unidade de comando, mas defensor da plena liberdade de consciência e da cultura em todos os seus aspectos.
Frederico II é o modelo de governo do soberano leigo, secular, que ofereceu disciplina, justiça e plena liberdade, na manutenção da ordem material dentro da desordem das opiniões na modernidade.

AMANHÃ: Cosme de Médicis o Velho.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

1104 HUME

1104 HUME

04 DE NOVEMBRO David Hume: A teoria das causas, importante na história da filosofia moderna.

HUME
David Hume
(nasceu em 1711, em Edimburgo, Escócia; morreu em 1776, em Edimburgo)

FILÓSOFO HISTORIADOR ESCOCÊS DO MODERNO CETICISMO E DO EMPIRISMO

O Calendário Histórico mostra a evolução multimilenar do homem por meio das maiores figuras humanas do melhoramento gradual da vida humana, devido ao progresso do conhecimento científico que prepara a nova civilização industrial moderna. Os pensadores na formação do conhecimento que antes era sobre as divindades e passa ao saber firme comprovado sobre o próprio homem e sobre o mundo e seus princípios gerais
Na semana que hoje acaba estão os precursores seculares da Sociologia científica, pesquisadores da natureza humana, da sociedade e da história sob comprovação segura, positiva.
Foi depois da Idade Média, com o fim do feudalismo e o fim do poder político do papa e da religião medieval, pelo conhecimento demonstrável que prepara a nova civilização científica e industrial moderna.

HUME nasceu em Edimburgo, na Escócia, em 1711. Sua família era de origem nobre, mas pobre. Ele foi orientado para o estudo do direito, mas logo se dedicou aos estudos históricos e filosóficos. Aos 23 anos, ele foi para a França, vivendo na Champagne e em Anjou. Passou ali três anos na composição de seu Tratado da natureza humana, publicado em 1739, quando voltou para a Inglaterra. Ele contém os princípios de sua filosofia sob uma forma sistemática. Os seus Ensaios, em estilo mais leve, foram publicados em Edimburgo em diferentes intervalos, entre 1742 e 1752. O Tratado não teve repercussão junto ao público; mas os Ensaios Filosóficos, depois de alguns anos, deram lugar a uma polêmica cheia de irritação em que Hume se recusou de tomar parte. Os Ensaios Filosóficos são recomendados para leitura até em nossos dias.
Em 1752 ele completou seus Ensaios com suas Pesquisas sobre os princípios da moral, que ele julgou ser sua melhor obra. Durante os nove anos que se seguiram, ele se ocupou de sua História da Inglaterra. Em 1673 se tornou secretário da embaixada em Paris, onde ficou por três anos com estreitas amizades com Diderot, d’Holbach, Helvetius e outros enciclopedistas. Hume passou seus dois últimos anos de vida na Escócia. Sua autobiografia escrita dois meses antes de sua morte mostram sua calma, seu caráter educado e simpático, ao mesmo tempo corajoso e resignado. Ele morreu em 1776 em Edimburgo.
David Hume deve ser considerado como um dos principais fundadores da filosofia moderna, o saber que tem base na ciência positiva, comprovada. René Descartes introduziu o espírito positivo nas ciências naturais e mostrou que esse espírito era aplicável à vida social. Mas nos fenômenos intelectuais e morais Descartes empregou o método da metafísica, usando as entidades de explicação quase divinas, como a “consciência”.
