segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

0301 B LEUCIPO pesquisa científica sobre o mundo e a mente

MARÇO 01: Leucipo:  o criador da teoria dos átomos: Leucipo.

LEUCIPO
Leucippus
(viveu no século 5º antes da nossa era, cerca dos anos 400 a 300, na costa ocidental da Asia Menor, talvez em Abdera)

FILÓSOFO GREGO CRIADOR DA TEORIA DOS ÁTOMOS, DESENVOLVIDA POR DEMÓCRITO


A evolução intelectual livre do cruel regime teocrático de castas. Iniciando a criação da ciência pura abstrata.
Pela primeira vez no mundo acontece nas cidades da Grécia Antiga que pensadores livres dedicaram sua vida a pesquisar o homem e o mundo. Isto é, a encontrar os fatos gerais e princípios que governam tudo que somos e que nos envolve. Mas a explicação não se baseou na vontade arbitrária dos deuses, mas foi feita usando a observação dos fatos. Antes a observação se destinava a imaginar a vontade dos seus poderosos deuses.
Desde o século 7º ao 5º antes da nossa era homens como Tales, Anaximandro, Heráclito, Demócrito se consagraram a fazer o universo explicado aos humanos. Eles expuseram a filosofia e criaram a ciência como duas forças novas para o progresso da humanidade.
A criação dos sábios gregos apresenta duas fases: a primeira, de Tales a Aristóteles estudou a filosofia unida à ciência. A segunda fase se deu depois de Aristóteles em diante desenvolvendo a ciência separada da filosofia. O estudo filosófico se enfraqueceu enquanto o estudo da ciência particular se fortaleceu.
A primeira semana do mês representa o nascimento do pensamento grego, durante o qual se tentou explicar o universo por algum princípio físico, fora das lendas religiosas. Ao mesmo tempo a ciência positiva, segura, comprovada da Geometria se desenvolvia gradualmente. Tales é o principal representante da época.
A semana termina no domingo, com Tales como seu chefe.

Ver o Quadro 0226-1 do Mês de Aristóteles da Ciência Antiga. O quadro mostra os grandes homens representantes da criação da ciência abstrata.


LEUCIPO é citado por Aristóteles e por Teofrasto como o criador da hipótese corpuscular da matéria, a teoria dos átomos, como pequenas partículas indivisíveis. Conhecemos Leucipo pelas referências de Demócrito, seu aluno mais famoso. Poucos escritos dele chegaram até nós, como O GRANDE SISTEMA DO MUNDO e SOBRE A MENTE.
O materialismo como escola de pensamento ou escola filosófica científica é notado com Tales de Mileto (cerca ano 580 antes da nossa era) e outros pensadores pré-socráticos, mais tarde desenvolvido por Leucipo e Demócrito. Em filosofia o materialismo é o modo de pensar que todos os acontecimentos são resultado de processos mecânicos ou materiais, físicos e até mesmo que os fatos são apenas processos físicos. Em sociologia e política, o materialismo socialista comunista explica tudo como decorrência da situação econômica da sociedade, do poder do dinheiro ou da riqueza.
Se fizermos uma escala dos fenômenos da natureza e dos humanos, podemos afirmar que existe uma medida de complexidade entre todos os acontecimentos ou fenômenos estudados pelas ciências. Existem fenômenos mais simples e fenômenos mais complicados, mais difíceis de serem estudados para se descobrir suas relações.
O fenômeno mais simples é o da existência das coisas ou dos seres. O que existe, qualquer coisa que seja conhecida, apresenta-se como uma QUANTIDADE. Isso existe? É um ou são vários? Em contabilidade se chama de EXISTÊNCIA a quantidade daquilo que a empresa possui.
Um objeto ou uma coisa pode apresentar vários fenômenos, como sua cor, seu peso, sua forma, movimento, se é vivo, se forma agrupamentos. Mas se nada apresenta, ou se nada sabemos de suas qualidades, apenas sabemos que EXISTE, essa coisa que é um SER, somente apresenta o fenômeno de quantidade, apenas podemos representar como um número: é UMA coisa, ou são TRÊS, ou DEZ. Nesse caso não sabemos sua forma. O objeto que apresenta o fenômeno da forma além de ter existência ainda mostra o tamanho e o aspecto de sua aparência, seja esférica, seja um disco, ou outra forma. Os fenômenos matemáticos são o NÚMERO, a FORMA e o MOVIMENTO. São os mais simples de todos.
Na escala dos fenômenos podemos afirmar com segurança, positivamente, que mais complexos do que os da matemática (1) pela ordem são: (2) os fenômenos astronômicos; (3) físicos; (4) químicos; (5) biológicos, isto é, da vida; (6) de agrupamento, isto é sociológicos; e os mais complexos, (7) os fenômenos do comportamento individual dos seres vivos, isto é, os fenômenos psicológicos. Cada degrau depende dos fenômenos anteriores e não depende dos que lhe seguem. Nessa escala estão indicados TODOS OS FENÔMENOS que podemos pesquisar no mundo. Essa original escala forma as CATEGORIAS da moderna filosofia de Augusto Comte, definindo os predicados dos seres.
Conhecida essa escala de complicação cada vez maior, pode-se definir como MATERIALISMO o modo de pensar que supõe que pode ser um fenômeno mais complexo explicado somente por um fenômeno mais simples. Por exemplo, se supomos que TUDO É APENAS MOVIMENTO, como pensava o grande filósofo Descartes (1596-1650), então estaremos reduzindo acontecimentos mais complexos como os dos corpos vivos para um fenômeno mais simples.
Se ao contrário explicarmos fenômenos mais simples pelos mais complexos, estaremos fazendo ESPIRITUALISMO. Esse é o caso de acreditar que podemos curar todas as doenças por meio das orações ou por benzedura. Ou acreditar que um santo homem pode se elevar do chão somente por efeito de sua santidade.
A pesquisa da composição da matéria prossegue, tendo a modernidade avançado no estudo da teoria atômica como proposto por Leucipo e por seu famoso aluno Demócrito. Dessa forma podemos verificar que nosso conhecimento é sempre RELATIVO, isto é, depende da pesquisa das relações entre os fenômenos em estudo. O conhecimento está sempre procurando saber mais a respeito dos grandes espaços siderais que parecem sem limites. E também sobre o microcosmos, e sobre os menores espaços sub-microscópicos, também sem limites. Assim se mostra nossa modéstia quando sabemos que não sabemos tudo. QUANTO MAIS SE ESTUDA, MAIS SABEMOS QUE POUCO SABEMOS.


AMANHÃ: Heródoto o historiador e seu estilo admirável.




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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

0229 B ANAXÁGORAS o filósofo naturalista blasfemo

FEVEREIRO 29. Anaxágoras: o conhecimento nos vem por meio dos sentidos

ANAXÁGORAS
Anaxagoras
(nasceu cerca do ano 500, em Clazomene, Ásia Menor; morreu no ano 428, em Lampsacus, no Helesponto, Ásia Menor)

A evolução intelectual livre.
O iniciar da criação da ciência pura abstrata.
Pela primeira vez no mundo acontece nas cidades da Grécia Antiga que pensadores livres dedicaram sua vida a pesquisar o homem e o mundo. Isto é, a encontrar os fatos gerais e princípios que governam tudo que somos e que nos envolve.
Desde o século 7º ao 5º antes da nossa era homens como Tales, Anaximandro, Heráclito, Demócrito se consagraram a fazer o universo explicado aos humanos. Eles expuseram a filosofia e criaram a ciência como duas forças novas para o progresso da humanidade.
A criação dos sábios gregos apresenta duas fases: a primeira, de Tales a Aristóteles estudou a filosofia unida à ciência. A segunda fase se deu depois de Aristóteles em diante desenvolvendo a ciência separada da filosofia.
A primeira semana do mês representa o nascimento do pensamento grego, durante o qual se tentou explicar o universo por algum princípio físico, fora das lendas religiosas. Ao mesmo tempo a ciência positiva, segura, comprovada da Geometria se desenvolvia gradualmente. Tales é o principal representante da época.
A semana termina no domingo, com Tales como seu chefe.

Ver o Quadro 0226-01 C do Mês de Aristóteles da Ciência Antiga. O quadro mostra os grandes homens representantes da criação da ciência abstrata.


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Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