Em relação aos fenômenos como atributos apresentados pelos corpos, Hume explica que os materiais de nosso conhecimento são de duas formas: as impressões vivas e as impressões fracas. Das impressões vivas feitas pelos corpos nossa mente faz ecos fracos, ou repetições, memória, imagens. As impressões fracas Hume chama de IDÉIAS, são as imagens das impressões feitas antes.
Esse é o ponto mais importante da filosofia de Hume: a eliminação da noção de CAUSA, por ser a causa apenas uma ficção mental. Por exemplo, a noite sempre vem depois do dia. Mas o dia não é considerado como a causa da noite. Aqui se trata de um ciclo e não de uma sucessão.
Quando se coloca um corpo opaco na linha dos raios do sol se produz uma sombra, a sombra é uma sucessão. Nós dizemos que o corpo opaco é a CAUSA da sombra. Essa definição de uma “causa” como PODER DE PRODUZIR é que Hume chama de UMA FICÇÃO MENTAL ou um hábito ao qual não podemos nos furtar, que não podemos deixar de fazer.
Dessa mesma maneira, Hume mostra que o efeito de crença faz com que uma idéia fraca, isto é, uma imagem mental, recordada da impressão, seja tomada como sendo igual a uma impressão viva, que é a verificação da realidade. É a imagem, a recordação da impressão, acreditada como sendo a impressão direta, feita pela realidade. É a imaginação colocada como se fosse prova da realidade, como num sonho.
O método da filosofia antiga era a busca das CAUSAS. Na filosofia moderna a pesquisa é feita para determinar as RELAÇÕES CONSTANTES no meio das mudanças, as leis científicas, que existam entre os fenômenos, devidamente verificadas. A filosofia das leis naturais, das relações, é chamada, portanto, de filosofia RELATIVA, em comparação com a filosofia antiga, a filosofia do saber ABSOLUTO, divino, eterno. De posse do método positivo de pensar, Hume passa a outros importantes assuntos. Na sua Pesquisa relativa aos princípios da moral ele aplica o método científico aos fenômenos que hoje são estudados na Psicologia, os fenômenos mais complexos da classificação das ciências.
Com uma clareza admirável e por uma demonstração direta, ele faz ver que a virtude ou o mérito pessoal consiste na posse de qualidades mentais úteis ou agradáveis para a própria pessoa ou aos outros. Não que a aprovação que os homens dão a essas qualidades seja feita sobre um cálculo mesquinho, estudado, de interesse pessoal, egoísta. A aprovação é instintiva e imediata, ocorrendo mesmo onde esse interesse egoísta não esteja em jogo. Gradualmente e na medida em que o estado social se estende da família para a tribo e da tribo para uma grande comunidade política, as qualidades tendentes ao bem da comunidade são melhor apreciadas. O instinto de boa vontade, de simpatia, o altruísmo, é inato na natureza humana. É esse sentimento a principal fonte da moralidade.
A capacidade enciclopédica do pensamento de Hume justifica sua fama como o principal pensador da filosofia da modernidade. A teoria das causas de Hume é o passo mais importante na história do progresso filosófico, depois do triunfo dos Nominalistas sobre os Realistas na Idade Média. Estabelece o caráter RELATIVO da filosofia, sem o desejo de obter o saber absoluto, divino.