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ANAXÁGORAS (500 aC-428 aC) nasceu numa família de posição elevada em Clazomene, na Jônia. Ele foi ainda jovem para Atenas, que começava a entrar no mais esplêndido período de sua história.
Seu caráter nobre e grave, com a fama crescente de seu ensino, atraiu em torno dele um grupo de amigos e de alunos. Entre ele estava Péricles que foi seu amigo por toda a vida e sobre quem ele exerceu uma grande influência. Ele ensinou a Péricles, no relato de Plutarco, a aplicar sua razão à interpretação da natureza, a se livrar de uma superstição aterrorizante e árida por meio de uma religião de paz e de esperança.
Mas Anaxágoras teve o destino usual dos inovadores. Sua ciência foi falsamente representada como um ataque contra a religião. Ele foi acusado de blasfemo e só escapou da morte pela intervenção de Péricles, que não pode impedir seu banimento de Atenas. Ele se retirou par Lampsacus, onde morreu com as honras de seus habitantes.
“Que o dia de minha morte seja um dia feriado para seus filhos” – foi a resposta que Anaxágoras deu àqueles que lhe perguntaram como homenageá-lo. Essa foi a razão, conta Plutarco, por que esse aniversário continuou um dia de festa até o segundo século antes de nossa era.
Anaxágoras, do mesmo modo como Anaximandro, via na criação do mundo apenas uma simples transformação. Afirmava que as diferenças entre as coisas só se poderia explicar pela existência de elementos diversos de composição. De todo o tempo esses elementos existiriam, mas sem serem combinados e estavam num estado de caos; os elementos semelhantes estavam misturados com os dessemelhantes.
Então, quando o espírito aparece, dizia ele, coloca em ordem os elementos. É feita a reunião correta dos elementos e é assim que o mundo é formado. Mas qual é esse espírito? Para Anaxágoras esse não era um ser supremo fora do universo. Era também um elemento, e um elemento material. Apenas, como Aristóteles também o representa, era um elemento distinto dos outros elementos e mais sutil, mais puro do que os outros.
A partir do momento em que o espírito dá regra ao universo, existe um princípio de ordem que a ciência pode se esforçar para conhecer. Nós devemos considerar Anaxágoras como tendo sido o primeiro a sentir a importância dessa verdade e a ver que ela conduzia à negação do azar e do destino. Esses dois nomes, dizia ele, são apenas os nomes que usamos para designar a nossa ignorância.
É dessa forma que pertence a Anaxágoras o mérito de ter reconhecido, como Aristóteles o faz mais claramente, que todo conhecimento nos vem por meio dos sentidos. Ele estabeleceu a distinção, desenvolvida pela filosofia moderna, entre a realidade objetiva e subjetiva. Em outras palavras, reconhecer a diferença entre a realidade externa ao sujeito, do objeto,objetiva, e a impressão que o sujeito pode ter do objeto, da realidade exterior, que é a impressão subjetiva. A distinção se faz entre as coisas em si mesmas e as coisas tais como nos aparecem.
Para Anaxágoras nosso conhecimento está limitado às coisas como elas nos aparecem, como vemos nos acontecimentos, que nós chamamos de “fenômenos”.
O conhecimento humano está limitado à experiência, à observação. Nos seus dados pesquisamos as leis fixas, imutáveis, infalíveis que comandam, que governam os fenômenos em sua estruturação e em sua variação. O saber dessa infalibilidade é que permite à ciência abstrata positiva dos fenômenos prever os acontecimentos com dados certos (não dividosos), com a precisão (não nebulosos) que necessitarmos.
A aplicação do saber abstrato é infalível em teoria. Ao usar suas previsões é necessário reconhecer que na prática ocorrem várias interferências que devem ser levadas em conta. Por modificarem os resultados. Mas na modernidade já alcançamos resultados maravilhosos ao
saber para prever a fim de prover.
Podemos hoje prover técnicas que fazem a vida útil de equipamentos, de que edifícios e grandes estruturas não desabem, que navios flutuem, que aviões transportem passageiros em segurança, que os foguetes atinjam seus alvos.

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FEVEREIRO 28. Heráclito: A filosofia obscura do pensador misântropo.

HERÁCLITO
Heracleitus, Heraclitus
(nasceu cerca do ano 540 antes da nossa era, em Êfeso, Ásia Menor; morreu cerca do ano 480)

FILÓSOFO GREGO MISANTROPO DA COSMOLOGIA DO FOGO PRIMORDIAL

A evolução intelectual livre.
O início da criação da ciência pura abstrata.
Pela primeira vez no mundo acontece nas cidades da Grécia Antiga que pensadores livres dedicaram sua vida a pesquisar o homem e o mundo. Isto é, a encontrar os fatos gerais e princípios que governam tudo que somos e que nos envolve.
Desde o século 7º ao 5º antes da nossa era homens como Tales, Anaximandro, Heráclito, Demócrito se consagraram a fazer o universo explicado aos humanos. Eles expuseram a filosofia e criaram a ciência como duas forças novas para o progresso da humanidade.
A criação dos sábios gregos apresenta duas fases: a primeira, de Tales a Aristóteles estudou a filosofia unida à ciência. A segunda fase se deu depois de Aristóteles em diante desenvolvendo a ciência separada da filosofia.
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HERÁCLITO (540 aC-480 aC) é conhecido como o filósofo misantropo, anti-social ou triste. Nasceu em Êfeso no tempo da explosão da revolta jônica. No ano 546 antes da nossa era a Jônia revoltou-se contra o domínio da Pérsia, contando com a decisiva assistência da cidade de Atenas.
Os habitantes de Êfeso estranhamente não participaram de seus compatriotas da Jônia no curto conflito contra o império dos Persas. Por essa incapacidade de se reunir a favor de uma causa comum é que nós podemos explicar o desprezo que a filosofia de Heráclito sentia pela voz do povo e pelo governo da multidão. Foi o que levou Heráclito a se retirar da vida ativa.
Por direito de nascimento, ele poderia exercer na sua cidade a mais alta função política, que recusou. Quando foi banido seu amigo Hermodoro a amargura de seus sentimentos aumentou a tal ponto que ele se retirou da sociedade dos homens e passou a viver solitariamente nas montanhas. Procurou se separar de um mundo que lhe parecia completamente egoísta e cheio de coisas inúteis.
A filosofia de Heráclito lhe deu a qualificação de pensador “obscuro. Ele concebeu o princípio do Universo como um éter inflamado que não somente é a substância de tudo que existe, mas que constitui a inteligência universal.
Para ele não havia repouso na natureza, mas uma mudança perpétua. A produção de uma coisa sempre corresponderia à destruição de uma outra coisa e tudo deveria ser de novo mergulhado no espírito em fogo. O espírito de cada pessoa nada mais é do que uma parte infinitamente pequena retirada do espírito universal, o que causa a nossa tendência ao erro. Não será por meio do grande conhecimento que nós poderemos atingir a razão, mas sim nos colocando em harmonia com o todo, porque o que for puramente individual em nós só pode ser falso.
Vemos no pensamento de Heráclito em germe a filosofia de Zenão o Estôico e de Marco Aurélio. Mas a doutrina de Heráclito se aproxima mais do idealismo de Platão, que pensava que o maior esforço do espírito, afastado do mundo, seria para perceber um pouco dessa Verdade Universal com que será unido quando cessar sua prisão no corpo material. O mesmo idealismo aparece na filosofia moderna, com formas diferentes, em especial nos sistemas de pensamento de Fichte e de Hegel.
Heráclito e seu discípulo Crátilo se tornaram dos primeiros pensadores do ceticismo antigo ao defenderem que o mundo estaria no estado de fluxo tal que nenhuma verdade permanente poderia ser achada. Contrariava assim os filósofos eleáticos, que reduziam a realidade ao Uno, estático, imóvel. Dessa forma os eleáticos colocavam como falsa a observação por meio dos sentidos, a pluralidade e a mudança, negando que a realidade pudesse ser descrita pela experiência.


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0227 C ANAXIMENES o mundo sem razões mitológicas

27 DE FEVEREIRO: Anaximenes de Mileto filósofo não mitológico

ANAXIMENES DE MILETO
Anaximenes of Miletus
(nos anos 600 antes de nossa era em diante)

TERCEIRO DOS GRANDES FILÓSOFOS GREGOS NÃO MITOLÓGICOS DE MILETO

A evolução intelectual livre Iniciando a criação da ciência pura abstrata.
Pela primeira vez no mundo acontece nas cidades da Grécia Antiga que pensadores livres dedicaram sua vida a pesquisar o homem e o mundo. Isto é, a encontrar os fatos gerais e princípios que governam tudo que somos e que nos envolve. Mas a explicação não se baseou na vontade arbitrária dos deuses, mas foi feita usando a observação dos fatos. Antes a observação se destinava a imaginar a vontade dos seus poderosos deuses.
Desde o século 7º ao 5º antes da nossa era homens como Tales, Anaximandro, Heráclito, Demócrito se consagraram a fazer o universo explicado aos humanos. Eles expuseram a filosofia e criaram a ciência como duas forças novas para o progresso da humanidade.
A criação dos sábios gregos apresenta duas fases: a primeira, de Tales a Aristóteles estudou a filosofia unida à ciência. A segunda fase se deu depois de Aristóteles em diante desenvolvendo a ciência separada da filosofia. O estudo filosófico se enfraqueceu enquanto o estudo da ciência particular se fortaleceu.
A primeira semana do mês representa o nascimento do pensamento grego, durante o qual se tentou explicar o universo por algum princípio físico, fora das lendas religiosas. Ao mesmo tempo a ciência positiva, segura, comprovada, da Geometria se desenvolvia gradualmente. Tales é o principal representante da época.
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ANAXIMENES DE MILETO (cerca 600 aC) foi um grande pensador continuador da escola Jônica fundada por Tales de Mileto. Foi no tempo em que não havia na Grécia a tendência de queda das antigas crenças teocráticas orientais antigas.
Somente pelo pensamento independente da cidade de Mileto e a influência direta de Tales podem explicar porque durante um longo período a nova filosofia não naturalista foi cultivada somente e sempre numa mesma cidade. Mais tarde foi necessário procurar abrigo nas colônias gregas do sul da Itália e na costa da Sicília, para tirar a Europa do ocidente da influência teocrática oriental.
Tales tem sido posto como o primeiro dos filósofos gregos por sua explicação ser feita sem razões mítológicas. Desse modo, sua escola de pensamento é chamada de naturalista ou cosmologista, por sua atenção ao mundo físico. Uma escola que sofreria a reação da escola eleática de Parmênides.
Anaximenes se liga mais a seu mestre Tales do que o sucessor imediato, Anaximandro. Ele encontrou menos dificuldade em aceitar que todos os seres tenham um elemento comum e por conseqüência, que sejam transmutáveis. Ao contrário, seria necessário supor certo número de elementos que nossos sentidos não pudessem perceber pela observação.
A teoria de transmutabilidade universal contrariava em muito a experiência. Mas ela dava, no entanto, algumas indicações. Anaximenes entendia que o ar constituía o elemento comum, sendo uma substância mais simples e mais dispersa que a água. Não somente o ar é indispensável para a vida, mas o ar parece a própria vida. Porque a palavra psiquê, a alma, significava respiração. E o que é verdade para o homem parece igualmente verdade para todo o universo, dizia Anaxímenes, já que ele considerava todo o universo como um organismo vivo.
Do mesmo modo que nós estamos debaixo da “dependência da alma, ou seja, do ar, o universo inteiro é penetrado pelo sopro do ar”. O ar nunca está em repouso e como ele enche o espaço, ele deve, por seu movimento, ser condensado num lugar e rarificado em outro. Por conseqüência, as nuvens, a água, o sol, a lua e a terra são apenas formas do ar em diferentes estados de condensação.
Baseando-se sobre os fatos conhecidos, Anaximenes fez um passo a mais na direção da simplificação da origem das coisas colocando em sua teoria essas qualidades que Anaximandro aceitava como primordiais: a umidade e a secura, exprimindo os graus de condensação; o calor sendo o resultado da velocidade do movimento, o fogo do sol sendo devido a seu movimento rápido através dos céus.
A antiga mitologia ainda existia quando Anaximenes expressou essas idéias que estão, no entanto, dentro do número das antecipações mais brilhantes dos resultados da ciência moderna. Ele, do mesmo modo que Anaximandro, deu muita atenção à astronomia. A explicação do mundo por meio dos processos naturais e da qualidade das substâncias apenas pela diferença de quantidade influenciou muito o pensamento científico futuro.
A escola Jônica deu um passo revolucionário na explicação da natureza do mundo sem razões mitológicas. Destacou a permanência das substâncias, a evolução natural e a explicação da qualidade do ser à quantidade de seus componentes.