AMANHÃ: Vida apaixonante, foi rainha por três vezes: Maria de Molina. É também o início do MÊS DE FREDERICO, o MÊS DA POLÍTICA MODERNA.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

1103 HEGEL

03 DE NOVEMBRO.
Hegel: O mundo governado pelo conhecimento ou “o espírito governa o mundo”.

HEGEL
Georg Wilhelm Friedrich Hegel
(nasceu em 1770, em Stuttgart, Alemanha; morreu em 1831, em Berlin)
FILÓSOFO IDEALISTA ALEMÃO DA FILOSOFIA DA HISTÓRIA

Maiores figuras humanas na faculdade criadora para o melhoramento da vida humana
depois da Idade Média, pelo conhecimento que prepara a nova civilização industrial moderna.

HEGEL nasceu em Stuttgart, na Alemanha, em 1770. Ele recebeu uma educação clássica que completou em Tubingen, onde foi colega de estudos de Schelling. No certificado que ele recebeu está declarado que ele era insuficiente, sobretudo em filosofia.
Hegel então colocou todo seu entusiasmo no estudo da história antiga. Por algum tempo, para pagar suas despesas, ele deu aulas particulares. Mais tarde foi para Jena, onde ele publicou um ataque contra a astronomia de Isaac Newton. Fez amizade com Goethe, que reconheceu sua força intelectual. Ele completou sua primeira obra filosófica, a Phänomenologie des Geistes, A Fenomenologia do Espírito, de 1807.
Em 1816 Hegel tornou-se professor de filosofia em Heildelberg e dois anos depois foi para Berlim, onde formou uma escola com importantes discípulos. Hegel morreu em Berlim, de cólera, em 1831.
O grande sistema de filosofia que Hegel criou é de difícil compreensão, por sua linguagem incompreensível. Ele mesmo costumava dizer que só um único de seus alunos compreendeu sua filosofia, e mesmo assim, ele ainda a entendeu de forma errada.
Hegel apresenta na Fenomenologia um texto obscuro, de difícil entendimento. Essa forma de apresentação ilegível, fechada ou hermética pode ser vista em autores antigos e modernos tentando pensar de forma metafísica, isto é, de modo fantasioso, empregando entidades abstratas, sem apoio na experimentação e na verificação. Representa uma reação muito repetida contra o pensamento científico positivo, para retornar às crenças hoje desacreditadas. É usada uma linguagem rebuscada para voltar às idéias antigas, com uma aparência de novidade.
Hegel criou uma explicação do progresso por meio de um método que chamou de DIALÉTICA. Feita uma hipótese inicial, a tese, sempre se coloca contra ela a antítese, que, então leva a uma solução mais alta e mais rica chamada de síntese. Portanto, o progresso está dessa forma explicado pela luta, pela oposição da antítese contra a tese, para chegar à solução, que seria a síntese.
O método dialético, no entanto, não tem sua aplicação em nenhuma das descobertas do saber humano, seja na teoria ou na aplicação prática. A idéia de que o progresso resulta da luta, da guerra, levou à doutrina da revolução, da LUTA DE CLASSES, que explicaria o desenvolvimento da sociedade humana através dos milênios pelo conflito interminável entre os pobres e ricos.
No entanto, a sociologia moderna comprova que o progresso resulta, de fato, na passagem do conhecimento de pai para filho, de uma geração para a geração seguinte. O que é o mesmo que dizer que o progresso é feito pelo respeito e pela veneração dos mais jovens para com os mais velhos e para com os que já viveram. E a veneração é a forma mais alta do sentimento do altruísmo, que é o sentimento natural que associa os indivíduos no seu grupo.
A conclusão é de que o motor do progresso não é a LUTA, a GUERRA, mas que o motor da história, o gerador do progresso é o sentimento espontâneo de associação, o altruísmo, encontrado entre os homens e até entre animais.
Hegel é tido como de leitura inacessível nos seus trabalhos da Lógica e da Metafísica por causa do estranho vocabulário que ele emprega. No seu tratado da Filosofia da história o estilo é esotérico, numa espécie de linguagem secreta. O texto esotérico só pode ser entendido pelos leitores que forem treinados para saber o significado das palavras. Mas Hegel na filosofia da história mostra com firmeza a unidade da história e a filiação das gerações sucessivas.
Ele declara que a razão é a substância e a energia infinita do universo, o que só se pode entender como uma fantasia poética fora de lugar na filosofia. Mas, depois, ele apresenta sua filosofia como um desenvolvimento da tese de Anaxágoras de que
   “o espírito governa o mundo”.
Mas Hegel explica, então, que ele não se refere a um espírito sobrenatural impenetrável de um deus, mas está falando das noções formatrizes, ou seja, do conhecimento científico positivo, comprovado.
Essa é uma forma diferente de dizer que AS IDÉIAS GOVERNAM O MUNDO. Ou seja, que o conhecimento governa, conduz a ação sobre o mundo e sobre os humanos.
Para Hegel os grandes homens são os agentes das mudanças quando o tempo está maduro, oportuno.

AMANHÃ: A teoria das causas, importante na história da filosofia moderna: David Hume.


1102 DE MAISTRE

02 DE NOVEMBRO.
De Maistre: A teoria política e a necessidade da unidade de comando no governo.

DE MAISTRE
Conde Joseph Marie De Maistre
(nasceu em 1753, em Chambéry, Savoie, na França; morreu em 1821, em Turim, então Reino da Sardenha, Itália)
FILÓSOFO POLÍTICO FRANCÊS MORALISTA CONSERVADOR

Maiores figuras humanas na faculdade criadora para o melhoramento da vida humana, depois do fim do feudalismo e do fim do poder político do papa e da religião, devido ao conhecimento científico que prepara a nova civilização industrial moderna.
Os pensadores na formação do conhecimento firme, positivo, comprovado, sobre o próprio homem e sobre o mundo e seus princípios gerais.
A criação da RAZÃO EXPERIMENTAL CIENTÍFICA é a maior revolução já feita no saber humano, na filosofia, em todos os tempos. É quando os homens se libertam do poder do homem sobre o homem em nome de poderes míticos misteriosos.