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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

0226 C QUADRO DO MÊS DE ARISTÓTELES- A filosofia antiga

FEVEREIRO  26:  O MÊS DE ARISTÓTELES -   3º MÊS: A filosofia antiga

A evolução intelectual da sociedade humana libertada do regime totalitário da Teocracia oriental, iniciando na liberdade a criação da ciência pura abstrata.

Pela primeira vez no mundo acontece nas cidades da Grécia Antiga homens do povo como pensadores livres dedicaram sua vida a pesquisar o conhecimento do homem e do mundo, que é a filosofia. Isto é, fora da casta sacerdotal fechada hereditária puderam questionar em liberdade os fatos gerais e princípios que governam tudo que nos envolve, desenvolvendo o saber filosófico acumulado, recebido do passado por meio de nossos antepassados, nossos mortos. Formaram a Filosofia, que é a visão da vida, a visão do mundo e do homem. Que é a cosmovisão, em alemão conhecida como uma Weltanschauung , {uma do Welt=Mundo, Anschau ung=Visão].
Para agir na vida é sempre necessário traçar antes um plano de ação. O que é feito com a visão do mundo, a filosofia, e os dados que se possui. Portanto, para agir, para viver, os homens sempre filosofaram. A filosofia existe desde que o homem vive. Os gregos pela primeira vez no mundo criaram o raciocínio abstrato, o filosofar sobre os fenômenos de número, de forma geométrica. O raciocínio fenomênico, abstrato.
Desde o século 7º ao 5º antes da nossa era homens como Tales, Anaximandro, Heráclito, Demócrito se consagraram a fazer o universo explicado aos humanos. Eles expuseram a filosofia e criaram a ciência abstrata dos fenômenos como duas forças novas para o progresso da humanidade.
A criação dos sábios gregos apresenta duas fases: a primeira, de Tales a Aristóteles estudou a filosofia unida à ciência. A segunda fase se deu depois de Aristóteles em diante desenvolveu a ciência separada da filosofia. O estudo da filosofia se enfraqueceu.
A ciência abstrata iniciada pelos gregos estuda somente as aparências, os fenômenos, os acontecimentos que ocorrem nos objetos concretos, nas coisas físicas. A pesquisa se torna muito mais simples. Por exemplo, o estudo da forma dos objetos é feito na Geometria, abandonando os demais acontecimentos, propriedades ou fenômenos que existem nas coisas, nos seres.
A separação do estudo do fenômeno do estudo dos objetos ou seres também fica muito mais geral, sendo um saber com generalidade filosófica, porque o mesmo fenômeno abstrato ocorre em muitos objetos concretos diferentes. A palavra “concreto” aqui passou a ser o antônimo de “abstrato”.
O fenômeno de quantidade é comum a tudo que existe, a todo ser. A quantidade define se a coisa existe ou não. Define a existência, define o fato de ser, o fato de existir. Seu estudo é feito na Matemática: o único fenômeno pesquisado no Calculo é a quantidade. Ele permite encontrar as relações, tendências fixas, que são as leis abstratas constantes nos fenômenos de quantidade em qualquer objeto.
O objetivo que define a Matemática é
O CÁLCULO INDIRETO DAS QUANTIDADES

As leis abstratas são infalíveis. A lei da gravitação de Newton não falha, não muda, há séculos. Resulta na relação entre os fenômenos de massa, força e distancia.
O modo de pesquisa do raciocínio abstrato é a pesquisa das relações entre os fenômenos abstratos. Fenômenos são os acontecimentos, as propriedades que os objetos concretos apresentam à percepção do nosso entendimento. São fenômenos o calor, a cor, a quantidade do que existe-o seu número, o movimento, o tempo. Os fenômenos não são materiais, físicos, não ocupam espaço. São como um acontecimento, uma ocorrência, o que se sucede, aquilo que se dá.
O raciocínio abstrato é mais complexo do que o raciocínio concreto. Não é apenas descritivo. Deve identificar que propriedades, que fenômenos devem ser estudados, quais sejam suas características. Pesquisa a relação entre os fenômenos, suas ligações, suas proporções numéricas ou qualitativas, suas relações ou estáticas, de estrutura, ou dinâmicas, de variação ao longo do tempo, relações de sucessão.
No caso da Sociologia abstrata é necessário identificar o que é fenômeno social abstrato. Fatos particulares não tem a generalidade fenomênica. As leis abstratas da Sociologia é que podem dar a previsão infalível dos acontecimentos sociais. Na Psicologia abstrata os fenômenos abstratos cerebrais devem ser identificados e ordenados por sua complexidade e generalidade.
No pensar de modo concreto a razão humana cria a descrição de cada objeto e de suas propriedades particulares, específicas. Por exemplo, na Geografia, é feita a descrição da terra, seu território, sua população, suas atividades, registrando seu conhecimento. Esse conhecimento é a representação da imagem obtida pela razão concreta descritiva do planeta terra. Para que a mente humana consiga fazer a abstração dos detalhes é necessário o conhecimento, a observação de muitos objetos concretos para que seja feita a identificação das propriedades, dos fenômenos, que possam ser comuns a vários seres concretos. As relações descobertas entre os fenômenos são, nesse caso, gerais, tendo validade na generalidade dos seres concretos. O que resulta na infalibilidade dessas relações entre fenômenos, que são as leis naturais abstratas infalíveis.
A experiência e a memória dos casos particulares concretos são exigidas para realizar a identificação e a seleção da propriedade ou fenômeno a estudar. Essa é a complexidade do raciocínio abstrato.
O modo de raciocinar abstrato na história só foi possível nas populações mais evoluídas após a astrolatria, que chegaram a desenvolver o politeísmo, podendo formar a imagem dos deuses para reconhece-los e adorá-los. Antes, o homem não conseguia fazer a imagem, ou seja, não conseguia imaginar as propriedades abstratas divinas dos seres concretos. As populações antes de alcançar as crenças politêicas não conseguem realizar a abstração necessária para a ter a idéia dos deuses poderosos com suas fortes capacidades, seus superiores acontecimentos, com seus  fenômenos extraordinários. Só com a experiência da evolução social torna-se possível a concepção da força, da inteligência e de outras qualidades abstratas das divindades. Sem poder pensar em notáveis características abstratas não se pode conhecer os deuses que protegem e regulam os homens por milênios na historia. Os seus sacerdotes foram os professores que criaram o nosso saber. Que o conservaram e o desenvolveram permanentemente.
Na infância a criança não consegue pensar a abstração antes de cerca dos cinco a sete anos de idade, na primeira infância. A capacidade de realizar a abstração marca o fim da primeira infância, definida como a idade pré-escolar. Antes da escola que ensine aritmética, a base de todo o estudo da matemática.

Calendário HISTÓRICO FILOSÓFICO
 para um ano qualquer OU
quadro concreto da preparação humana

LUNEDIA=segnda-feira; MARTEDIA=terça; MERCURIDIA=quarta;
JOVEDIA=quinta; VENERDIA=sexta-feira.
Os nomes à esquerda são para o ano  C comum; à direita, anos B bissextos.


QUADRO DO 3º mês    Aristóteles
A filosofia antiga
                                   Ano C Comum                                 Ano B Bissexto       no Ano C
Lunedia
1
Anaximandro

26.fev.
Martedia
2
Anaxímenes

27
Mercuridia
3
Heráclito

28
Jovedia
4
Anaxágoras

1.mar.
Venerdia
5
Demócrito
Leucipo
2
Sábado
6
Heródoto

3
Domingo
7
Tales

4
Lunedia
8
Sólon

5
Martedia
9
Xenófanes

6
Mercuridia
10
Empédocles

7
Jovedia
11
Tucídides

8
Venerdia
12
Arquitas
Filolau
9
Sábado
13
Apolônio de Tiana

10
Domingo
14
Pitágoras

11
Lunedia
15
Aristipo

12
Martedia
16
Antístenes

13
Mercuridia
17
Zeno

14
Jovedia
18
Cícero
Plínio, o Jovem
15
Venerdia
19
Epiteto
Arriano
16
Sábado
20
Tácito

17
Domingo
21
Sócrates

18
Lunedia
22
Xenócrates

19
Martedia
23
Filon de Alexandria

20
Mercuridia
24
S. João Evangelista

21
Jovedia
25
S. Justino
Sto. Irineu
22
Venerdia
26
S. Clemente de Alexandria

23
Sábado
27
Orígenes
Tertuliano
24
Domingo
28
PLATÃO

25
Todos os meses são iguais, de 28 dias e todos começam numa segunda-feira, terminando num domingo dedicado ao chefe da semana.


NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

FELIZ
QUEM HONRA SEUS ANTEPASSADOS




0226 02 C ARISTÓTELES  o maior filósofo da antiguidade

26 DE FEVEREIRO: Aristóteles e a Filosofia Antiga.

ARISTÓTELES
Aristoteles em grego; Aristotle em inglês
(nasceu no ano 384 antes da nossa era, em Estagira, Chalcidice, Macedônia;
morreu no ano 322, em Chalkis, Euboea, Grécia)

FAMOSO MAIOR FILÓSOFO GREGO, O MAIS INFLUENTE NA HISTÓRIA



ARISTÓTELES (384 aC-322 aC) era filho de Nicômaco, médico do rei da Macedônia. Nasceu em Estagira, na Macedônia, no norte da Grécia. Aos 18 anos ele foi para Atenas e se tornou aluno de Platão. Mais tarde foi para a corte do rei Felipe da Macedônia, onde foi encarregado da educação do seu filho Alexandre até a morte de Felipe no ano 336.
Aristóteles voltou para Atenas como professor, instalando sua escola, chamada de Liceu. Com a morte de Alexandre o Grande, deixou Atenas, morrendo no ano seguinte em Chalkis, na Grécia.
O maior pensador da história deu ênfase na pesquisa do conhecimento por meio da observação e da experiência, abandonado o espiritualismo de seu mestre, Platão. A filosofia de Aristóteles estudou com notável originalidade todos os campos do saber, como a física, a biologia, a sociologia, a psicologia, a política. Contribuiu para o estudo da lógica, da zoologia, com um gênio criador apoiado na organização do conhecimento obtido na observação direta e no estudo histórico de cada assunto. É assombroso que essa grande obra do pensamento tenha sido feita trezentos anos antes de nossa era, quando poucos conhecimentos científicos básicos ainda não tinham sidos descobertos. As suas obras, a Política e a Moral têm sua leitura recomendada até nossos dias. A lei da divisão dos ofícios e a lei dos materiais que formam a imaginação são exemplos da filosofia aristotélica.
Aristóteles desenvolveu o estudo da estrutura, da composição da sociedade, ao reconhecer a especialização sempre existente em todo o agrupamento humano. E em conjunto com a divisão dos ofícios, Aristóteles mostra que é necessário fazer com que os diferentes operadores tenham o mesmo objetivo, por meio do governo, que faz acontecer a mesma direção para a obtenção do resultado desejado pela coletividade. Esse princípio da cooperação é expresso da seguinte forma: “O caráter essencial de toda organização coletiva reside na separação dos ofícios e na convergência dos esforços”. Essa é uma lei da sociologia abstrata estática, que vale para qualquer sociedade. É estática porque não depende do tempo, da sucessão, valendo para qualquer época em qualquer sociedade, sendo uma lei de semelhança.
A conseqüência desse princípio é que não é possível eliminar as classes sociais, já que cada atividade ou ofício pertence a uma classe da sociedade. Também torna completamente impossível a igualdade social, uniformizando todas as profissões, como num comunismo ou socialismo pela força do Estado coercitivo, violento. Temos visto que quanto mais desenvolvida a sociedade, com a liberdade, maior é o número de especialidades diferentes, sendo maior a diferença entre as classes, em posição na hierarquia e em remuneração. O grande e justo objetivo da política moderna é a fraternidade, que não deve ser confundida com a igualdade impossível.
Outro exemplo da genialidade de Aristóteles é o princípio da subordinação contínua das construções mentais, subjetivas, do sujeito observador, aos dados do exterior, dos materiais objetivos. O gênio do filósofo descobriu a seguinte lei: “Nada há no entendimento que não provenha primeiro dos sentidos”. Ou seja, podemos inventar qualquer mito, qualquer sonho, qualquer ficção, mas os materiais que compõem o mito, todos, foram tirados das sensações, da informação dos sentidos. Não há saber inato, sem que tenha sido obtido pela sensação. Essa é também uma lei estática, que independe do tempo, uma lei de semelhança. As leis de evolução são leis dinâmicas, leis de sucessão.
O grande filósofo fez a conciliação de um deus com as leis científicas que dirigem os fenômenos. Engenhosamente colocou seu deus como um “Motor Primeiro”, que fez a unidade e as leis científicas da natureza e nada mais. Aristóteles com habilidade evitou negar os deuses, mas cortou os poderes divinos efetivos e permanentes conforme a ciência necessitava. Essa é a metafísica de Aristóteles. É um caso em que a filosofia passa a usar uma ENTIDADE no lugar dos DEUSES antropomórficos, com barba e bigode, o modo de explicação da realidade definida como metafísica. Essa forma de pensar não permite premiar e punir o crente como no modo teísta, acabando com a disciplina divina.
Aristóteles mostra-se em sua obra muito superior ao seu tempo, depois que a arte grega preparou a filosofia e depois dos grandes pensadores da ciência como Tales e Pitágoras.