DE MAISTRE nasceu em Chambéry em 1754. Seu pai, presidente do Senado da Savoia, tinha um caráter enérgico e era profundamente respeitado. Seu filho, o mais velho dos 10 filhos, passou por todos os graus da magistratura e tornou-se senador ainda quando seu pai era o presidente do Senado.
De Maistre sentia grande veneração por seus pais. Quando estudava em Turin, ele não lia um livro sem, antes, obter o seu consentimento. Em política, ele era suspeito de tendência pelo liberalismo, mas quando os republicanos da França invadiram a Savoia em 1793, ele se opôs corajosamente às suas ordens.
Depois de ocupar posições oficiais elevadas na Sardenha, ele foi enviado em 1802 para São Peterburgo na Rússia, como embaixador extraordinário. Lá ele viveu por 15 anos e foi onde escreveu a maior parte de suas obras.
Com a queda de Napoleão, ele deixou a Rússia indo para Turim. Seu grande tratado Du Pape foi publicado ali, em 1817. Foi em Turim que De Maistre morreu em 1821.
De Maistre em suas cartas e em suas memórias, durante a Revolução Francesa e o Império de Napoleão, são cheias de textos e observações sábias. Embora um completo conservador, tinha grande repulsa contra a fúria cega dos reacionários. Seu desejo era de que a França fosse contida, mas não aniquilada.
Ele afirmava que, em política e em física, só havia um método seguro: o método experimental. O que o levou a prever com acerto a queda de Napoleão. Nunca mudou de opinião.
A filosofia política de De Maistre se encontra em sua obra Du Pape. Esse texto teve grande influência sobre o pensamento e sobre as pesquisas históricas e sociológicas. Ele conseguiu completar a filosofia histórica de Condorcet. Foi uma apreciação bem feita da Idade Média, que, para Condorcet, não passava de um tempo bárbaro de obscurantismo. De Maistre mostrou como são as condições permanentes da organização política. E ele empregava sempre o método científico positivo para a pesquisa histórica. Por exemplo, na sua defesa do papado, ele se baseia inteiramente em justificações humanas, não sobrenaturais, não religiosas.
O tratado Du Pape é composto de 4 livros: no primeiro trata do papa em suas relações com a Igreja Católica, discute a questão da infalibilidade papal, que considera como uma condição necessária para o governo da Igreja. Ele mostra que o papa deve ter uma decisão final qualquer e sem apelo. E essa decisão é o papa que deve dar, e não os concílios.
No segundo livro ele se ocupa das relações do papado com o poder temporal. O papa deve amenizar o rigor dos reis, manter a moralidade pública e a santidade do casamento. Ele se refere à famosa bula do papa Alexandre VI que regulou o conflito entre a Espanha e Portugal na posse das terras então descobertas da América do Sul. Então o papa dividiu a posse pelo meridiano do tratado de Tordesilhas, a Espanha ficando com as terras a oeste e Portugal com as terras a leste do meridiano.
No terceiro livro De Maistre mostra a influência do papa sobre a civilização. No quarto, discute a relação com as igrejas separadas.
A teoria de De Maistre sobre o governo político e sobre a necessidade da unidade de comando, são de grande importância para a aplicação de uma ciência política moderna.
Além de tudo, De Maistre prova que o passado da sociedade só pode ser bem conhecido se for estudado com muito respeito. Caso contrário as importantes lições do passado serão perdidas para a formação de uma sociologia científica e para guiar um governo de justiça, de progresso e de proteção dos trabalhadores.
O passado só pode ser entendido se for sempre respeitado.


AMANHÃ: O governo do mundo pelo conhecimento afirmando que o espírito governa o mundo: George Hegel.

1101 CONDORCET

01 DE NOVEMBRO. Condorcet: Criou a noção de progresso contínuo da espécie humana.

CONDORCET
Marquês de Condorcet, Marie Jean Antoine Nicholas de Caritat
(nasceu em 1743, em Ribemont, França; morreu em em Bourg-la-Reine, França)

FILÓSOFO MATEMÁTICO FRANCÊS DO PROGRESSO SOCIAL CONTÍNUO

Maiores figuras humanas na faculdade criadora para o melhoramento da vida humana, depois do fim do feudalismo e do fim do poder político do papa e da religião, devido ao conhecimento científico que prepara a nova civilização industrial moderna.
Os pensadores na formação do conhecimento firme, positivo, comprovado, sobre o próprio homem e sobre o mundo e seus princípios gerais.
A criação da RAZÃO EXPERIMENTAL CIENTÍFICA é a maior revolução já feita no saber humano, na filosofia, em todos os tempos. É quando os homens se libertam do poder do homem sobre o homem em nome de poderes míticos misteriosos.