0226 03 C ANAXIMANDRO  a explicação natural do mundo e dos corpos

FEVEREIRO 26: Anaximandro, o relógio de sol e a inclinação da eclítica

ANAXIMANDRO
Anaximander
(nasceu no ano 610 antes da nossa era, em Mileto, hoje na Turquia; morreu no ano 546)

FILÓSOFO GREGO INVENTOR DA CARTOGRAFIA E DA COSMOLOGIA


Pela primeira vez no mundo acontece nas cidades da Grécia Antiga que pensadores livres dedicaram sua vida a pesquisar o homem e o mundo. Isto é, a encontrar os fatos gerais e princípios que governam tudo que somos e que nos envolve.
Desde o século 7º ao 5º antes da nossa era homens como Tales, Anaximandro, Heráclito, Demócrito se consagraram a fazer o universo explicado aos humanos. Eles expuseram a filosofia e criaram a ciência abstrata como duas forças novas para o progresso da humanidade.
A criação dos sábios gregos apresenta duas fases: a primeira, de Tales a Aristóteles estudou a filosofia unida à ciência. A segunda fase se deu depois de Aristóteles em diante desenvolvendo a ciência separada da filosofia. O estudo filosófico se enfraqueceu enquanto o estudo da ciência particular se fortaleceu.
A primeira semana do mês representa o nascimento do pensamento grego, durante o qual se tentou explicar o universo pela pesquisa da natureza. Ao mesmo tempo a ciência positiva, segura, comprovada, da Geometria se desenvolveu gradualmente. Tales é o principal representante da época. A semana termina no domingo, com Tales como seu chefe.
Ver em 0226 C Quadro do Mês de Aristóteles, a Filosofia Antiga, Antiga, com os grandes tipos representantes do mês.
Veja em 0101 00 (código para JANEIRO 01) a apresentação e a fonte do Calendário Filosófico.

ANAXIMANDRO (610 aC-546 aC) nasceu em Mileto, na Ásia Menor. Ele é um dos pensadores que continuaram a obra de Tales, também nascido em Mileto. A escola filosófica Jônica ou Milesiana, fundada por Tales nos anos 500 antes de Cristo, foi a primeira escola da filosofia grega, com pensadores emancipados das crenças religiosas.
O nome de Tales lembra o período em que o pensamento dos gregos, rompendo com a religião dos deuses, colocou as bases da ciência ao procurar a explicação natural do mundo e dos fenômenos dos corpos. Na velhice de Tales sua influência pessoal chegou a Anaximandro, que sem dúvida ficou devendo a ele o exemplo vivo do novo pensamento científico.
Mas a solução do problema do universo que Tales deu não satisfazia a Anaximandro. Constatando que o mundo é uma cena de mudanças continuadas, de desenvolvimento de uma parte, de dissolução de outra parte, ele foi levado a pensar que a matéria existe em certo estado simples de onde procedem todas as coisas e ao qual estado elas retornam. Mas, com uma sábia hesitação ele evitou de explicar em termos precisos qual seria esse estado original.
Anaximandro sentiu que nem a água, nem o ar, nem o fogo, nem alguma outra coisa conhecida poderia ser a matéria única do princípio do universo. Tudo que há é limitado e complexo, existe apenas um tempo e morre, ao passo que a matéria do princípio deve ser infinita, sem forma e eterna.
Não nos seria suficiente conceber a natureza em sua forma mais simples. A matéria tem qualidades tais como o frio e o quente, o úmido e o seco, que não parecia a Anaximandro serem passíveis de serem analisadas e que eram então primordiais. A matéria então é inerte, mas sem uma força originária ela não poderia se modificar nem se desenvolver. Enfim, em vista das profundas diferenças das coisas ele sentiu que não havia algum motivo de reduzir tudo a um só elemento, como fez Tales.
Anaximandro concebeu então a substância originária como a soma dos elementos das coisas diferentes existentes numa massa sem forma, possuindo as qualidades primordiais e sobre as quais agiria uma força oculta. Esses elementos, ao se combinarem com a massa ou ao se separarem dela, formam as coisas individuais. Mas a separação é apenas temporária. Numa linguagem que nos lembra como era então estreita a aliança entre a filosofia e a poesia, Anaximandro diz: “disso resulta que todas as coisas chegam a ser, depois se combinam e são ainda dissolvidas para que cada uma por sua vez pague à outra a dor da injustiça”.
A frase indica que nem o quente nem o frio prevalecem permanentemente, sendo que cada um “paga reparações” para que haja um equilíbrio entre eles. Só essa sentença de Anaximandro chegou até nós, de modo que o registro de suas descobertas foi feito por escritores que se seguiram.
A influência da época anterior está ainda presente em Anaximandro. O princípio do universo, infinito e sem forma, lembra o Oceano de Homero e o caos de Hesíodo, mas para Anaximandro é menos um tema de crença fixa do que o estabelecimento do limite imposto pelo saber de sua época à divagação do pensamento. A ciência, ele sentiu, deveria procurar a redução de um por um o número dos diferentes elementos e não começar pela suposição que são todos apenas formas diferentes de um único e mesmo princípio.
Diógenes atribui a Anaximandro a invenção do relógio solar e Plínio diz que ele descobriu a inclinação da eclítica. Assim se mostra que Anaximandro se ocupava tanto da ciência como da filosofia.

AMANHÃ: Anaximenes de Mileto.


NOSSOS ANTEPASSADOS INESQUECÍVEIS
Maiores figuras humanas na antiguidade
que prepararam a civilização do futuro.

FELIZ

QUEM HONRA SEUS ANTEPASSADOS