CONDORCET nasceu na antiga província da Picardie, no Canal da Mancha, na França, em 1743. Foi um sábio, destacado matemático, cientista, educador e filósofo, tornando-se membro da Academia de Ciências em Paris, mais tarde sendo seu secretário. Suas biografias dos acadêmicos, em especial a de Voltaire e a de Turgot, são de grande valor e merecem ser lidas até hoje. Também se recomenda a leitura do seu tratado de Aritmética Elementar bem como do Esquisse d'un tableau historique des progrès de l'esprit humain, o Esboço de um quadro histórico do progresso do espírito humano, de 1795.
Ele foi eleito membro da Assembléia Legislativa em 1792 e ficou no partido dos Girondinos, o mais moderado grupo da Revolução Francesa. Com a queda desse partido, ele foi declarado fora da lei, expulso e condenado à morte, vivendo escondido por alguns meses. Em 1794 ele foi preso em Bourg-la-Reine, onde mais tarde foi encontrado morto na prisão onde estava para ser conduzido para a morte pela guilhotina.
Foi durante sua condenação que ele escreveu sua obra imortal sobre o Progresso do espírito humano, que apresenta uma original e importante teoria da filosofia da história, que se tornou a base para a elaboração da sociologia teórica como ciência positiva. A parte mais importante da obra histórica de Condorcet é a Introdução, em que ele apresenta uma visão do futuro fundado sobre o estudo científico do passado. Ele começa por distinguir claramente o estudo do indivíduo do estudo das sociedades. As sociedades oferecem os fenômenos de reação entre os indivíduos e os fenômenos da sucessão das gerações.
É admirável o método que ele emprega quando abstrai, das descrições concretas dos viajantes e dos historiadores, o que existe de fatos gerais comuns a cada caso particular. Ele afirma que devemos escolher e combinar os fatos gerais da história dos diferentes povos de modo a construir o caso hipotético de uma só nação progredindo continuadamente desde a origem dos tempos.
Condorcet divide a vida de uma nação assim estudada em 9 períodos. Passando da tribo vivendo da caça aos povos nômades, desses ao período sedentário da agricultura durante a qual a escrita é descoberta, chega à civilização grega que foi salva da destruição pela batalha de Salamina. Ele descreve o desenvolvimento da filosofia e da arte na Grécia, o começo das ciências positivas, da matemática, da biologia, da psicologia. Segue com a conquista romana e sua preciosa herança da jurisprudência, com o nascimento do cristianismo que surge da decadência de Roma. O obscurantismo que resulta disso; a cultura da ciência na Europa depois das três cruzadas; a descoberta da bússola, a invenção da imprensa e o estímulo trazido pela Reforma protestante para o livre-pensamento. O último período ele coloca como sendo depois de Descartes até a formação da República na França. Ele conclui com uma descrição do futuro do espírito humano e da renovação social que então ocorre. A filosofia histórica proposta pela obra-prima de Condorcet forma a base da nova ciência da sociedade. A sociologia científica abstrata com as leis que regulam os fenômenos de grupo deve orientar a ação política no governo da sociedade humana.
Em 1805 foi publicada a segunda edição do seu trabalho Éléments du calcul des probabilités et son application aux jeux de hasard, à la loterie et aux jugements des hommes, Elementos do cálculo das probabilidades e sua aplicação aos jogos de azar, à loteria e aos julgamentos dos homens. Nesse estudo ele mostra que as eleições nem sempre conseguem escolher os melhores entre vários candidatos. Essa tese foi recentemente re-estudada e ampliada pelos estatísticos.
Condorcet foi precursor do estudo científico da sociedade, o criador da noção de progresso contínuo da espécie humana. Que revela o permanente aperfeiçoamento da humanidade, tal como comprovado pela pesquisa inteligente da história. Condorcet foi um genial representante do Iluminismo, defensor da liberdade econômica, da tolerância religiosa, da reforma das leis e do ensino. O que ele desejou foi levar o império da ciência ao governo da sociedade.

AMANHÃ: A teoria política e a necessidade da unidade de comando no governo: De Maistre.